Sunday, December 30, 2012

Por um feminismo que pense na condição da mulher trans*

Por Daniela Andrade








"Quando o feminismo incitou as mulheres a lutarem pela igualdade de gêneros, pela destruição da opressão que transforma a mulher em um ser inferior ao homem e que, nessa condição, deveria se recolher ao seu karma quase cósmico de alguém que deve obediência e resignação à superioridade masculina em diversos aspectos – as mulheres trans* não conseguiram entender, já que até hoje são vistas como inferiores inclusive às próprias mulheres (ou àquilo que a sociedade petrificou na significação do que é ser mulher). Inferiores ao humano e, portanto, tratadas como seres a quem ninguém é obrigado a ouvir as reinvindicações.

Infelizmente, ainda hoje em dia, parece difícil acabar com a manipulação muitas vezes quase criminosa de um determinismo biológico que concretizou fatos que parecem rasos diante de tantas e tão diversas ciências que estudam a sexualidade humana. Aquela meia-verdade, que grita pela boca do cientificismo, que mulheres são seres com vagina, útero e cromossomos XX. Quanto às mulheres trans*? Essas são imitações mal feitas, essas são produtos inacabados de um engodo, uma enganação. Quando o feminismo eclodiu como um sistema de ideologias que visam propagar a igualdade entre mulheres e homens, muitas das trans* não puderam compartilhar da luta, pois estavam tentando demonstrar ao mundo que eram seres humanos, algo ainda anterior a possuir ou não possuir um gênero. E, seres humanos genuínos, donos de verdades diversas, e antes de tudo, agredidas diariamente, a todo instante, por toda uma sociedade que não vê qualquer humanidade diante de uma mulher trans*.

Nesse ano de 2012, dados parciais do GGB (Grupo Gay da Bahia) nos dão conta que 126 mulheres trans* foram assassinadas em todo o país. Debruçando-se sobre esses números e o que eles representam, faz-se importante exibir um cenário em que as mulheres trans* não só são agredidas e mortas, mas também desrespeitadas inclusive pela mídia e sociedade após os homicídios e, antes deles, o que inclusive é explicação para a causa dos mesmos. Importante aqui notar que o governo brasileiro não possui qualquer censo da transexualidade no país, que nos dêem com precisão dados de quantas mulheres trans* possuímos, ou mesmo dos crimes de motivos transfóbicos – a transfobia não é tipificação criminal para o estado brasileiro (talvez, por ter nenhuma importância perante as autoridades).

Comece pelo fato de que não são vistas como mulheres, ante isso, homens travestidos – grande maioria das vezes, gays com roupas de mulher. O mesmo preconceito que em vida matou-as diariamente, que nega a identidade feminina que elas assumem perante a sociedade e nega-lhes o direito básico e primitivo de possuirem um nome que atenda à uma dignidade atacada, um nome que não seja sinônimo de humilhação, como muitas o são diariamente por meio do comportamento sistemático da sociedade que prefere ver essas mulheres como quase cidadãs, quase homens, quase mulheres, quase gente.

Uma sociedade que não se importa em espezinhá-las e destruir a pouca ou rara auto-estima que podem possuir, no mais profundo de qualquer ser humano; e faz questão de ignorar o nome social (aquele que elas escolheram por trazer respeito e significação para o gênero que exercem). A prova disso é o que a grande mídia nos traz ao exibir as mulheres trans* em seus noticiários, há uma necessidade quase que embasada em um fanatismo cego ao dar nomes pelos quais essas mulheres foram registradas quando nasceram – como se isso fosse necessário para entendermos e compreendermos quaisquer que fossem os dados apresentados. Uma necessidade de demonstrar para a sociedade que se está diante de uma fraude, é isso, para essa mídia, ser mulher trans* é tentar fraudar um sistema sexual aprisionado e que aprisiona. Não tente lutar contra ele, pois exibirão a todos, quase que como castigo, que você nasceu e foi designada como homem, recebeu um registro de gênero masculino e ostenta em seu RG um nome que na maioria dos casos só lhe causa constrangimento, pouco importando para o anunciante o sofrimento que isso venha causar.

