Monday, October 21, 2013

Além do ateísmo


Me perguntaram no Facebook porque eu não postava mais sobre ateísmo. 

Bem, há vários motivos. Um deles é que de certa forma já falei tudo que eu tinha para falar sobre isso. Continuar com isso seria andar em círculos a essas alturas. É como se chegássemos a uma rótula e, em vez de escolher um caminho para continuar, ficássemos andando em volta da rótula eternamente (essa comparação foi feita pelo Eli Vieira, e achei bem pertinente).

Em abril de 2010 postei um texto - Ateísmo é só uma negação?   - onde eu tento explicar como eu passei a enxergar além do ateismo.


Tem também um texto que saiu no Bule Voador - "Sou ateu!" Tudo bem, mas e daí? - que mostra de forma bem clara que ser ateu/ateia em si mesmo não é uma qualidade nem defeito, apenas uma característica. E até pode ser qualificado com um tipo de crença, de acordo com Gregory Gaboardi em sua série Por quê o ateísmo é uma crença  em sete partes.

Enfim, para mim o humanismo se tornou mais importante há bastante tempo (até por isso deixei de lado a 'ateia de bom humor' e passei a me denominar 'Uma Ateia Humanista')

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Saturday, October 19, 2013

Que família? [por Maria Berenice Dias]

"Não é mais possível viver 
em um mundo que exclua pessoas 
do direito à felicidade"




Que família?, por Maria Berenice Dias*

Soa no mínimo estranho ter sido instituído o dia 21 de outubro como Dia Nacional de Valorização da Família. Claramente mais uma das tantas tentativas de formatar os vínculos afetivos dentro de um único modelo conservador: matrimonializado, patriarcal, patrimonial, indissolúvel, hierarquizado e heterossexual.

O fato é que, tanto o Estado quanto todas as religiões, credos e crenças sempre tentaram amarrar e eternizar os vínculos afetivos. Para isso, foi criado o casamento. Simples contrato considerado uma instituição, um sacramento, com a só finalidade de impor ao par o dever de se multiplicar até a morte.

A sacralização do matrimônio como única forma de constituir família sempre teve – e ainda tem – efeitos nefastos. Durante mais de meio século, as uniões extramatrimoniais, chamadas de marginais ou ilegítimas, não eram consideradas família. Com isso, a Justiça fez legiões de mulheres famintas, pois nunca lhes concedeu nem alimentos, nem direito a qualquer bem.

As uniões paralelas são outro exemplo. Batizadas mais recentemente com o nome de poliamor ou uniões poliafetivas, continuam alijadas do sistema legal, na vã tentativa de fazê-las desaparecer. Mas condenar à invisibilidade, negar efeitos jurídicos, acaba por chancelar o enriquecimento injustificado do homem que mantém duplo relacionamento.

De igual modo, as uniões formadas por pessoas do mesmo sexo, que são alvo da mais perversa exclusão social e legal. A saída foi criar a expressão homoafetividade, que ressalta mais a natureza afetiva do que meramente sexual do relacionamento. Certamente foi o que levou a Justiça a reconhecer as uniões homoafetivas como entidade familiar e assegurar acesso ao casamento.

Mas não basta a construção jurisprudencial. Há a necessidade de uma legislação, não só para conceder direitos, mas também para criminalizar a homofobia. Este foi o compromisso assumido pela OAB ao elaborar o Estatuto da Diversidade Sexual e coordenar um movimento nacional de coleta de assinaturas para apresentá-lo por iniciativa popular.

Mas o que se vê no Dia Nacional de Valorização da Família são comemorações promovidas por igrejas evangélicas afrontando até o que preconiza a Constituição Federal, que reconhece como entidade familiar, merecedora da especial proteção do Estado, não só o casamento como também a união estável e a família monoparental.

Na realidade dos dias de hoje, é indispensável ter uma visão plural das estruturas vivenciais, inserindo no conceito de entidade familiar todos os vínculos afetivos que, por imperativo de ordem ética devem gerar direitos e impor obrigações.

Não é mais possível viver em um mundo que exclua pessoas do direito à felicidade. Afinal, esta é a finalidade da sociedade e a razão de ser do Estado. Por mais piegas que possa parecer, é só isso que todos queremos: o direito de ser feliz.

*Advogada

Saturday, September 28, 2013

Qual o sentido da cantada-de-rua?


Agora muitos homens estão argumentando que as mulheres 'precisam' entender a diferença entre uma cantada 'educada' e as grosserias e assédios.E que as mulheres tem que entender o lado dos homens, que só querem fazer um comentário inofensivo, um elogio. 

