Eu vim ao Brasil em 1970, e uma das coisas que eu tive que aprender foi que quando alguém fazia 'psst' na rua não era um conhecido tentando chamar a minha atenção, era alguém testando se eu era uma moça 'direita'. Lembro bem quando um rapaz me explicou que eles faziam isso exatamente com esse objetivo.
Eu suponho que em tempos de virgindade obrigatória até casar isso fazia algum sentido, ainda mais em cidades pequenas onde todos se conheciam. O fato é que servia para diferenciar as 'fáceis' das 'casáveis'. Uma amiga me contou que o namorado dela instruiu os amigos a 'testá-la' dessa forma; como resultado ela se obrigava a andar sempre olhando bem pra a frente e ligeiramente para baixo, para não correr o perigo de olhar nos olhos de alguém.
Hoje em dia, ainda mais em cidades grandes, qual o sentido da cantada de rua? Qual a chance de ter algum efeito real? Qual a chance de ver a mulher de novo e quem sabe surgir um relacionamento disso? Praticamente nulas, não é verdade?
Então rapazes, saibam que estão perpetuando um costume arcaico e invasivo.
Mesmo que seja uma cantada 'elegante', ainda assim estão invadindo a privacidade de uma mulher estranha. Mesmo que seja um elogio sincero, quem diz que ela o apreciará naquela hora e vindo de um estranho?
Sei que alguns vão dizer que tem mulheres que gostam. Sim, claro que tem, mas na dúvida seria melhor não fazer isso mesmo assim, porque vocês não leem pensamentos nem tem bola de cristal para saber quem gosta e quem não gosta.
Sei também que muitos homens não conseguem entender porque deveriam parar. Isso acontece porque é algo culturalmente aceito, assim como um dia foi culturalmente aceito que uma mulher que não fosse virgem ao casar podia ser repudiada pelo marido.
Peço encarecidamente que repensem.
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Saturday, September 15, 2012
Wednesday, September 12, 2012
Primeiro Congresso Humanista Secular no Brasil
Nos dias 8 e 9 de setembro aconteceu o Primeiro Congresso Humanista Secular no Brasil.
Sergio Viula fez um registro quase em tempo real, atualizando o evento no seu blog Fora do Armário nos intervalos.
Leia tudo aqui: Diário do I Congresso Humanista Secular do Brasil
Também tem duas postagens no blog do Bule Voador, o blog oficial da LiHS:
Fotos do primeiro dia do 1º Congresso Humanista Secular do Brasil
Fotos do segundo dia do 1º Congresso Humanista Secular do Brasil
Também o palestrante Carlos Orssi escreveu sobre o congresso em seu blog pessoal:
Uma agenda política humanista secular?
Como vice-presidente participei, junto com Eli Vieira (presidente), do discurso de abertura.
O video ainda não está disponível, mas o discurso na íntegra pode ser lido aqui mesmo no meu blog:
Meu discurso de abertura no Congresso Humanista
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Pessoalmente achei fantástico. Conheci pessoas com quem só tinha contato via internet, e que são ainda mais legais pessoalmente.
Quanto á palestras, eu já tinha uma expectativa muito boa, mas a realidade superou um MUITO as expectativas.
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O encerramento foi emocionante. Todos da equipe que estavam presentes subiram ao palco, mas ainda faltou várias pessoas que ajudaram de longe e nos bastidores.
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Tuesday, September 11, 2012
[Acido Cetico] Para não esquecer a Repressão e a Operação Condor
Hoje quarta (12 de Set) às 19h no Gazômetro estréia o
ciclo de filmes Cine Memória e Justiça, com
uma excelente mesa de discussão na abertura
(o cartaz está anexo); o ciclo se estende até
domingo, com filmes seguidos de debate sem-
pre às 19h

Convite:
Nesta quarta-feira, dia 12 de setembro Às 14h no Auditório da Faculdade de Educação da UFRGS realizaremos o painel intitulado "Para não esquecermos! Do Plano Condor à Comissão da Verdade", com Jorge Zabalsa, Veronika Engler e Carlos Frederico Guazzelli. Está mais que na hora de começarmos a tirar os véus de amnésia que cobrem os anos de chumbo e lutar por justiça onde quer que devida. E a Universidade Pública, que não poderia ficar de fora dessa discussão, rompe os muros entre a academia e a sociedade que nos sustenta promovendo esse importante painel.