É quase uma celebração por um crime, tal e qual faziam e fazem em diversas sociedades, esquartejando e expondo em praça pública os restos mortais dos criminosos, a fim de que sirva de lição e medo para o restante da sociedade. É isso que fazem com as mulheres trans*, expõem aquilo que de mais precioso possuem, que é a própria identidade e significação, para em seguida demonstrar para todos: “Vejam, apesar dela se dizer mulher, é homem. Tem nome de homem, foi registrada como homem, mas continuem a ouvir o que essa figura exótica tem a dizer, para que aprendam o que acontecerá caso você ou alguém que você conheça, resolva lutar contra o que silenciosamente escreveram em uma lei não escrita: a que impede que seres humanos sejam respeitados por serem trans*”.

Quando o feminismo passou a lutar para que as mulheres saíssem de casa e fossem assumir postos de trabalho que só a um homem era possível, muitos viram nisso a destruição da unidade familiar, que até então incumbia às mulheres apenas e tão somente as funções domésticas – funções essas que a um homem era vedado, isso definitivamente só podia ser feito por mulheres. Hoje em dia, esse feminismo luta pela equiparação salarial entre mulheres e homens ocupando o mesmo cargo – é importante nesse caso frisar o exercício da presidência da república brasileira por uma mulher. Isso seria um disparate até poucas décadas atrás, loucura das maiores!

Nada disso as mulheres trans* conseguiram saborear, ainda são expulsas das escolas pelas grandes e microagressões diárias de alunos e professores que fazem questão de gritar que não são mulheres. Rejeitadas do mercado de trabalho, já que foram desde logo associadas ao roubo, ao crime. Raras mulheres trans* conseguiram destruir os grilhões que sempre as prenderam e as transformaram em subproduto da espécie humana e, nesse ponto também é importante salientar conquistas dignas de uma presidência da república. Luma Andrade, travesti nordestina que conseguiu um diploma de doutorado no ano de 2012 – sua história de vida é um caso exemplar de quem nunca foi vista como mulher, de quem sofreu todos os reveses da negação de uma humanidade que chegou tardiamente aos olhos da sociedade, que resolve só privilegiar como gente aquelas que não se prostituíram ou largaram a prostituição. Palmas para Luma Andrade, que sozinha mostrou-nos ser um exército, e que sozinha simboliza milhares de mulheres trans* por todo o país que poderiam (e podem) também chegar lá. Palmas a todas as mulheres trans* que não saíram no noticiário, pois não conseguiram um diploma de mestrado ou doutorado ou por quê não foram acusadas de qualquer crime, mas que mesmo assim trabalham dignamente e superam diariamente agressões vindas de todos os lados daqueles que não as reconhecem como mulheres (frisando nesse ponto o fato de que a mídia diariamente prefere é mostrar que ser trans* é ser criminosa, nos diversos documentários e noticiários que demonstram o envolvimento da marginalidade trans* com os crimes – raramente se dá notícia de algo que fuja a isso)."

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Leia o resto em - http://www.transexualidade.com.br/2012/12/29/por-um-feminismo-que-pense-na-condicao-da-mulher-trans/




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Wednesday, December 26, 2012

A qualidade da educação na Finlândia

[Reportagem publicada na Zero Hora]

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O professor é o grande segredo

A Finlândia não atrai a atenção do mundo só por apresentar os melhores resultados em avaliações internacionais, mas por desprezar políticas colocadas em prática em outros países

Um país pequeno, com metade da população do Rio Grande do Sul, ostenta um dos melhores sistemas educacionais do mundo. Na Finlândia, estuda-se menos horas do que no Brasil, o ensino enfatiza a arte e a criatividade, não há avaliação externa das escolas e a ideia de premiar professores por desempenho é considerada nociva.

Recentemente, o modelo nórdico foi eleito o melhor em um ranking no qual o Brasil ficou na 39ª posição e à frente apenas da Indonésia. Mas o paradoxo finlandês começou a chamar atenção quando ficou entre os líderes da primeira edição do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa), que mede o conhecimento de alunos desde 2000. A partir daí, o país europeu é o mais bem colocado em rankings educacionais junto a asiáticos como a Coreia do Sul.

