Wednesday, July 21, 2010

"Sim, eu aceito"

Brasil ganha campanha "Sim, eu aceito" a favor do Casamento Gay - http://www.athosgls.com.br/noticias_visualiza.php?contcod=29740


Astrid Fontenelle e Cazé Peçanha aderiram à campanha "Sim, eu aceito", que pede a aprovação, pelo Congresso Nacional, do casamento entre Homossexuais.

Os senadores argentinos acabaram de aprovar um projeto parecido no país vizinho e agora os Gays de lá poderão oficializar suas uniões. Por aqui, a proposta de lei espera parecer dos deputados e senadores há cerca de 15 anos.

A campanha é promovida pela Associação Cultural MixBrasil. A apresentadora do programa "Happy Hour", do GNT, e o VJ da MTV foram as primeiras personalidades a posar com o cartaz da iniciativa. De acordo com os organizados, as atrizes Regina Casé e Betty Faria serão as próximas a apoiar a causa.

“Acredito firmemente no direito universal das pessoas firmarem seus compromissos de amor. As relações de uma vida têm direitos adquiridos e que precisam ser preservados. Se em uma sociedade comercial os direitos são preservados, em uma relação de amor também tem que ser assim. Simples assim!”, disse Astrid, ao manifestar seu apoio.

CISSA - por Martha Medeiros

Hoje eu tive a grata surpresa de ver a Martha Medeiros dizer em outras palavras aquilo que eu também penso. Eu costumo dizer que "o que importa são as pessoas e os sentimentos delas, o resto é acréscimo".

Nas palavras dela:
"a única coisa de que precisamos é ter ao nosso lado as pessoas que amamos, o resto é negociável"

A crônica:
Escrevo sob forte emoção. Acabei de saber da morte do filho da Cissa Guimarães, que foi atropelado essa manhã (de ontem) no Rio de Janeiro. Tinha 18 anos, o Rafael. Eu o conheci no apartamento da Cissa, em 2009, quando fizemos uma primeira reunião para discutir sobre a peça Doidas e Santas, baseada em livro meu, que ela estava encenando atualmente no Teatro Leblon. Semana passada, ela ainda me telefonou para dizer que a temporada havia sido prorrogada por mais três meses e brincou: “Sou ou não sou a Cissa Torpedão?”. Com aquela gargalhada gostosa que todos conhecem, ela arrematou: “Estou na melhor fase da minha vida, guria”. Estamos sempre na melhor fase da nossa vida.

[......] Havia preparado uma outra crônica para hoje, mas o tema anterior se tornou irrelevante. Tudo se torna irrelevante diante da perda de um filho, ainda mais quando é o filho de alguém que valoriza a família acima de tudo – como nós, aliás. Eu, que vinha passando por uns dias ruins, agora me pergunto: do que mesmo eu estava reclamando? Cada um sabe o que lhe dói, e todas as dores são respeitáveis, mas às vezes é importante a gente lembrar que a única coisa de que precisamos é ter ao nosso lado as pessoas que amamos, o resto é negociável, e isso vale para artistas, balconistas, diaristas e todos que vivem em alta velocidade, sem perceber que, no balanço das horas, tudo pode mudar.

Leia tudo na Zero Hora.
http://tinyurl.com/2udx9q2

Monday, July 19, 2010

O medo de ser [no blog Homofobia Já Era]

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"Na semana em que a Argentina aprova o casamento gay, peço licença para relatar uma historinha banal. Moro num bairro aprazível e “tranquilo”, sonho de consumo de dez entre dez cariocas. Dos que não vivem lá, obviamente. “A grama do vizinho…”. Pois é. De um tempo para cá, por motivos que me são alheios, alguns playboys deram de gritar “veaaaaaado!!!”
quando me vêem na rua. Outro dia, derrubaram minha pasta no chão. Numa noite anterior, rolou um inesperado banho de uísque com Redbull no casaco novo… Depois disso, a calçada ficou mais longa que uma maratona. Chegar à varanda torna-se uma decisão pesada, difícil de tomar. A pasta, o cheiro do uísque com Redbull… Difícil. Como vocês podem ver, trata-se de uma história de bullying, a palavra do momento. Seria só mais uma, não fosse o caso de atingir um certo cara no auge da meia-idade. Eu.