Para não esquecermos!
Do Plano Condor à Comissão da Verdade
Universidade para além dos muros é uma atividade promovida pelo Comando de Mobilização dos Professores da UFRGS e tem o apoio daSeção Sindical do ANDES-SN e da ASSUFRGS.
Também convidamos, na sequência a que prestigiem
Nossos convidados:
Jorge Zabalza, advogado, integrou o Movimiento de Liberación Nacional (Tupamaros) tendo sido preso várias vezes, a última delas durante 11 anos, até 1985, quando foi anistiado. Editou os periódicos “Mate Amargo” e “Tupamaros” e foi dirigente do Movimiento de Participación Popular (MPP) que então integrava a Frente Ampla, tendo sido eleito Edil (Vereador) da Junta Departamental de Montevideo, da qual também foi presidente em 1997. Seus escritos atuais denunciam os crimes do terrorismo de estado e a política de impunidade do atual governo uruguaio, além das consequências sociais de atual modelo econômico.
Veronika Engler, pedagoga e escritora, é filha de Henry Engler, ex-refém da ditadura militar uruguaia, tendo vivide muito de perto a vulneração dos direitos humanos em seu país, onde seu pai foi liberado com os últimos presos políticos apenas em 1985. Em 1986 mudou-se para a Suécia, país que recebeu a maior comunidade de uruguaios no exílio, e onde residiu, estudou e trabalhou até 2008. Além de atuar como pedagoga junto a crianças com autismo, paralisia cerebral e outras síndromes, teve participação importante em diversas organizações de latinomericanos no exílio e hoje dedica-se à militância pelos Direiros Humanos além de escrever - poesia e prosa - em diferentes blogues.
Carlos Frederico Guazzelli, advogado e militante dos Direitos Humanos, ex-professor universitário, é Defensor Público Estadual e foi nomeado, em 6 de agosto deste ano, um dos cinco integrantes da Comissão da Verdade do RS.
Blogues e páginas:
http://www.simplesite.com/veronikaengler/
http://www.redescritoresespa.com/V/veronikaengler.htm
http://caleidoscopiodepalabras.blogspot.com/
http://lapoesiadeveronika.blogspot.com/
Contacto:
Jorge Quillfeldt
fone 9979-4325
quillfe@ufrgs.br
Saturday, September 8, 2012
Meu discurso de abertura no Congresso Humanista
A LiHS é acima de tudo Humanista.
Antes de conhecer a LiHS eu já havia participado de outras organizações, mas a ênfase maior nelas era o ateísmo. É importante e louvável defender os direitos dos ateus na sociedade, mas essa ideia é relativamente simples e não demanda muito tempo nem teorias.
Depois de um tempo comecei a pensar, "mas é só isso?" Ateísmo é de fato só uma negação? E aí, o que fazemos com isso?
Então eu cheguei à conclusão de que o ateísmo é um ponto de partida, uma mudança de direção, e não um objetivo em si mesmo. Pensamos, avaliamos e analisamos todos os argumentos, e a partir disso algumas pessoas chegam à conclusão de que o ateísmo é o que faz mais sentido para elas. Mas é basicamente isso, uma conclusão. O que vamos fazer a partir deste ponto é que pode variar bastante. Algumas pessoas se satisfazem com a conclusão e fica por isso. Outras pessoas vão tomar caminhos diferentes, sempre de acordo com a sua própria natureza íntima. Não há uniformidade entre os ateus, assim como não há uniformidade entre religiosos , ou de resto qualquer outro tipo de grupo.
Quando conheci a LiHS percebi que nela se abria um leque de atuação que ia além do ateismo. Quando fui convidada a participar dela, aceitei com prazer.
Humanismo é, em poucas palavras, "Razão a serviço da compaixão". Então na sua essência, humanismo é compaixão. Vou além, humanismo é empatia.
Empatia é a capacidade de "sentir com", de se colocar no lugar do outro e entender como ele/ela se sente. Se formos capazes de fazer isso, já não conseguimos agir de maneira a causar infelicidade e sofrimento.
Quando agimos de maneira insensível, ridicularizando e agredindo alguém por suas convicções e crenças, em 99% dos casos as pessoas vão se afastar. Isso não ajuda em nada, muito pelo contrário.