Não. Elas não tem que fazer isso. As mulheres passaram muito tempo caladas, 'entendendo' o lado dos homens. Está na hora de os homens tentarem entender o lado das mulheres. Muitos estão entendendo, mas outros estão teimosamente ainda insistindo que 'cantada' é muito diferente de 'assédio' e que portanto as 'cantadas' tem que continuar sendo toleradas?

Na verdade são vocês que tem que entender a diferença entre 'cantada' e abordagem.

Vamos lá.

Ok, você vê uma mulher desconhecida em algum local público (na rua, no ônibus, no trem, etc) e acha bonita.  

Não dá para simplesmente olhar discretamente sem encarar?
(Sabia que um olhar ostensivo em si já é percebido como uma ameaça? Já dá uma sensação de que há algo de errado com você, causa desconforto. Basta pensar em como vocês homens se sentiriam se algum outro homem olhasse para vocês de forma contínua e ostensiva.)

Aí você sentiu vontade de dizer a ela que a acha bonita (ou gostosa, ou qualquer outra coisa). 

Com que objetivo? Porque acha que ela vai gostar ou porque quer satisfazer o seu próprio impulso? No primeiro caso, você lê pensamentos? Tem certeza que ela vai gostar? No segundo caso, não acha que está sendo egoísta?
Então, exceto no caso de realmente querer conhecer aquela mulher, na dúvida é melhor deixá-la em paz.

Está de fato interessado em conhecê-la melhor para um possível futuro relacionamento? 

Que tal olhar para ela como uma pessoa e tratá-la como tal ao abordá-la, e não com um 'elogio' superficial? Há muitas formas de abordar uma mulher de forma respeitosa sem recorrer a 'cantadas'. E tem que ficar atento aos sinais. Se a mulher apressa o passo, desvia o olhar e parece apreensiva, esquece. Deixe-a em paz. Se houver um contato ocular, um pequeno sorriso, a mulher provavelmente estará receptiva a alguma conversa. Respeitosa.

As mulheres estão nas ruas atualmente para cuidar de suas vidas. Estão indo ao trabalho, ao supermercado, academia, buscar os filhos. Falar alguma coisa para qualquer pessoa desconhecida na rua sem um bom motivo é uma forma de invadir a privacidade dela. Afinal, está tentando chamar atenção dela por quê?

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Monday, September 23, 2013

A incompetência de uma certa operadora de telefonia e internet

No dia 13 de setembro o nosso telefone fixo amanheceu com um forte ruído e não fazia nem recebia chamadas. A conexão com a internet também não funcionava. 


Telefonamos imediatamente à Operadora (não direi qual é, só que ela muito provavelmente receberá um sonoro 'Tchau' em breve), que prometeu resolver o problema em 24 horas.  No outro dia, sábado, ligamos novamente (aí o telefone estava mudo, simplesmente, e a internet idem) e prometeram novamente resolver em 24 horas. 

No domingo, nada. Segunda, nada. Terça, nada. 

Na quarta ligamos novamente, e conseguimos falar com alguém na terceira vez, porque nas duas primeiras a ligação caiu enquanto esperávamos, tendo que aguentar um música horrorosa tocando na linha. Falaram que davam novamente o prazo de 24 horas MAS que como parecia ser um problema mais sério, um problema geral envolvendo mais linhas, poderia demorar mais. Na verdade ele afirmou que era um problema geral.

Na quinta, nada. Sexta, nada, Sábado, nada.

Até então havíamos só reclamado do telefone fixo, porque só há a opção de reclamar OU do telefone OU da internet, mas não as duas coisas. Era óbvio que a internet não estava funcionando por causa do telefone e que as duas coisas estavam interligadas.
Uma semana antes ligamos avisando que um fio havia caído do poste na frente da nossa casa, e aí vieram arrumar em 24 horas. Aparentemente a gente tem que dar o diagnóstico pronto, senão não sabem o que fazer...

No domingo decidimos reclamar da internet, já que reclamar do defeito do telefone não parecia sensibilizar ninguém. Prometeram enviar um técnico em 24 horas. Passado o prazo, conseguimos finalmente falar diretamente com o supervisor da equipe da tal Operadora na nossa cidade, às 11:00 da manhã de segunda (hoje, 23 de setembro), já tendo ficado sem telefone e internet por 10 dias. Ele acionou a equipe que veio à tarde e descobriu muito rapidamente que o problema era um fusível queimado na caixa de controle em um poste na esquina da nossa rua. 

