Essa foi a minha resposta quando o dono da Padaria, muito meu amigo, me chamou de "Dona Åsa", sendo que ele não quer que chame ele de "senhor". Primeiro eu disse que não era "dona" de nada, ao que ele respondeu "bem, dona do seu marido" . Foi aí que saiu a frase que é o título desta postagem, e saiu tão rápido e espontaneamente que fiquei pensando nela depois.
E a grande verdade é que nós nunca nos sentimos "donos" um do outro. Para nós é simplesmente natural sermos fiéis, resultado do grande respeito e admiração que eu tenho por ele e que ele tem por mim. Temos áreas de atuação diferentes, nunca sentimos necessidade de controlar o que o outro faz quando não estamos juntos (mas gostamos muito de estar juntos), e temos inclusive autonomia para tomar decisões, porque confiamos que nenhum de nós vai tomar alguma decisão importante que reflita de forma negativa sobre o relacionamento. Coisas muito importantes discutimos, claro, para chegar a um consenso.
Amor é sempre uma coisa muito subjetiva, mas para mim é basicamente um sentimento de querer o bem estar do outro ao mesmo tempo que queremos o nosso próprio bem estar junto a ele. Admiração, respeito, lealdade, fidelidade e consideração fazem parte do conjunto; também é importante ter valores semelhantes. E tem também o fato de aceitarmos a individualidade do outro, e dar a ele espaço quando necessário, até para ficar sozinho.
Lembro quando o conheci, a sensação de segurança que senti desde o começo na presença dele. Podemos estar no mesmo ambiente, cada um fazendo as suas coisas (cada um no seu computador, como agora), e não sinto em nenhum momento que preferia estar sozinha. Sinto que o mundo é um lugar um pouco melhor porque ele existe. Temos uma intimidade que sempre me pareceu tão natural, mas que descobri não ser tão comum quanto eu imaginava. Correndo o risco de parecer piegas, eu seria capaz de morrer por ele.
Olhando para trás eu vejo que éramos (e ainda somos) dois "outsiders" (termo inglês para pessoas que não sentem que fazem parte do grande grupo, não encontro um termo adequado em português), sempre destoamos do padrão. Tivemos a sorte de nos encontrar e sorte maior ainda de termos conseguido manter esse relacionamento por tanto tempo. Gostamos muito de ler, ver filmes, caminhar juntos pela manhã na praia que tem aqui perto, e temos sempre muito sobre o que conversar. Sempre andamos de mãos dadas, o que até já chamou a atenção do pessoal da vizinhança.
Ele nunca foi arrogante comigo, jamais foi capaz de me tratar como se eu tivesse que obedecê-lo. Foi assim que ele me conquistou, por me respeitar e me tratar com dignidade. Devido a várias circunstâncias eu acabei exercendo a função de dona de casa por vários anos, e ele sempre valorizou o que eu fazia na "administração doméstica" (que foi o termo que passei a usar para descrever o que fazia). Ele nunca assumiu a atitude de que o dinheiro que ele ganhava fosse "dele", sempre tivemos conta conjunta. Quando comecei a trabalhar com aulas particulares, eu também assumi a mesma atitude, o que eu recebia era
nosso, não meu. Atualmente o que faço se tornou muito importante, porque aposentado no Brasil, todos sabem, sofrem de 'AIDS' - Alto Indice de Defasagem Salarial - e ele teve o retorno da atitude que teve para comigo no início do casamento.
Parece que estou rasgando seda?
É, acho que estou. :)
****************************************************