A melhor estratégia é tratar as pessoas com gentileza, porque há uma probabilidade maior de que parem e escutem o que temos a dizer. Gostaria de dar um exemplo pessoal:
Meu pai era uma pessoa muito racional. Até os meus 21, 22 anos eu fui ateia, mas de alguma forma eu criei uma aversão a essa ideia, entre outras coisas porque o meu pai era praticamente o meu único modelo, e não tínhamos um bom relacionamento. Era pouco acolhedor, distante; hoje eu sei que ele devia sofrer da síndrome de Asperger, que faz com que a pessoa tenha pouca capacidade de interação social.
Uma das coisas que fiz foi estudar astrologia, e acreditava sinceramente na validade dela. Meu pai não acreditava, é claro, mas quando ele tentou me confrontar com a falta de base da astrologia, foi muito natural que eu resistisse, e não me dispus a escutar os seus argumentos.
Com os anos o meu pai se tornou mais tolerante e menos confrontador. Um dia ele me pediu que eu fizesse o mapa astral dele. Ele percebeu que fiquei surpresa e me disse, "não é que eu acredite em astrologia, mas eu acredito que você seja uma boa astróloga". E acrescentou, "acho que seria interessante ver o que viria através de um filtro como você".
O resultado foi que eu fiz o mapa dele, mas não consegui sentar e analisá-lo com ele. Percebi que eu seria incapaz de justificar e sustentar uma argumentação diante de um cético como ele. E entendi também que o que ele queria saber era o que eu pensava a respeito dele. E que eu não precisava de um mapa astral para isso.
Percebi que era isso que eu fazia com todos; o mapa só servia como um catalisador da conversa que eu tinha com as pessoas, o que elas sentiam e pensavam. Eu sempre fui boa ouvinte e sempre me importei em tentar entender as pessoas e dar alguma sugestão que as ajudasse.
E eu podia fazer isso muito bem sem mapa nenhum.
Este foi um passo em direção ao ateísmo também. Não o único, outro fator importante foi quando descobri que a minha filha e um dos meus filhos haviam chegado ao ateísmo de forma independente. Importante frisar que eu não criei os meus filhos para serem ateus, mesmo porque eu não era ateia durante a infância e adolescência deles. Eu também não era teísta, mas deísta. Em todo caso, eles ficaram livres para tomar as suas decisões.
Todos esses fatores juntos acabaram me levando a um ponto em que senti que não conseguia mais acreditar em nada disso. Não foi muito fácil, levou algum tempo.
O que eu queria frisar mesmo com esse relato é que a mudança de atitude do meu pai foi muito importante. A gentileza dele associado ao pedido que ele fez foi fundamental para que eu tivesse condições e a coragem de reavaliar a minha crença na astrologia.
Queria transmitir a ideia de que, assim como a atitude gentil do meu pai teve muito mais efeito do que o confronto, também nós deveríamos agir da mesma forma com as pessoas que tem crenças diferentes das nossas. Acredito que uma atitude verdadeiramente humanista com relação às pessoas pode não convencê-las de nada a princípio, mas as tornará bem mais propensas a pensar e considerar os nossos argumentos.
A LiHS é acima de tudo uma entidade humanista. Gostaria que todos os seus integrantes entendessem que a gentileza é uma das nossas melhores estratégias.
Mas a história do ateismo na minha família vai muito além do meu pai.
O ateísmo na minha família é praticamente uma tradição. Desde a minha bisavó que, tudo indica, era ateia pela forma como ela simplesmente não menciona a religião em seus escritos - cartas e diários - reunidos em um livro e publicados pela minha vó paterna. Por causa desse livro sei muita coisa sobre o passado da minha família.
Há mais de cem anos meu avô paterno fazia parte de uma organização estudantil de livrespensadores na Finlândia chamada Prometheus. A Prometheus existiu entre 1905 e 1914, e lutava por um Registro Civil na Finlândia, o direito dos que não tinham religião de se casar no civil e registrar os seus filhos sem ter que batizá-los. Pode parecer estranho hoje, mas até o ano de 1921, só havia a opção de casar e batizar os filhos em alguma igreja como forma oficial de regulamentação. Também reivindicavam o fim do ensino religioso obrigatório nas escolas, e outras coisas semelhantes.
O fato é que o meu avô e os outros integrantes da Prometheus não lutaram pelo fim da religiosidade em si, eles lutaram por espaço, pela liberdade não ter religião, pelo direito de ocupar o seu espaço em uma sociedade onde todos tivessem as suas convicções respeitadas. Eles também lutaram por um Estado Laico, mas isso eles não conseguiram. Até hoje a Finlândia tem uma religião oficial, a Igreja Luterana.
