Wednesday, July 24, 2013

Guest post - Desafio lançado: Como seu preconceito digere essa?

[por Marison Lacerda]






Katie é uma mulher que possui os cromossomos sexuais X e Y, como um homem típico teria. A aparência é feminina pois parte do seu desenvolvimento durante a gestação não ocorreu. Todo feto de homem é indistinguível de uma mulher no início da gravidez. Lá pela 7ª semana que começa a se diferenciar, mas externamente não se notará nada até depois da 10ª semana. Homens adultos que se desenvolveram normalmente possuem vestígios de útero e vagina.

"Para mim ela é homem então, não adianta parecer mulher, por que você está falando que ela é mulher?"

Porque é assim que ela se sente. É como ela se identifica. O mais importante é sempre respeitar a vontade da pessoa. A aparência é secundária. Se ela parecesse homem e se sentisse mulher, deveria ser tratada como mulher. Faça assim que não erra, a menos que a pessoa peça para ser tratada de forma diferente.

A sociedade funciona muito baseada em classificar pessoas, situações, comportamentos, objetos. Fica mais fácil para vender ideias, para controlar, para manter a ordem que beneficia uns poucos e prejudica muita gente. Você não precisa ser assim. Não precisa ter só duas caixinhas com uma etiqueta marcada com o texto "homem" numa e noutra "mulher" e tentar encaixar cada pessoa que conhece em uma caixinha dessas.

Besteira isso. As pessoas são muito mais únicas e precisam ser tratadas de forma única também. É melhor para todo mundo, inclusive para você que pode não se sentir diferente da Katie, e se a indústria, o marketing, os governantes e outros grupos que usam disso se ajustarem, será bom para toda a espécie humana.

"E se a pessoa resolveu se diferenciar depois de nascida, maquiando, vestindo saia, falando fino forçado? Acho feio, não gosto."

Não gosta por que? Provavelmente não te afeta em nada, exceto talvez por não ser fácil colocá-la numa das duas caixinhas que descrevi acima. Liberte-se dessa necessidade e pare de associar quem faz isso com coisas negativas. A pessoa pode ser motivada por se sentir mais mulher, ou mais homem, que sua aparência indica. Pode ter outro motivo. Respeite-a assim mesmo e trate-a bem que você não erra.

"E se for pior ainda, ela fizer uma cirurgia para mudar de sexo e até tomar hormônio?"

Mesma ideia. Ela está fazendo o que está a seu alcance para ficar mais parecida com a forma como se identifica. Em essência ela pode estar fazendo isso apenas para se sentir melhor consigo mesma. Não é possível uma diferença no desenvolvimento uterino mudar uma aparência que estaria "escrita nos genes". E se a pessoa tem essa aparência "escrita", mas não se identifica com ela. Não seria uma opção para ela mudar?

"Estou até concordando com tudo isso. Sou besta mesmo de ter pensado de outra forma. Existem outras diferenças que dificultam ainda mais usar só duas caixinhas para tratar gênero?"

Claro que tem. Uma coisa é o par de cromossomos sexuais que uma pessoa tem, outra como ela se identifica e ainda temos a questão de como é a aparência que possui atualmente que pode querer ou não mudar.

Por outro lado, tem uma outra bem importante, provavelmente mais comum, mas que merece respeito da mesma forma. O interesse sexual também pode variar muito. Ela pode se interessar por pessoas do mesmo sexo, de sexos diferentes, ser do tipo "tanto faz" e pode até não se interessar nada ou muito pouco por sexo. Essas situações são normais, acontecem desde sempre, acontecem com outros animais. Tem animal que até muda de sexo de acordo com a necessidade, não precisa ser tão complicado com o Homo Sapiens só por causa da necessidade de encaixar em poucas caixinhas.

E ainda pode haver combinações dessas várias situações. Uma mulher como a Katie, com cromossomos XY e aparência "feminina", pode gostar de outras mulheres sexualmente. Uma pessoa geneticamente homem, mas transgênero pode se sentir atraído por mulheres, mesmo tendo feito cirurgia e ser reconhecido como uma mulher se olharmos para uma foto.