Um problema fácil de resolver, mas a Operadora não foi capaz de enviar ninguém para verificar o problema no poste, sendo que já havia acontecido antes problemas com a fiação. (No mês de agosto já havíamos ficado 8 dias sem telefone e internet devido a problemas com fios rompidos.) 

Por quê a Operadora não acionou a equipe? Por quê nós só conseguimos uma solução quando entramos em contato pessoalmente com o supervisor?

Dá para confiar em uma Operadora assim?

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Tuesday, September 10, 2013

Afinal, qual o problema com a cantada-de-rua?

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Venho acompanhando essas discussões faz tempo, e uma das coisas que sempre surge é que há uma diferença entre um galanteio e uma cantada inofensiva para as cantadas grosseiras e o assédio. 

É verdade, tem mesmo. 

E por causa disso muitos homens não conseguem entender quando dizemos que é preferível não dizer nada a menos que a mulher tenha dado sinais muito claros que está receptiva. Abordar uma mulher desconhecida na rua, sem nenhum sobreaviso, para dizer algo como 'linda' ou 'gostosa' hoje é uma experiência assustadora para muitas. E há um bom motivo para isso.

Há uns 30 ou 40 anos, uma menina que ignorasse e não respondesse a um 'psiu' ou qualquer outra tentativa de chamar a atenção dela na rua ganhava 'pontos' com isso; ela era vista com admiração e considerada uma 'moça direita'. As regras eram claras, era só ignorar que ficava tudo certo. Eu imagino que seja por isso que até hoje muitas mães dão esse conselho às filhas, "ignore, faz de conta que não ouviu."

Só que isso não funciona mais.

Atualmente o que se vê é que as regras mudaram, e de forma bem arbitrária. Já são vários relatos de mulheres que contam que ignoraram uma cantada e foram xingadas e até agredidas por isso. O mesmo pode acontecer se ela deixa claro que não gostou. 

Ou seja, não há mais nenhuma garantia que um certo tipo de reação vai ter o resultado desejável.

Aquilo que começou como um 'galanteio' pode acabar em agressão em alguns casos, e o problema é que não há como saber quando e como isso vai acontecer. Por isso qualquer cantada, por mais inofensiva, se torna assustadora. 

Se você é o tipo de homem que não tem intenção de ofender ou agredir, ainda assim você precisa entender que muitas mulheres hoje sofrem de algo muito parecido com Síndrome de Stress Pós-Traumático. De tanto serem agredidas de forma arbitrária e inesperada, se sentem mal com qualquer tipo de abordagem. 

Vale a pena insistir nisso, com a desculpa de que 'algumas gostam', agora que sabem que estão causando grande sofrimento a uma significativa parcela de mulheres?

Vale a pena ignorar todos os relatos das mulheres que insistem em dizer que não gostam?

Recomendo a leitura:
Chega de Fiu Fiu: resultado da pesquisa

 De acordo com ela, 83% das mulheres não gosta.


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Wednesday, August 21, 2013

Guest post - As causas da violência contra a mulher

[por Marison Lacerda]







Oportunidade para fazer do meu primeiro post no Facebook algo relevante. Vai ficar extenso, mas acho que devo. Provavelmente não será o típico post de Facebook, mas não quero que a sociedade continue funcionando dessa forma típica que vemos.

Esse número, 7 em 10 mulheres sofrerão alguma violência em suas vidas, assusta demais. Já o conhecia, mas vendo essa imagem novamente voltei a pensar no quanto gostaria de ter uma garantia que minha esposa estivesse nesses 30%. E minha sobrinha que não tem nem um ano. Minhas mãe, sogra, tias, outra sobrinha, cunhadas, colegas de trabalho...

Infelizmente algumas das mulheres que citei já passaram por isso, já engrossaram a estatística. Nem sempre saberemos, mas seria muito bom que não venham a sofrer nada novamente. A luta continua para todas e por todas. É constante.

O que fazer para diminuir esse número?

Ajudar a reformar a sociedade. Mudar o pensamento. Mulheres não são objetos. Claro, ninguém acha isso, não é?

Quando a única característica de uma cientista que conseguiu um novo tratamento é salientar que ela é bonita (ou feia), você está desvalorizando todas as outras características. A única que se destaca para mim é o fato de ser muito inteligente. O mesmo ocorre para uma contratação baseada apenas na beleza. E existirão mulheres inteligentes e belas assim como existem homens. Não confundam. Só para exemplificar, um grupo de cientistas composto por mulheres curaram um recém-nascido com Aids recentemente.

