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Sunday, January 6, 2013

Falácia do escocês não se aplica ao feminismo.


Já cansei de ver gente dizendo que estamos usando a 'Falácia do escocês' quando dizemos que certos grupos ou pessoas não são realmente feministas, mesmo quando se intitulam como tal. Vou tentar explicar porque isso é falso.

A 'Falácia do escocês' original é assim -
 “Nenhum escocês coloca açúcar em seu mingau”. Você contra-argumenta dizendo que seu amigo Angus gosta de açúcar no mingau. Então eu digo “Ah, sim, mas nenhum escocês de verdade coloca”.
Outro exemplo seria se eu dissesse que "Todo gaúcho gosta de churrasco". Se alguém diz que conhece vártios gaúchos que não gostam de churrasco, a resposta poderia ser "Mas esses não são gaúchos de verdade". Isso também se encaixa na 'falácia do escocês'.

Porque isso não se aplica ao feminismo? A razão é simples. Ser gaúcho ou escocês não é um comportamente escolhido ou uma filosofia adotada, você simplesmente não tem escolha quanto ao lugar em que nasce.

Mas suponhamos que alguém diga que conhece um ateu que acredita em divindades. Seria 'falácia do escocês' dizer que este não é um ateu de verdade? Ou alguém que se diz honesto mas age de forma desonesta, seria falácia dizer que essa pessoa não é verdadeiramente honesta?

Feminismo parte da premissa de que as mulheres devem ter os mesmos direitos, dignidade e respeito na sociedade que os homens. Se uma pessoa ou organização agem de forma contrária a isso, defendendo a supremacia das mulheres, misandria e matriarcado, então posso sim dizer que não são feministas de verdade, porque não estão agindo de acordo com a premissa básica do feminismo, que é a igualdade de gêneros.



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Roberto Takata teve a gentileza de corrigir e complementar a minha postagem. Vou postar abaixo na íntegra o seu comentário:


Acho que a aplicação ou não do "ser/não ser um de verdade" não depende de se ter ou não escolha quanto a se pertencer ao grupo em questão.

A questão do ateu crente é que *por definição* um ateu não crê em divindades.

Já colocar açúcar em mingau ou gostar de churrasco não é uma propriedade *por definição* de escocês ou de gaúcho.

Por exemplo, ser cientista ou não não é uma questão de nascimento. As pessoas escolhem se querem ser e trabalham para isso. Se alguém diz: "nenhum cientista acredita em deus" e se apresentar vários cientistas que acreditam em deus, teremos a falácia do escocês se disserem que "nenhum cientista de verdade acredita em deus".

[]s,

Roberto Takata



Meus agradecimentos, Roberto.

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