Erra muito quem pensa que o ateismo na Finlândia tem alguma relação com o comunismo. Na verdade é exatamente o contrário. Uma Associação para discutir filosofia e iluminismo chamada Valhalla existiu entre 1781 e 1786 por influência do Iluminismo francês. Houve uma publicação sobre liberdade de religião em 1863. Em 1889 já se discutia sobre a teoria de Darwin.
Houve uma tentativa de estabelecer uma associação ateista em 1887, mas foi suprimida pelo Csar; a Finlândia ainda pertencia à Rússia na época. Só se tornou independente quando ocorreu a revolução russa, e foi depois disso que a maioria das reivindicações da Prometheus foram atendidas pelo governo.
O meu avô foi secretário dessa organização durante a maior parte de sua existência. Um dos integrantes se chamava Rolf Lagerborg, e ele teve um papel importante. Ele enfrentava a igreja em assuntos como moralidade e também a igualdade entre homens e mulheres. Sobre ele tem uma história bem peculiar. Como ele era contra a obrigação de casar na igreja, ele achou uma forma um tanto inusitada de se casar. Tenham em mente que isso tudo se passou uns cem anos atrás. Ele combinou com a noiva dele que ela o denunciaria ao Juiz por 'se recusar a levá-la diante do pastor', apesar de ter 'coabitado' com ela. Imaginem o escândalo na época e o quanto essa mulher foi corajosa. Ele disse ao Juíz que de fato se recusava a levá-la ao pastor, mas que ele não se recusava a se casar com ela; e que se o juíz assim determinasse e resolvesse julgá-los casados, isso ele aceitaria. Não conheço todos os detalhes dessa história, mas eu a ouvi ainda criança quando foi comentada em conversas familiares.
A Finlândia foi um dos primeiros países onde as mulheres tiveram reconhecido o seu direito de voto. E eu cresci em uma família onde as expectativas que meus pais tinham de mim eram basicamente as mesmas que tinham do meu irmão. É claro que havia machismo mesmo lá, mas menos. Uma das coisas que percebi quando me mudei para o Brasil foi que não havíamos viajado só geograficamente, havíamos viajado para trás no tempo mais ou menos uns vinte anos. O Brasil na década de 70 estava, em termos de moralismo e feminismo, mais ou menos onde a Finlândia estava na década de 50.
Sou uma 'quebra de estereótipos' ambulante. Além de eu não corresponder minimamente ao estereótipo que se tem dos ateus, também não correspondo ao estereótipo de feminista. Na verdade, embora eu sempre tenha sido, eu demorei para entender que eu devia deixar isso claro para as pessoas, que eu sou feminista. A palavra recebeu uma conotação pejorativa com o tempo, muito graças a seus detratores que precisavam abafar esse movimento. Está havendo uma forte reação atualmente para resgatar o termo, e mostrar o que feminismo de fato significa.
Feminismo não é odiar homens, para começar. O nome disso é misandria. Também não é se considerar superior aos homens, o nome disso é femismo (cá entre nós, eu chamo de babaquice mesmo). Somos uma espécie sexuada, homens e mulheres precisam uns dos outros. Como poderíamos conviver satisfatoriamente se uma das partes despreza a outra? Se há competição em vez de colaboração, um casamento não dura. A única solução humanista para um convívio pacífico e satisfatório é se formos capazes de nos ver como gente antes de mais nada.
Isso é totalmente condizente com o Humanismo, cujo enfoque também é o de que devemos ver todas as pessoas como indivíduos com direitos que devem ser respeitados, independente de qualquer outro fator.
Sunday, September 2, 2012
Uma Ateia Humanista
Todos evoluímos, e o que nos parece certo e adequado em um momento das nossas vidas se torna ultrapassado e inapropriado em outro momento.
Decidi mudar o nome do blog, e também a forma como me apresento. Sei que pode não parecer uma mudança significativa, mas para mim é.
A "Ateia de Bom Humor" sai de cena, entra a Ateia Humanista.
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Decidi mudar o nome do blog, e também a forma como me apresento. Sei que pode não parecer uma mudança significativa, mas para mim é.
A "Ateia de Bom Humor" sai de cena, entra a Ateia Humanista.