"Puxa, vou precisar de caixinhas demais para encaixar essas variações todas, não?"

Pare de encaixar então. Simples assim. Se você considerar que nem gêmeos idênticos geneticamente são iguais, que há etapas do desenvolvimento uterino e principalmente coisas que acontecem depois que podem mudar muito como a pessoa enxerga o mundo, precisamos mesmo é de uma caixinha para cada pessoa. Ou então coloque todo as pessoas independente do sexo numa caixinha só marcada de "humano". E o mais importante, trate-os todos de forma igual. Ainda melhor, não precisamos de caixinhas.

Desejo que essa história do link e o restante do texto dê um nó no cérebro dos preconceituosos. Depois, aos poucos, esse nó pode ir sendo desfeito e com ele parte ou todo o preconceito acumulado até aqui.

Não precisa mudar hoje totalmente, ser uma pessoa sem preconceito nenhum já, mas pelo menos não transpareça mais seu preconceito, não aja em função dele, não prejudique ou ofenda ninguém mais. Ele ficar aí dentro de você vai ser danoso só para você, mas é melhor que assim seja pois ninguém mais deve sofrer por isso.

Ainda que ser preconceituoso esteja ligado a baixo QI como já postei antes, não tenho preconceito contra você e acredito mesmo que possa mudar. O motivo do seu preconceito pode ser outro. Podemos ser preconceituosos por assim o serem nossos pais, os grupos que participamos, o que recebemos de informação da mídia. Mudei muito ao longo da vida nesse aspecto e continuo mudando. Todos podem.

Tentar classificar as pessoas pelo sexo, cor, condição econômica e social, aparência física, o que acredita ou não acredita só serve para fazer vários grupos sofrerem. Podemos achar que estamos num grupo favorecido e achar isso uma vantagem, mas para um determinado grupo sempre podemos ser considerados inferiores, errados, que fazemos coisas feias. Vamos parar com isso. Não ajude a construir o que pode te prejudicar no futuro.

Usar termos como "aparência feminina" pode inclusive ser considerado desrespeitoso, pois muito do aparência feminina (ou masculina) vem da forma como a sociedade entende a mulher. E isso muda a cada cultura. Homens vestem saias, maquiam, usam vestidos em culturas diferentes da nossa. Ser musculoso não é característica masculina, é apenas característica de quem faz muitos exercícios físicos, podendo ser geneticamente homem ou mulher. É possivelmente mais comum termos homens musculosos pois homens são colocados na caixinha dos agressivos e fortes e mulheres na das sensíveis e fracas. Isso os molda para procurar profissões e forma de vida que os levem a ficarem musculosos, mas isso não vale para todo mundo. Eu sou um banana, sensível, fraco e sem músculos! E estou feliz assim como minha esposa está. Percebam o quanto é melhor não tentar encaixar ninguém em uma classificação?

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Link para a notícia -
http://saude.ig.com.br/minhasaude/americana-descobre-que-geneticamente-e-um-homem/n1597272252864.html

 
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no Facebook - https://www.facebook.com/photo.php?fbid=497489773660846&set=a.439811626095328.1073741826.100001994823142&type=1

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Thursday, July 18, 2013

Pelo direito de NÃO ter filhos

Há tempos que vejo isso sendo discutido, e sempre vejo as reclamações dos que não querem ter filhos por causa da pressão familiar e social por causa disso. Hoje me deparei com um desabafo muito contundente, e achei uma boa ideia divulgar. Foi postado no Facebook por Marison Lacerda.





Não querer filhos, espermograma solidário, câncer de próstata e respeitar as diferenças







Giselle e eu nunca quisemos ter filhos. Gostamos de crianças, crianças gostam de nós, tratamos bem, mas nunca de fato tivemos vontade.

Entendemos bem o que significa ser pai ou mãe, sabemos que há coisas boas e ruins no meio, não temos medo de desafio. Só não temos é interesse mesmo.