Boa parte dos jovens coreanos, porém, estuda mais de 10 horas por dia. Os finlandeses, como ZH testemunhou ao circular por escolas daquele país, têm uma das menores cargas letivas do planeta, aprendem em colégios públicos gratuitos e descontraídos – onde tratam os professores pelo primeiro nome – e têm tempo generoso para lições de arte e trabalhos manuais. Instituições da capital Helsinque, como a Viikki ou a Helsingin Normaalilyseo, mais parecem galerias de arte onde se expõem obras produzidas por alunos.

Os professores colam fotos sorridentes nas portas de suas salas, e sentam ao lado dos alunos para a refeição diária a que todos têm direito. As aulas se baseiam em resoluções de problemas e na interatividade, como nas lições de inglês do professor Riku Mäkelä.

– Formem duplas. Um lê o texto que está no quadro, memoriza e dita para o colega escrever – orienta.

Mäkelä, que tem doutorado, conta com liberdade para planejar as aulas e fazer adaptações no currículo, podendo alterar a ordem ou a ênfase de conteúdos. Países orientados pelo modelo americano investem em um perfil mais próximo ao mundo dos negócios, com controle sobre a gestão escolar e o currículo, aposta em avaliações padronizadas de alunos, classificação de escolas e oferta de prêmios ou sanções aos professores. Os finlandeses seguem a crença de que não se cria um país bem-educado à força.

– Não desistimos das pessoas. Damos tempo aos professores para trabalharem e temos um bom sistema de apoio aos alunos – afirma o conselheiro do Ministério da Educação da Finlândia Aki Tornberg.

O pilar que sustenta o aparente milagre finlandês é a qualidade dos educadores. Os melhores alunos se candidatam aos cursos de formação igualmente públicos e gratuitos, onde devem alcançar o nível de mestrado. Com essas credenciais, não são submetidos a qualquer inspeção externa – embora sejam feitos testes por amostragem para monitorar a qualidade do sistema em geral. Alunos recebem atenção individualizada ao primeiro sinal de dificuldade.

A repetência caiu de 50% nos anos 1970 para menos de 2%. Na Finlândia, o investimento por aluno é 30% inferior ao dos americanos, por exemplo. Uma questão em aberto é o quanto do surpreendente modelo nórdico pode ser adaptado a outras culturas e dimensões nacionais. Essa pergunta, porém, cabe ao resto do mundo responder.

*O repórter viajou a convite da Embaixada da Finlândia no Brasil

marcelo.gonzatto@zerohora.com.br
MARCELO GONZATTO* | Helsinque, Finlândia

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Como aprender com o modelo finlandês

O governo gaúcho tem intenção de se aproximar da Finlândia para conhecer melhor o sistema nórdico. Embora ainda não exista um projeto formalizado de intercâmbio, a Secretaria Estadual da Educação (SEC) se interessa principalmente pela forma como os europeus lidam com as avaliações – utilizando-as como referência, mas não para estabelecer rankings ou pagar professores.

– Temos interesse em conhecer melhor o funcionamento desse sistema, principalmente a avaliação, que é muito diferente da nossa. Não valorizam os testes como elemento definidor da qualidade. O definidor é a capacidade do indivíduo de resolver problemas, enfrentar desafios e liderar – afirma o titular da SEC, Jose Clovis Azevedo.

O estímulo à iniciativa pode ser exemplificado por estudantes da escola Viikki como Ida Virta e Nelli Wiksten, 16 anos. A fim de custear um passeio escolar a Berlim (Alemanha), as colegas usam espaços do colégio secundário onde estudam como oficina para a produção de cartões natalinos que serão vendidos na comunidade. Com o recurso, pretendem fazer a viagem.

– Dá bastante trabalho, mas é bom – conta Nelli.