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Friday, August 17, 2012
Feminismo não é Femismo - por Paula Berlowitz
Feminismo não é femismo – entenda a diferença e assuma-se como feminista
[texto parcial, para ler na íntegra siga o link no final do texto]
por Paula Berlowitz
Tu, aí, mulher, que diz “Eu não sou feminista, mas…”. Pára! Pode parar por aí!
Feminismo NÃO É o contrário de machismo! Pensavas que sim?! Te enganaste! O oposto do machismo é o FEMISMO! Queres entender melhor?! Então pega um café, senta aí, e lê até o fim! Prometo que não vai doer!
Vou começar devagarinho e depois pego o embalo! Quem me acompanhar na viajem até o fim, sai ganhando!
Resuminho:
- Machismo: homem achar que é superior a mulher.
- Femismo: mulher achar que é superior ao homem.
- Feminismo: movimento social constante, pela igualdade de direitos entre homens e mulheres. Também existem muitos homens feministas!
- Masculinismo: movimento social vindouro, que já dá seus prenúncios, no qual homens reivindicarão a igualdade em direitos que eles “ainda não tem” (este é divagação minha – me aprofundo a seguir…).
O FEMINISMO, por outro lado, é uma luta social constante, na qual nós, mulheres, reivindicamos nossa igualdade de direitos (o que também NÃO É A MESMA COISA que direitos iguais, afinal não haveria melhora significativa em nossas vidas o fato de poder fazer xixi em pé, nem eles poderiam reivindicar intervalos no trabalho para amamentar o filho… Fatores biológicos são fatores biológicos. Eles não terão menopausa e nós não ficaremos broxas.. hehehe Cada um com seus problemas). A igualdade de direitos da qual falamos (e tua mãe e tua avó e talvez tua bisavó já falavam, também) é poder estudar, escolher a própria profissão, ir trabalhar e receber o mesmo salário que um homem, com a mesma qualificação e número de horas trabalhadas, recebe. É poder votar. É escolher se e com quem se relacionar. É escolher se e quando será mãe. É tomar anticoncepcional. É poder carregar camisinha na bolsa sem isso ser “pecado” ou motivo de vergonha. É poder namorar com um cara ou mulher, se assim preferir e, se não for bom, partir pra outra sem receber um rótulo de “VADIA” (que é a palavra do momento! ;D). É dirigir – seu carro e sua vida. É andar na rua sem precisar de “escolta masculina”, sem ouvir “galanteios” chulos, sem levar “passada de mão”. É pagar as próprias contas, ou dividí-las, se esta for a decisão conjunta. É não ser vítima de agressão doméstica nem de violência sexual. Enfim: diversas coisas que, umas mais, outra menos, tu achas MUUUUITO NATURAL, certo?!
ERRADO! Tudo isso são adventos FEMINISTAS! Há mais de um século mulheres estão em constante e incansável batalha para que a sociedade “absorva” esses “novos moldes”! Muitas se masculinizaram, queimaram sutiãs, sofreram, apanharam, foram torturadas e, inclusive, MORRERAM para que hoje tu possas pegar teu carro e ir ao Shopping, com teu salário, comprar tua minissaia da Donna Karan e tua bolsa Channel – inclusive elas passaram por poucas e boas para atingirem seu sucesso! Então, toda mulher que usufrui e concorda com estes direitos É FEMINISTA! Embora, talvez, ainda não admita..
[...]
Feminismo NÃO é o oposto de machismo! Eu também já pensei assim! Mas me explicaram a diferença e hoje eu digo com orgulho: EU SOU FEMINISTA!
E tu? Também és, né?! Então assume e diz pra todo mundo!
(Agradeço às Blogueiras Feministas, que me apresentaram o termo FEMISMO, há cerca de 2 anos, quando entrei no twitter, e desmistificaram o FEMINISMO pra mim!)
OBS:
Leia o texto completo aqui.
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Wednesday, August 8, 2012
Marcha Nacional Contra a Mídia Machista: Porque participar?
Em PORTO ALEGRE a Marcha foi transferida para o dia
1 de Setembro
devido à chuva.
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Marcha Nacional Contra a Mídia Machista: Porque participar?