Só que isso é constantemente cobrado por familiares, amigos, colegas de trabalho e ultimamente, médicos. Mesmo que não venhamos a mudar pela vontade alheia, ainda é um pouco chato escutar algumas coisas de tempos em tempos e ainda pior quando o modo de pensar dos outros impede que façamos algo que julgamos importante para nós.

Uma das cobranças mais pesadas das recentes foi a Giselle escutar que está doente pois não cumpriu com o papel de mulher que é ser mãe. Além de desagradável, desnecessário, não solicitado, e preconceituoso, é machista.

Há um ano e meio Giselle descobriu que tem esse problema de saúde. Passamos por diversos médicos, uns 5. Ninguém a quis operar e as únicas propostas de tratamento foram coisas como "vá levando a dor e os efeitos colaterais" ou "vamos trocar seu anticoncepcional que deve melhorar um pouquinho". E foi só um pouquinho mesmo. Uma das ginecologistas ainda a tratou como um nada pela possibilidade de não ter filhos. Como se a invalidasse como um ser humano. Felizmente, meio que por instinto, a primeira coisa que falei depois dela comentar do diagnóstico foi que é muito mais que a possibilidade de ser mãe. E é mesmo: é uma profissional competente, se formou com bastante mérito e esforço, é uma excelente filha além de ser uma pessoa maravilhosa que me faz querer ser melhor para merecê-la pelo máximo de tempo. Foram algumas das coisas que apontei. Felizmente ajudou um pouco a ela se recompor.

Fui recentemente ao urologista para fazer o preventivo de câncer de próstata. Não tinha certeza de quando era indicado, já havia ouvido falar que é a partir dos 35 e de muitos que dos 40 anos, mas como um tio teve recentemente e passou pelas dificuldades típicas do tratamento, preferi não arriscar e fui fazer com 38. O médico mesmo falou que operou um paciente com 34 anos, mas todos os homens da família, incluindo filhos mais velhos, tiveram câncer. De qualquer forma, façam o exame quando fizerem 40, parem de achar que afeta a sexualidade e temer algo tão besta, tão rápido.

O urologista perguntou se tinha e se queria ter filhos. Respondi não para ambas, ele não concordou, mas não insistiu muito. Ao propor os exames, disse que normalmente indica um espermograma numa primeira consulta. Falei que não era necessário, mas poucos segundos depois voltei atrás e falei que faria. Pensei que se por acaso fosse infértil, facilitaria todas as decisões em relação ao tratamento da Giselle um bocado. Teríamos mais argumentos para combater o grande receio dos médicos em fazer uma cirurgia que possa afetar a fertilidade. Fora que a cobrança não cairia apenas sobre a minha esposa. Mulheres sofrem ainda mais com isso, como se não fossem necessário ambos sexos para uma gravidez e como se os homens fossem sempre férteis. Descobri que sou estéril. Mais que isso, sou surround 5.1!

Felizmente, o meu PSA está bem baixo e não tenho câncer de próstata. A questão da minha infertilidade não tem importância alguma, exceto por agora minha esposa não ser automaticamente culpada sozinha por não termos filhos.

Na sexta, Giselle vai passar por cirurgia incapacitando-a de ter filhos também. Para mim, a única coisa importante é ela sair melhor do que está agora. Parar de sentir dor a todo momento, ter mais ânimo para viver, dormir melhor, se livrar de vários dos efeitos colaterais que possui pelo tratamento que vem fazendo.

Portanto, decidimos expor nossa vida aqui para que as pessoas entendam que não teremos filhos, cessem as cobranças e entendam que estamos bem com essa situação.

Entendemos até as cobranças, somos cobrados normalmente por pessoas que se importam conosco. Sei que podem ser com boa intenção e sabemos que muitas pessoas adoram ter filhos e por isso acreditam que é o melhor para todos. Nunca assumam isso. Não funciona assim e sempre poderá gerar problemas e incomodar os outros.

Respeitar as diferenças é fundamental e inclusive indispensável para a humanidade continuar a se desenvolver. Avançamos muito mais graças a todos que pensaram diferente que por seguirmos regras, leis, dogmas e ideias alheias. A humanidade não será condenada por isso. Sempre teremos novos seres humanos sendo gerados, pois pessoas também pensarão diferente de nós.

