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Saturday, April 9, 2011

Sobre o massacre no Realengo

Depois do inevitável "Porque isso aconteceu?"[1], a pergunta mais presente a respeito do assunto é, "Poderia ter sido evitado?"[2]
A próxima pergunta é, "Tem como evitar que aconteça novamente?" [3]
No final da postagem eu dou a minha opinião sobre isso.

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Desde quinta-feira tem se falado muito sobre o assunto, e com as mais diversas abordagens. Uma das postagens mais sensatas é esta: http://ddimensoes.wordpress.com/2011/04/09/a-religiao-e-culpada/
"Sempre após uma grande tragédia as pessoas buscam desesperadamente achar culpados. Seja a queda de um prédio, um terremoto ou um atirador no Rio de Janeiro. Eu ia evitar o tema, mas evitar alguma coisa não a faz desaparecer. Nesse texto vou de certa forma defender a religião. Tentar culpar a crença num homem invisível pelo que aconteceu naquela escola é bobagem, e vou tentar expor os motivos pelos quais acho isso." ...(continua no link acima)

Outra excelentes opiniões encontrei na Zero Hora de hoje (sábado, 09/04), de Claudia Laitano e Milena Fisher.
(Não adianta postar os links porque a Zero Hora só permite visualizar o conteúdo se for assinante, mas vou transcrever alguns trechos.)

[Claudia Laitano] "Que reflexão tirar do ato extremo de uma pessoa desequilibrada? Falta de segurança nas escolas, excesso de armas em circulação, bullying, fanatismo religioso, sexo e culpa misturados... Foram muitas as abordagens da tragédia de Realengo nas últimas horas - algumas apressadas demais, outras irresponsáveis até, mas todas, de alguma forma, refletindo uma necessidade urgente de digerir em conjunto essa dor. Todas tentando entender algo que é, em essência, inabarcável por uma linha única de raciocínio. Porque ninguém entra em uma escola atirando em crianças por um, dois ou três motivos, mas por uma intrincada trama de desacertos em série. 
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Mais do que o momento em que uma modalidade inédita de crime fez sua infeliz estréia no país, a última quinta-feira vai ser lembrada como o dia em que o Brasil chorou - não apenas as mortes das crianças no Realengo, mas a impossibilidade de proteger nossos filhos do imprevisível."

[Milena Fischer] "... O segundo sentimento que ficou evidente foi 'poderia ter sido na escola do meu filho'. Poderia ter sido em qualquer lugar do mundo essa tragédia de atmosfera norte-americana. O horror não se explica por por situação econômica, social, cultural ou geográfica. Ele pode estar dentro de nós, humanos que somos. Aquela parte sombria, adormecida, terrível e sórdid que, em algum momento, pode tomar a forma de um rapaz que assassina nossos filhos.
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Como explicar o horror?
O horror não se explica.
Não há lógica nele. Por mais que seja possível desvendar o perfil de um assassino de 12 crianças que estavam faceiras dentro do seu mundo, a escola, os pais não tem como proteger seus filhos do exato momento em que um ser (humano?) resolve de fato praticar o seu crime."
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Também vi várias opiniões tentando atribuir à religiosidade dele a origem dos seus atos, e também vi um certo apresentador de TV dizendo o contrário, que neste caso "a religião não tem nada a ver".
De fato, eu acho que a religião não tem nada a ver, só gostaria que esse apresentador fosse coerente e não atribuísse à falta de religião os atos violentos de outros criminosos.

Neste particular gostei muito da opinião de Daniela Halley
http://aesufmg.blogspot.com/2011/04/deus-no-coracao.html :


"Nesse post só queria deixar algo para se refletir, especialmente aqueles que concordam com o Datena...o atirador que matou 12 crianças e feriu outras varias², tinha Deus no coração.Quero deixar claro que não estou afirmando que a religião era necessariamente o motivo nesse caso, acho até que a imprensa tem sido muito especulativa nesse caso, querendo chamar atenção comparando esse atirador com terroristas do 11/9 e coisas do tipo, o que é erronio ao meu ver, já que mesmo que ele tenha sido impulsiodano por certas crenças religiosas, essa não fica exatamente clara em sua carta...mas o fato do qual podemos ter certeza é de que esse homem acreditava em deus.E agora?
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Religião e crenças no divino podem inspirar tanto o bem quanto mal, ninguém está dizendo que só inspira o mal. Mas não me venha dizer que quando alguém religioso faz algo bom é necessariamente sua religião que causa isso, mas que quando faz algo de ruim, aquela pessoa não é religiosa de verdade...ou que a religião em si não faz nada, que a pessoa é quem faz...porque se for assim, aceite também que sua religião nunca fez nada de bom, as pessoas fizeram. Não estou pedindo nada demais, somente coerência."
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Voltando às três perguntas que coloquei no ínício, a minha opinião pessoal é:

[1] - É possível fazer muitas conjecturas e anílises, mas certeza absoluta nunca teremos do porque.
[2] - Não, não poderia ter sido evitado. O sujeito era ex-aluno da escola, nunca havia cometido nenhuma violência, pessoas de fora entravam frequentemente na escola para dar palestras, enfim, não havia porque desconfiar dele.
[3] - Não acredito que se possa prever e evitar uma ocorrência destas, porque as próprias circunstâncias são tão raras e únicas.

Não é muito animador, é verdade. O que nos resta é aceitar que certas coisas estão além do nosso controle. A vida é assim, infelizmente.

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Hoje (11 de abril) vi essa notícia:

Atirador de Realengo provavelmente sofria de transtorno de personalidade e não de doença mental

http://oglobo.globo.com/vivermelhor/mat/2011/04/07/atirador-de-realengo-provavelmente-sofria-de-transtorno-de-personalidade-nao-de-doenca-mental-924185505.asp

Pelo que pude entender,  isso deixa mais claro ainda que simplesmente não haveria como prever ou evitar o que aconteceu. A pessoa busca uma justificativa, qualquer uma, para os seus atos.

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