A mídia é uma das influências mais diretas e efetivas sobre a população. É ela que, muitas vezes, forma opiniões, constrói e desconstrói mitos sociais, e retrata ou distorce a realidade. No meio midiático, há uma grande parcela machista, que distorce o real contexto da mulher na sociedade, incentivando e retratando algo que não é plausível. A mídia machista reduz e ignora as conquistas das mulheres enquanto incentiva a população à pensar de modo retrógrado e opressor.Por este motivo, estamos nos organizando para ir às ruas no dia 25 de Agosto de 2012, por enquanto, em nove cidades - Belo Horizonte (MG), Rio de Janeiro (RJ), São Paulo (SP), Recife (PE), Campo Grande (MS), Campinas (SP), Porto Alegre (RS), Florianópolis (SC), Distrito Federal (BR) -, protestando na Marcha Contra a Mídia Machista.
Há três dias a Marcha foi criada, por iniciativa do povo, ou seja, sem liderança por parte de nenhuma pessoa ou grupo específico, e já está sendo divulgada e organizada à todo vapor. Para quem ainda tem suas restrições sobre a Marcha, ou não entendeu muito bem do que se trata, segue um explicativo importante sobre o logo, a origem da Marcha, os focos principais da marcha, os objetivos que a Marcha pretende alcançar e a importância de você participar. Mesmo que não ache uma boa ideia, pelo menos leia este texto para depois dizer que é perda de tempo. Não custa nada pelo menos tentar entender as coisas. Pois bem:
Logo da Marcha feito por Anderson Koppe
A Origem
Há alguns meses, vem sendo veiculada na TV uma campanha publicitária da marca de cervejas "Nova Schin", com apologia ao estupro. Na propaganda, um grupo de homens bebendo num quiosque de praia imaginam: "E se fôssemos invisíveis?" Já no campo da imaginação, tudo o que se vê é uma latinha flutuante, e então, o "homem invisível" aproveita de seu "poder" para passar a mão em mulheres deitadas na areia e invadir o vestiário feminino, fazendo as moças saírem correndo de dentro do lugar, semi-nuas.
A propaganda da Nova Schin presta um desserviço à sociedade enquanto corrobora com a mentalidade de que abusar de uma mulher e invadir sua privacidade é aceitável, e pior que isso, engraçado. Não é engraçado. É estupro. Para quem acha que é exagero, não é: o estupro não configura apenas a penetração vaginal. Desde 2009, praticar qualquer ato libidinoso sem consentimento da outra parte envolvida é estupro é É CRIME.
Nos mobilizamos, mas parece que a Nova Schin não quer ouvir. Todos os protestos na página do facebook são apagados e ignorados, e a propaganda continuar no ar, à todo vapor. O jeito então, é apelarmos à CONAR pela retirada imediata de circulação da propaganda, e exigirmos da empresa uma retratação correta, não apenas: "Não foi nossa intenção ofender ninguém".
Mas como? Foi criado o grupo de debate no Facebook: "Imaginação e Não Apelação: Chega de Propagandas Machistas". Neste grupo, nós, pessoas de vários lugares do Brasil, debatíamos sobre o desrespeito com as manifestações da população, e procurávamos uma forma de nos mobilizar. Foi então que, em meio ao debate, surgiu a ideia de Marchas. Foi criada então, a Marcha Contra a Mídia Machista, um protesto contra a desvalorização e coisificação da mulher na mídia.
Mais uma Marcha?
Alguém publicou em um dos eventos: "Mais uma marcha? Já tem Marcha da Maconha, Marcha das Vadias, agora Marcha Contra a Mídia Machista? Marcha contra político vocês não querem fazer, né?!" Antes de qualquer coisa, reitero aqui o que já disse anteriormente: uma luta não invalida a outra. A Marcha da Maconha, das Vadias, da Humanização do Parto e qualquer outra que vier a acontecer tem sua validade para quem acredita na causa. Todas as lutas são válidas.
Tendo isso explicado, algo recorrente em redes sociais é a reclamação de que as pessoas de hoje em dia só se movimentam e manifestam-se na Internet. Nos mandam parar de apenas compartilhar fotos e fazer algo efetivo. Uai, então estamos fazendo! Estamos fazendo algo efetivo. A Marcha é um direito do povo de se manifestar conta e por qualquer causa ou justificativa. É válida e é direito.