E respeito não pode ter pré-requisito. Não deve estar ligado ao fato de você concordar ou não com a pessoa. Respeite pessoas que preferem ficar sozinhos, com parceiros, com vários parceiros, com parceiros de outros sexos. Não importa e provavelmente não afetará sua vida em nada, então aproveite e respeite todos mesmo. Sempre temos algo diferente em nós. Gostaria de ser desrespeitado por ter aquela manchinha que só você tem debaixo do seu queixo?

Podem compartilhar. De repente mais pessoas com decisões parecidas serão respeitadas. Conhecemos pelo menos três casais que decidiram o mesmo e também escutam demais. — com Gi Lacerda.



Saturday, July 13, 2013

Alerta de golpe por celular


Hoje recebi CINCO torpedos informando que eu havia ganhado em uma tal de 'Mega Bolada', na qual nunca me inscrevi. O SMS diz:

” Inf Vivo: Parabens!Voce ganhou R$ 100.mil reais na promocao MEGA BOLADA! Envie.gratis p/6060 ou ligue ja e garanta seu premio p/ 0158581391454 senha:99982″

O número de onde veio o SMS é +5511973924095, parece ser de São Paulo.

Encaminhei para 133028 como recomendado aqui: 
http://www.vivoblog.com.br/alerta-saiba-como-se-proteger-de-sms-falso-enviado-em-nome-da-vivo.html 

Vale o alerta: sempre que algo para 'bom demais para ser verdade', provavelmente é mesmo.

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Thursday, June 6, 2013

Sexo frágil? / Cultura Machista

Hoje saiu na Zero Hora [Opinião ZH, página 16] um excelente artigo de Maria Berenice Dias* , Sexo frágil?


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É chegada a hora
de as mulheres
deixarem de ser
tratadas como
pessoas frágeis que
estão protegidas no
recinto do lar!


" É o que todo mundo diz, que a mulher é o sexo frágil! Talvez porque sua compleição física seja menor. Quem sabe, porque sangra todos os meses e precisa de algum resguardo enquanto grávida. Mas o certo é que foram os homens que criaram este mito. E o pior, as mulheres acreditaram. Afinal, é uma situação de conforto. Dá uma certa tranquilidade ter alguém responsável pela gente. E, se eles são o sexo forte, assumem o dever de cuidar, de proteger. Não é por outro motivo que o homem tem que sempre ser mais: mais velho, mais alto, ganhar mais, tudo sempre mais...

Dessa condição de provedor, de superior, ao sentimento de propriedade, é um passo. Então, ele passa a mandar e ela a obedecer. Tem que se submeter. Ora, é dela a responsabilidade de cuidar da família, dos filhos, da casa. Ela é a rainha do lar!

Será que não está nesta assimetria a origem da violência doméstica? Uma realidade invisível, até o advento da Lei Maria da Penha. Ela chegou desacreditada, mas acabou empoderando as mulheres, que passaram a não mais se submeter ao jugo masculino. Começaram a ter coragem de denunciar, da buscar a proteção legal.

Pela vez primeira, passou a ser quantificada a violência contra as mulheres, e os números se revelaram assustadores. Com certeza não existe lei que tenha uma efetividade mais imediata. Concede medidas protetivas e autoriza a prisão de quem as desobedece.

Só que nem a Justiça, nem os poderes públicos estão conseguindo dar conta desta realidade. Basta atentar que, em oito dias, seis mulheres foram mortas.
Mas o mais surpreendente ainda é a cultura que parece conceder ao homem o direito sobre a mulher que _ pelo que todos ainda reconhecem _ é a mulher dele. Basta atentar que só depois de 20 horas a polícia de Sapucaia agiu. A determinação da autoridade policial foi ter paciência (ZH 5/6, p. 40). Mas até quando teremos paciência? Quantas mortes, quantas mulheres violadas e violentadas será preciso contabilizar até que as autoridades assumam a sua responsabilidade de assegurar proteção a quem se encontra em situação de vulnerabilidade?