Criatividade, arte e trabalhos manuais fazem parte do currículo finlandês. Mas, para que o ensino das disciplinas mais tradicionais não seja comprometido, o modelo depende de figuras como a professora em treinamento Gutta Laaksonen, 25 anos. Ela já tem um mestrado e agora busca sua segunda pós-graduação para lecionar para as séries iniciais. Na adolescência, pensou em seguir outras carreiras, mas a admiração que a profissão de educador desperta na sociedade finlandesa e sua história familiar foram determinantes:

– Minha mãe, minha avó e uma tia escolheram ser professoras. O que me move não é o dinheiro, mas o fato de ser uma profissão muito admirada.

A representação diplomática do Brasil na Finlândia afirma que está em fase inicial um projeto para enviar alunos universitários de pedagogia brasileiros para complementar os estudos naquele país. Porém, a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) se limita a informar de que ainda não foi tomada nenhuma iniciativa oficial.

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Friday, December 14, 2012

Construindo pontes (Artigo na ZH)



por PATRÍCIA RECH DE OLIVEIRA*

Existe um adágio
popular que diz
que somos
responsáveis
por aquilo que
falamos e não
por aquilo que os
outros entendem


Sempre recordo uma frase que dizia aos meus alunos durante nossas aulas de língua portuguesa (e por que não dizer também de cidadania), nos constantes esforços para educá-los em relação ao uso de termos politicamente corretos: "Existem maneiras e maneiras de se dizer a mesma coisa; o que muda é tão somente a forma como nos manifestamos".


Dessa forma, uma expressão grosseira como um "Cale a boca" tem o mesmo objetivo que um "Por favor, faça silêncio". O que se modifica, porém, é a intenção e cortesia (ou falta dela) na comunicação: a abordagem em si pode causar um efeito transformador ou devastador, sobretudo se levarmos em consideração as funções da linguagem: referente (assunto), mensagem (a conversa), emissor (quem fala), receptor (quem ouve), código (linguagem, ou seja, a própria língua portuguesa em si) e canal (o meio, o contexto). Sem esquecer, é claro, do fato cultural, pois todo ser humano acumula conhecimento porque criou e emprega a linguagem, dentro de um contexto social no qual o sujeito esteja inserido, uma vez que a linguagem humana está sempre em processo contínuo de evolução e, por essa razão, em constante mudança.


Segundo Faraco & Moura (in Língua e Literatura _ 4º volume), entende-se por cultura "todo fazer humano que pode ser transmitido de geração a geração, através da linguagem. A cultura é a soma de todas as realizações do homem". Nessa perspectiva, há de se considerar que a problemática da falha de comunicação não está propriamente contida na forma como nos manifestamos, mas, sim, na forma como os outros recebem aquilo que é dito. Existe um adágio popular que diz que somos responsáveis por aquilo que falamos e não por aquilo que os outros entendem. Nesse contexto, venho refletindo há algum tempo sobre levantar muros (vivermos isolados em defesa daquilo em que acreditamos e defendemos com veemência) e construir pontes (mediar nosso conhecimento e aceitarmos a visão do próximo em busca do equilíbrio de ideias e da boa convivência em grupo).


Essa inquietação de professora (ou educadora, se o termo for mais apropriado e socialmente aceito) irrompeu de maneira tal, que ultrapassou a barreira do pensamento íntimo, ao acompanhar a recente "gafe" cometida pela presidente Dilma Rousseff, durante seu pronunciamento na 3ª Conferência Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência. O equívoco na troca do termo "pessoa" por "portadora" desencadeou uma reação de protesto por parte do público, só desfeita por uma autocorreção em tempo, seguida de aplausos após o reconhecimento do erro pela própria presidente. Certamente, Dilma não teve intenção de ofender ninguém, até porque essas expressões vêm sofrendo modificações ao longo do tempo que mesmos os eruditos obedientes à norma culta podem se confundir. O atual contexto social denota uma era de avanços tecnológicos cada vez mais amiúde, fora do alcance das camadas populares, bem como da recente reforma ortográfica e da linguagem internauta. Há uma linha tênue que separa o conhecimento empírico daquele que é oriundo de teorias e conceitos universais (muitos deles já caracterizados como obsoletos), e a ruptura desses paradigmas que nos fazem temer o emprego inadequado de expressões que possam ser interpretadas como discriminatórias ainda é um processo em construção para a maioria das pessoas.