Nunca havia passado por isso antes. E não pretendia experimentar agora. Mas aconteceu — fazer o quê? Penso em...."
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Leia mais no Blog.

Sunday, July 18, 2010

Tradições devem ser sempre questionadas

Aprendi com a minha mãe a analisar de forma objetiva qualquer costume ou tradição, para entender de onde veio e porque surgiu, e principalmente se ainda é válida de alguma forma. A origem em geral tem um cunho simples e prático.

Por exemplo, porque comemos ovos na Páscoa?
Para entender isso temos que primeiro analisar como eram as condições de vida no lugar onde essa tradição surgiu. Na Europa, principalmente no norte, o inverno é muito escuro, além de frio. Antigamente não havia luz artificial como agora, então as galinhas paravam de pôr ovos no inverno. Na primavera, quando os dias ficavam cada vez mais longos e claros, as galinhas recomeçavam a postura. Ao mesmo tempo, as provisões de inverno já estavam acabando. Então, uma das coisas que havia para comer em abundância eram ... ovos!

Um hábito ainda relativamente comum no interior do Brasil é a mulher não lavar o cabelo quando está menstruada ou até 40 dias depois do parto. Hoje não tem nenhuma lógica, mas ainda assim o costume é mantido de forma um tanto supersticiosa.
A verdade é que há uma origem para esse costume, e na época fazia sentido. É porque antigamente as pessoas tomavam banho de açude, e realmente uma mulher menstruada ou que pariu recentemente não deve entrar de corpo inteiro em uma água funda, pois pode entrar água suja e provocar uma infecção. Com o advento do chuveiro, o cuidado se tornou sem sentido, pois não envolve esse perigo. No entanto a idéia de não tomar banho foi incorporada sem que se compreendesse porque, levando à manutenção do costume desnecessariamente.

Esses são só dois exemplos de costumes mal compreendidos.
Alguém lembra de mais algum?

Wednesday, July 14, 2010

Análise Histórico-Crítica da Bíblia: [1] A origem da condenação à homossexualidade

Há muitos anos um pastor da igreja que eu frequentava, a IECLB, me falou desse conceito, o estudo histórico-critico da Bíblia. Ele era um homem muito culto, e muito adiantado para o seu tempo, havia feito a faculdade de Teologia e tudo mais. Tinha a mente mais aberta que a maioria.

A idéia é analisar o conteúdo da Bíblia da seguinte forma:
Quem escreveu?
Em que época?
Para quem era direcionado?
Com que propósito?


Ele entendia que a Bíblia não pode ser toda considerada válida para os dias de hoje, no que ele era bem diferente de muitos religiosos que vemos hoje.

Pretendo fazer várias dessas análises, mas a primeira vai ser sobre a origem da condenação à homossexualidade. É um assunto sempre polêmico e muito mal-compreendido, e vale a pena dar uma olhada mais de perto nisso.
O que vou postar aqui é uma opinião particular minha, a partir de várias fontes e leituras no decorrer de muito tempo. Parto de um ponto de vista prático apenas. Se alguém não concordar ou quiser acrescentar alguma coisa, tudo bem.

Quando, onde, como e porque surgiu a condenação veemente da homossexualidade entre o povo hebreu? Era um povo nômade, no meio de uma terra desértica, onde competiam com outros povos pela sobrevivência e a ocupação daquela terra. Qual era o maior fator de sucesso nessas circunstâncias? Simples: gente. Quanto mais conseguissem aumentar o número de membros da tribo, mais rápido conseguiriam ocupar a terra, antes de outras tribos. Como o sistema era patriarcal, só importava quem fosse o pai, portanto as mulheres podiam ser de outras tribos, e um homem podia ter várias esposas, além de poder também produzir filhos com as escravas particulares dessas esposas, que contavam como se fossem dele e da esposa. Também é preciso levar em consideração que a mortalidade infantil provavelmente era grande, nem todos os filhos sobreviveriam até a idade adulta. Mesmo assim, quantos filhos um homem poderia vir a ter? No mínimo 10 ou 12, senão mais. Com sorte, quem sabe uns 20 ou 30. Como era uma questão de sobrevivência, era praticamente uma obrigação para um homem ter tantos filhos quanto pudesse. Um único homem que falhasse nesse aspecto era um prejuízo certo para a tribo. Não surpreende nada que um homossexual fosse considerado um peso morto, quase um traidor, por não cumprir com a sua obrigação e contribuir para o sucesso da tribo. A repressão tinha que ser radical e eficiente.