É chegada a hora de as mulheres deixarem de ser tratadas como pessoas frágeis que estão protegidas no recinto do seu lar doce lar!"

*Advogada
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"É chegada a hora de as mulheres deixarem de ser tratadas como pessoas frágeis que estão protegidas no recinto do seu lar doce lar!"
Essa frase é especialmente ilustrativa porque já ficou muito claro que a mulher muito frequentemente  não está segura e protegida em casa.

Na mesma edição, na mesma página, tem um ótimo editorial - Cultura Machista - que tem muito a acrescentar à discussão. 


"O mais recente e mais rumoroso caso de violência doméstica, em que uma mulher foi encontrada desacordada em Sapucaia do Sul depois de ter sido mantida em cárcere privado pelo ex-companheiro, acende um sinal de alerta no Estado em relação a uma cultura machista que resiste a mudanças. O elevado número de casos indica a necessidade de uma abordagem mais ampla do problema, que expõe falhas na rede pública de proteção, exige a adoção de providências há muito tempo adiadas e recomenda a intensificação de campanhas educativas voltadas para o respeito mútuo dentro de casa.

O recrudescimento das agressões _ são pelo menos seis mortes violentas de mulheres no Estado só nos últimos dias _ volta a chamar a atenção para o quanto a sociedade ainda precisa evoluir em relação a aspectos como esse. Já avançamos, é verdade. Há quase sete anos, por exemplo, a Lei Maria da Penha tornou muito mais rigorosa a punição contra quem pratica qualquer ato de violência contra o sexo feminino. A questão, mais uma vez, é que continuam faltando providências adicionais do poder público para garantir a aplicação do texto legal.

Normalmente, o assassinato de uma mulher pelo companheiro ou ex-companheiro é precedido de uma série de fatos que indicam a iminência de uma tragédia. A questão é que, sem a adoção de providências elementares como os Centros de Atendimento, poucas mulheres se animam a denunciar os responsáveis, temerosas das consequências.

Se o poder público falha, por razões culturais como as que movem os agressores, é preciso que a sociedade faça a sua parte, tanto na área educativa quanto na fiscalização. Cobrar providências e não fechar os olhos ao problema já podem ser consideradas duas contribuições importantes."

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Wednesday, May 29, 2013

Cantada-de-RUA!


   Pois é, volto a abordar o tema. Dessa vez por causa do que aconteceu em resultado de eu ter levado um cartaz na Marcha das Vadias em Porto Alegre



 Um sujeito foi 'argumentar' comigo no Facebook que eu não poderia ter usado e expressão 'cantada', que o cartaz estava errado. Conforme expliquei na página Cantada de rua - conte o seu caso :


"..primeiro foi no meu perfil reclamar que eu não podia ter usado a palavra 'cantada', que estava errado. Primeiro eu pedi gentilmente que ele lesse os relatos desta página, mas ele não quis. Pedi que ele tentasse entender como as mulheres se sentem, e ele disse que isso não era o ponto, o ponto era o uso errado da palavra. Por fim eu disse que ele estava falando de algo que ele, como homem, não podia entender porque ele não passava por isso. Neste ponto ele me chamou de 'femista' e aí eu deletei esse comentário dele e o bloqueei; expliquei que não admito ofensas e ataques a mim na minha timeline.
Eu penso que a expressão "Cantada de rua" já mudou de significado há muito tempo. Hoje quando uma mulher ouve esta expressão, o que vem automaticamente à cabeça dela são todas as grosserias que ela ouve na rua todos os dias. Eu poderia ter explicado a ele que o que ele chama de 'cantada', hoje seria chamado de 'galanteio', se ele não tivesse me ofendido. E mesmo o galanteio é algo que um homem devia ter bastante cuidado ao usar. Já tivemos discussões aqui na página sobre abordagens educadas, mas pela falta de boa vontade dele, não deu nem para conversar sobre isso."