É uma forma de sairmos da Internet e realmente irmos à luta. Afinal, o que poderíamos fazer? Mandar abaixo-assinados que seriam ignorados solenemente? Ligar para a CONAR e a sede da Nova Schin até bloquear as linhas telefônicas? Ir para os supermercados e jogar as latinhas para o alto, gritando por justiça? Não. Vamos marchar.
A Marcha das Vadias, que já aconteceu pela segunda vez, movimenta a opinião pública Foto: Tulio Vianna
O Logo
O Logo foi ideia da Melise Peruchini e arte foi do Anderson Koppe (obrigada, seus lindxs!), e representa o foco principal do movimento: Pressionar a Nova Schin a retratar-se devidamente e retirar a campanha publicitária do ar.
A Nova Schin ignorou e bloqueou qualquer pessoa que fosse protestar ou manifestar-se em sua página, mostrando completo descaso e desrespeito com a população que não concorda com seu comercial incitando estupro. Foi uma forma de dizer: "Ei, vocês podem gritar e esbravejar o quanto quiserem, não vai acontecer nada, nós é que mandamos nisso aqui". Pois bem.
O símbolo do Feminismo amassando a latinha de cerveja também manda um recado para a Nova Schin: "Estamos nos mobilizando, e isso não vai ficar assim! Vocês não podem nos calar!" A Marcha é contra a mídia que é machista em geral, mas o foco principal é a mobilização contra o desrespeito da Nova Schin para com a população que discorda de suas campanhas publicitárias.
Focos Principais
Teremos várias coisas à que protestar. Marcas de cerveja sempre traduzem a mulher como uma serviçal por natureza, e um brinde, uma recompensa sexual. Com pouquíssima exceções, a indústria cervejeira reduz a mulher à capacho serviçal e sexual do homem.
Marcharemos contra esta visão distorcida da mulher, que compra sua própria cerveja, que também é consumidora, e deve ser tratada com tal.
Empresas de cosméticos e roupas em geral também tendem a tratar mulheres como fúteis que só pensam em consumir com o dinheiro de seus maridos e namorados. As empresas de cosméticos e vestuário femininos ainda possuem um problema mais grave: direcionam-se para as mulheres, a fim de chegar aos homens. Ao mesmo tempo que corroboram na visão de "mulher dependente, que não trabalha, só gasta o dinheiro do marido", incentiva as mulheres a acreditarem que assim é o certo.
Marcharemos contra essa visão distorcida da mulher, que trabalha e compra seus próprios cosméticos, roupas, carros e o que mais queiram. A mulher atual sai e trabalha para garantir o seu sustento, não fica em casa esperando o marido chegar. A entrada no mercado de trabalho, assim como as oportunidades igualitárias às dos homens, é uma luta que obteve conquistas mas que ainda é constante. As campanhas publicitárias machistas não tem o direito de nos tirar este mérito!
Outro produto sobre o qual 90% das campanhas publicitárias são direcionadas à homens, é o carro. Os comerciais de carros quase sempre reproduzem o homem, que dirige rápido e bem, que quer velocidade e liberdade, que precisa ir trabalhar com um carro prático, ou fazer um rally nas montanhas. Quando a mulher aparece, é sempre no banco do passageiro, apenas ouvindo música ou controlando a bagunça das crianças no banco de trás.
Mulheres compram o próprio carro. Os usam para ir ao trabalho e para praticar esportes radicais. Sabem dirigir muito bem. Não são apenas as babás das crianças, enquanto "a pessoa capaz de dirigir" faz seu papel de homem. Argh.
Por fim (?), campanhas publicitárias de produtos que inquestionavelmente colaboram e sustentam o machismo: produtos de limpeza e serviços de casa em geral. Sobre estes, não é preciso grande explicação, certo? Quem são as protagonistas de propagandas de detergente, limpa-pisos, supermercados, sabão em pó, máquinas de lavar e geladeiras?
As mulheres. Pois, para a mídia machista, somos e sempre seremos as serviçais da casa, não importa o homem que esteja casado ou morando conosco. Para a mídia machista, sempre seremos as que sabem, "por natureza", arrumar uma casa, lavar uma louça e fazer uma comida. Pois aviso que quando nasci, não sabia lavar louça nem pegar numa vassoura - fui ensinada a fazer isso. Enquanto muitos homens da minha família não foram. Não é da nossa natureza sermos serviçais - assim como não é da natureza dos homens não fazerem serviços domésticos.