Até aqui analisei as circunstâncias prováveis ao fenômeno da condenação à homossexualidade na Bíblia.

A pergunta agora se torna óbvia: As circunstâncias atuais são as mesmas? Há razões práticas para achar que hoje a homossexualidade prejudica o grupo?

Deixo as perguntas sem resposta de propósito.
Cada um que pense e tire as suas próprias conclusões.

Monday, July 12, 2010

[ZH] Os oitenta por cento [por Sérgio da Costa Franco*]

Em junho eu publiquei aqui um artigo de Sérgio da Costa Franco, intitulado Laicidade do Estado e Imparcialidade Religiosa
(link aqui)

Ontem (11/07) ele publicou outro, em que ele relata as reações que ele teve em decorrência daquele artigo. Basicamente, as pessoas pensam que porque a maioria da população é católica, então a minoria tem que "engolir" o catolicismo. Isso caracterizaria uma ditadura da maioria, e não condiz de forma nenhuma com o Estado Laico.
"Uma dama queria até privar-me do direito de escrever em jornal, por ser um ímpio..."

O artigo:

[ZH]-Os oitenta por cento [por Sérgio da Costa Franco*] (http://tinyurl.com/3a4vhq7)

Um tema que sempre ocupou e preocupou os publicistas é o do limite do poder das maiorias na sociedade democrática.

Leio no magistral Tocqueville (A Democracia na América) que é da própria essência dos governos democráticos o império da maioria. Mas o autor passa a discutir, no mesmo capítulo, os resultados da onipotência do número e da tirania que ela por vezes impõe à sociedade. Se admitimos, diz ele, que um homem revestido do poder extremo pode abusar dele contra seus adversários, por que não admitiremos que a mesma coisa possa acontecer com uma coletividade? “Os homens, ao se reunirem, terão mudado de caráter?” E pondera que, acima da lei imposta pelas maiorias, existe uma lei maior que é a da justiça nas relações humanas.

Analisando os efeitos que a tirania do número exercia sobre o caráter nacional e a cultura dos norte-americanos, Tocqueville se alarmava e terminava por afirmar: “Se um dia vier a se perder a liberdade na América, será preciso atribuir esse acontecimento à onipotência da maioria, que terá levado as minorias ao desespero”. Por sorte, a tolerância prevaleceu na sociedade norte-americana, e os temores de Tocqueville não se justificaram.

Quando em meu último artigo defendi o princípio de igualdade no tratamento das religiões e apoiei o ato da direção do Hospital de Clínicas em transformar a capela católica ali existente num espaço neutro, para a prática de todos os credos, recebi várias contestações, algumas por via eletrônica, outras pela imprensa. Uma dama queria até privar-me do direito de escrever em jornal, por ser um ímpio... Mas quase todas fundavam-se no fato de que o catolicismo romano seria majoritário, e por isso poderia atropelar a regra constitucional da laicidade do Estado e de sua neutralidade em face das religiões. Alegou-se até que 80% dos brasileiros seriam católicos, cifra que merece alguma discussão, a menos que se considerem católicos todos os que foram batizados na Igreja romana, e que hoje se limitam a frequentar missas de sétimo dia. A cifra abrangerá também o sincretismo dos católicos umbandistas, kardecistas e outros muitos que apenas engrossam a tabela dos recenseamentos, sem nenhuma identificação com os dogmas da Igreja. Há, de fato, uma cultura católica dominante, que veio ao Brasil com as caravelas de Cabral e que se consolidou com alguns séculos de religião oficial. Mas que haja 80% de fiéis católicos, é matéria mais que discutível.

Entretanto, dando de barato que haja essa proporção (apesar dos seminários fechados, dos templos vazios e do avanço indiscutível de outras confissões religiosas), o fato ou a lenda não alteram a circunstância de haver uma regra constitucional a estabelecer imparcialidade do Estado em face das religiões e proibição ao favorecimento de qualquer delas.

De resto, a doutrina de que as maiorias tudo podem autorizaria o presidente Lula (que também desfruta de 80% de apoios) a proclamar-se imperador, restabelecer a monarquia e consagrar a dinastia dos “da Silva”...
*Historiador


Sobre a importância do Estado Laico, tem uma postagem minha sobre isso aqui.