Então primeiro quero esclarecer que eu não disse que toda cantada é assédio. Eu disse que cantada-de-rua é assédio. Daqui pra frente vai ser escrito assim, com hífen, para que fique claro que se trata de uma expressão inteira. Assim como rabo-de-cavalo não se refere a qualquer tipo de rabo mas a um jeito específico de arrumar o cabelo, a cantada-de-rua não se refere a qualquer tipo de cantada. Se refere especificamente àquilo que muitas mulheres passam todos os dias quando andam na rua. 

Se perguntar a qualquer mulher o que lhe vem à cabeça quando ouve a expressão CANTADA-DE-RUA, 99% ou mais vai dizer que só se lembra de todas as coisas desagradáveis e mesmo assustadoras que ouvem e passam quando saem de casa.

 Usar a definição de dicionário e discutir o assunto sob o ponto de vista da 'fria lógica' não resolve o assunto. Palavras e expressões mudam de significado com o tempo e as circunstâncias, e num caso como este seria ao menos de bom tom tentar entender e escutar as mulheres sobre o assunto, já que são elas as diretamente atingidas.

Achei engraçado que o sujeito que discordou de mim se considera um 'iconoclasta'. Pois eu digo que iconoclasta sou eu, quando quebro com os estereótipos tão caros a certas pessoas, que insistem em manter a ideia ultrapassada do significado de certas palavras e ações. A sociedade muda, o significado de palavras e ações também mudam, e devemos escutar quem é diretamente atingido, não os que preferem ignorar a realidade para poder manter o seu privilégio.

O que se pretende ao chamar a atenção para esse problema? Principalmente chamar a atenção das pessoas para o que é praticamente invisível para quem não está diretamente envolvido. 

As pessoas circundantes precisam se conscientizar de que a mulher vítima desse tipo de assédio precisa de apoio e proteção. Ela definitivamente não precisa ouvir conselhos como "Ignore!" ou "Não use esse tipo de roupa". Quando há repúdio social a um determinado tipo de comportamento, ele tende a diminuir muito; é por isso que as pessoas geralmente não arrotam ou soltam gases em público. Não há lei que proíba, é a reprovação dos circundantes que constrange.

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Outras postagens relacionadas -

A 'santa' e a 'puta' - a origem das cantadas de rua

Cantada, galanteio, assédio e agressão nas ruas

Cantada de rua - conte o seu caso

Também foi abordado em um podcast do Bule Voador sobre feminismo:
 Bulecast 07 – FEMINISMO

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Sunday, May 19, 2013

PARA SAIR DA GUERRA [por Marcos Rolim]



  Reproduzo aqui alguns trechos do artigo de Marcos Rolim. Para ler na íntegra, acesse o link no final.





"A discussão sobre política de drogas envolve enorme complexidade, razão pela qual o caminho mais curto para o erro é a simplificação.

Recentemente, um magistrado e uma psiquiatra publicaram artigos em ZH, chamando atenção para os malefícios do uso da maconha.
 [.......]
Ocorre que o debate não se resolve pela constatação dos malefícios do uso de drogas. Caso contrário, o magistrado e a psiquiatra estariam defendendo que as bebidas alcoólicas e o tabaco fossem ilegais. Os efeitos associados ao álcool e ao tabaco são devastadores. Mortes no trânsito e violência doméstica, por exemplo, estão fortemente correlacionados ao hábito de beber. Tanto o álcool, quanto a nicotina produzem dependência química severa e respondem por 96,2% dos óbitos por uso de todas as drogas no Brasil. Segundo o Ministério da Saúde, entre 2006 e 2010, a bebida matou 34.573 pessoas (84,9% das mortes por uso de drogas no Brasil), o fumo matou outras 4.625 (11,3%), enquanto a cocaína matou 354.
 [......]
Os interessados deveriam assistir ao documentário “Quebrando o Tabu, de Fernando Andrade, com Fernando Henrique Cardoso, Drauzio Varella, Bill Clinton e muitos outros, em um diálogo com as experiências internacionais sobre o tema. O filme está no YouTube em: http://www.youtube.com/watch?v=tKxk61ycAvs e termina com a frase: “Em 1971 os EUA declararam guerra às drogas, 40 anos depois, é hora do mundo declarar paz”. "
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 Leia o artigo na íntegra aqui.

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