Além do protesto contra as campanhas publicitárias machistas, também focaremos na cobertura das Olimpíadas de 2012. Quem vir uma notícia em que não haja corpos delineados como informação principal, ou eleição da "musa de tal esporte", por favor, nos notifique, que premiaremos como exceção. A mulher não é identificada como esportista pela mídia machista - apenas como corpos que se movimentam sensualmente para o prazer do homem. Foi tosco ler isso? É tosco saber que é verdade também.
Imagem de divulgação feita por Jullie Utsch para a Marcha de BH
Objetivos da Marcha
Em primeiro lugar, conscientização. A mídia machista e a população alienada se retroalimentam. A população é manipulada pela mídia e se deixa levar pelo o que passa na televisão e nos jornais - nem tudo é verdade. É preciso refletir sobre tudo o que se vê no meio midiático, sobre o que é válido e não é, sobre o que é realidade e o que está sendo distorcido. A mídia machista contribui para uma população machista. Não queremos fazer parte desta população alienada, e por isso, queremos conscientizar e informar sobre o desserviço que a mídia machista nos presta.
Em segundo lugar, pressionamento ao CONAR, para a retirada imediata da propaganda abusiva da Nova Schin de circulação. E protesto, árduo, à Nova Schin, exigindo retratação, além de boicote temporário.
E em terceiro lugar, atentar a sociedade para a causa feminista, que luta para a visibilidade numa sociedade machista e opressora - mesmo que por baixo dos panos. Uma sociedade que, mesmo que não grite aos quatro ventos, julga uma mulher que se veste de forma provocante, não aceita o fato de trabalhar fora e sere independente, acha que é obrigação feminina qualquer coisa relacionada à serviços domésticos, e sim, confirma a ideia de que somos brindes sexuais. Tudo isso em voz baixa. Queremos calar essa voz.
Sou homem. Porque devo participar?
Essa luta é de todxs! Devemos saber que o machismo não agride só às mulheres, mas também aos homens, que são restritos à sempre serem bons em tudo, viris, provedores à todo momento, caçadores natos e incansáveis sexualmente. Qualquer homem normal sabe que isso não é verdade, e que ter de se apresentar desta forma não é algo benéfico.
Além disso, é importante estar ciente do contexto no qual está inserida a mulher atual, a fim de respeitá-las e lutar lado a lado por direitos igualitários. A mídia machista também atinge os homens. Essa luta também é sua.
Porquê é importante você, sendo homem ou mulher, participar?
A Marcha acontecerá em vários estados, por isso grande parte dos brasileiros poderá participar. Se você leu este texto e pensou: "Ok, já sei que grande parte da mídia é machista, já resolvi meu problema, não preciso ir à essa Marcha", se enganou. Um dos objetivos da Marcha é conscientizar o maior número de pessoas possível. Para isso, é preciso sairmos às ruas, nos juntar em manifesto, fazer barulho! É preciso somar na manifestação e na organização.
A Marcha é importante. A causa é importante. Não deixe de participar.
Junte-se à organização da sua cidade, com divulgação, confecção de cartazes e sua voz, no dia 25 de agosto de 2012, às 14hrs. Não vamos nos calar! A mídia machista não fala por nós!
Na página principal da Marcha Nacional Contra a Mídia Machista, você vê updates do desenrolar da Marcha e a organização de cada cidade.
Confirme presença em sua cidade e convide os seus amigos para participar do evento no Facebook:
Belo Horizonte - Rio de Janeiro - São Paulo - Campinas - Campo Grande - Porto Alegre - Florianópolis - Recife - Distrito Federal
Se sua cidade não está participando da Marcha, reivindique a inclusão dela aqui.
Somos mulheres que trabalham e compram sua própria cerveja! Não somos serviçais dos homens, nem recompensa: somos consumidoras! Somos mulheres que compram os próprios carros, não somos apenas as passageiras que falam de novela e não sabem dirigir.
Somos mulheres que trabalham em dupla jornada, que não passam a vida apenas pensando em sapatos e cosméticos. Somos mulheres que dirigem empresas, são chefes de família, sustentam filhos sozinhas e ainda lutam por seus direitos.
Somos mulheres que sentem prazer sexual, e não desempenham apenas o papel de instrumento do prazer sexual dos homens. Somos mulheres que lutam. E se a mídia não quer nos retratar dessa forma, nós mesm@s iremos mostrar a que viemos!
Por Maria Beatriz
(@imbiacentrismo)
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