Podemos perder um objeto. Quando deixamos de ter o convívio com uma mulher por qualquer motivo, não a perdemos da mesma forma. Infelizmente, vários homens sentem assim e matam e ferem ex-mulheres. Ou atuais. Ocorre muito. Devem ser parte bem significativa nessas estatísticas.

Mulheres serem tratadas como vacas ou putas fazendo referência a como se vestem ou se comportam sexualmente é outra faceta dessa forma de pensar que tenta limitar o que uma mulher pode fazer, mas normalmente não se tem uma preocupação similar com os homens. Você só limita (ou deveria), o que é seu. Se você acha que tem direito de fazê-lo com todas mulheres, você está contribuindo para a violência.

Fora que tratar mulheres como descrito acima ainda serve para justificar a violência sexual. É uma vaca mesmo, é feita para isso, está querendo e coisas do tipo, permeiam a mente do pré-estuprador que não precisa ser e quase nunca é uma pessoa doente. Só é muito mal alimentado mentalmente. Pode ser namorado, marido. A mulher pode estar bêbada, desmaiada, sem vontade, ser uma criança ou, mais raro e sempre atormentador, estar andando numa rua qualquer. Não temos o direito de deixar acuadas constantemente metade de nossa população por mantermos ideias preconceituosas.

Toda vez que uma filha é tratada diferente de um filho, que se entende que isso é coisa de mulher ou de homem, que se faz uma piadinha sobre mulher não saber dirigir, loiras serem burras, que ser sensível é coisa de mulher ou qualquer dessas besteiras, estamos caminhando para entender a mulher em nossa sociedade de uma forma diferente, irreal, que serve de justificativa para essa violência e outros tratamentos que sempre a prejudicam. Não apoiem isso. Pense em cada coisa que vão curtir ou compartilhar. Pode parecer engraçado, mas estamos só distribuindo conceitos antigos e sem nenhuma base na realidade, exceto a criada culturalmente, que devem parar por aqui.

E a culpada de um estupro ou violência qualquer nunca é a vítima. Nunca é por serem consideradas bonitas, por como se vestem, por como se comportam. Mulheres vestidas com burcas são estupradas, de vestidos até o pé, até o joelho, de microssaias, de calças jeans. Mulheres que olham para a frente o tempo todo, mulheres que olham para trás para verem se estão sendo seguidas, mulheres que olham para todas pessoas e dão sorrisos. Que não sorriem. Consideradas feias ou bonitas. Nenhuma escapa por nada que possa fazer ou ser. Muito injusto.

Na rua, não ache que é alguma vantagem para uma mulher receber cantadas de todos os desconhecidos. Uma ou outra pode até gostar, pode ajudar em sua autoestima, o que não é errado também, mas a maioria vai se sentir com receio de que numa situação em que um possível agressor pudesse sair impune ou sem um flagrante, ela correria grandes riscos. E corre mesmo, pois os números são altos. Mesmo uma olhada insistente pode ser ruim. E para quê mesmo é isso? Que sentido tem? Você tem o direito de aterrorizar alguém?

Escrevo muito por preocupar demais com minha esposa. Ela está próxima. Convivemos todos os dias um bocado. Ontem não assistimos nada por mais que uns minutos para ajudar a relaxar para dormir. Ficamos discutindo um pouco esse assunto e como sempre foi bom e me inspirou. Quero um mundo mais seguro para ela.

Desejo a todas as pessoas um bom dia para refletir no que desejam para essa mulherada tão legal que existe nesse nosso planeta. No mínimo, todas merecem respeito e não conviverem com o medo constante. — com Gi Lacerda.

Saturday, August 17, 2013

Minha participação no X Seminário LGBT em Brasilia









Em 14 de maio de 2013 aconteceu o X Seminário LGBT promovido pelo Deputado Jean Wyllys. Logo antes da minha fala o Deputado Jean Wyllys anunciou que o CNJ havia regulamentado o casamento igualitário para todo o Brasil. Logo em seguida falei sobre a importância do Estado Laico em relação às liberdades de crença e de direitos individuais.

Mais:
http://ateiadebomhumor.ligahumanista.org/2013/05/x-seminario-nacional-lgbt.html
http://ateiadebomhumor.ligahumanista.org/2013/05/x-seminario-nacional-lgbt-fotos.html
http://ateiadebomhumor.ligahumanista.org/2013/05/jornal-da-camara-de-brasilia.html

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