Talvez a palavra em si não seja o essencial. Talvez os gestos, as atitudes, a empatia e a certeza de que todos somos iguais nas diferenças é que seja o verdadeiro canal de comunicação... A forma como nos tratamos mútua e reciprocamente é que definirá se realmente vivemos em um contexto que exclui e aprisiona ao levantar muros ou nos aproxima e liberta ao construir pontes.

*Professora de língua portuguesa





http://wp.clicrbs.com.br/opiniaozh/2012/12/14/artigo-construindo-pontes/

Monday, December 10, 2012

O que querem os antifeministas?

Vejo tantas página e blogs e fóruns que se opõem ao feminismo que acabei ficando curiosa. 
Afinal, o que eles realmente desejam que aconteça?


Querem que as mulheres - 

- deixem de ter o direito de votar e se candidatar?

- não tenham mais o direito de estudar e trabalhar?

- sejam obrigadas a se dedicar só à casa, filhos e tarefas domésticas?

- não andem mais nas ruas para não ter que ouvir todas as grosserias que muitas ouvem atualmente?

- que andem vestidas com há cem anos, ou de burca de preferência?

- que as que não se casarem tenham como única alternativa ser sustantada pelo pai, tio ou irmão, ou então tenham que entrar para um convento?

- não tenham acesso a métodos anticoncepcionais, sendo as únicas alternativas o casamento e quantos filhos vierem, ou a castidade?

- tenham que aguentar um marido (ou pai, ou irmão) autoritário, que possa bater nelas sem que elas tenham o direito a qualquer defesa?

Enfim, tem muitas outras possiblidades, mas não vou me estender mais.

Fica a indagação. Se alguém quiser responder, fique à vontade.

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Sunday, December 2, 2012

"Legítima Defesa da Honra" - versão 2012


No passado foi muito comum homens matarem as esposas em casos de adultério e depois saírem livres no julgamento com a alegação da "Legítima Defesa da Honra".

Era algo popularmente aceito e as coisas ficaram assim até 1976, quando houve protestos enormes devido ao caso Doca Street.

Doca Street

[Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.]

Raul Fernando do Amaral Street, o "Doca Street", como ficou mais conhecido, é um corretor de ações brasileiro.
Ficou nacionalmente conhecido depois de ter assassinado em 30 de dezembro de 1976 a socialite Ângela Diniz, com quem teve um longo relacionamento amoroso. Para viver o relacionamento com a "Pantera de Minas", como Ângela era conhecida quando namorou o colunista social Ibrahim Sued, "Doca Street" deixou sua mulher e seus filhos. Durante muito tempo foi estigmatizado de gigolô e traficante, embora sempre tivesse trabalhado com o mercado de ações, e chegou a afirmar em várias entrevistas que nunca foi traficante nem "mauricinho". Em primeiro julgamento que teve repercussão nacional dada a grande cobertura da TV Globo, foi inocentado sob o argumento da "defesa da honra", pois teria sido traído. A reação popular resultou em cancelamento desse julgamento e numa segunda ocasião, foi condenado por homicídio.

Este caso foi um marco, e a partir daí não se via mais com bons olhos esse argumento, mas é claro que mentalidades não mudam tão rápido, a força da lei só vai até certo ponto.

Bem há poucos dias tivemos uma reedição 'versão 2012' dessa "legítima defesa da honra". Me refiro ao caso da Karina Veiga, claro. Ela teve as suas fotos nua e fazendo sexo com o namorado expostas na internet, e como era de esperar muita gente colocou a culpa nela, ela é que era 'vagabunda', etc. Tem várias postagens a respeito disso, entre outras a da Lola do blog Escreva Lola Escreva, de modo que não vou me ater aos detalhes, mas ao suposto motivo.


O "motivo" foi que ela alegadamente teria traído o namorado. Quer dizer, o sujeito disse que ela traiu e todo mundo acreditou, mas não se sabe nem se é verdade. Mas digamos que fosse.

O sujeitinho se sentiu no direito de execrá-la publicamente, expô-la da forma mais vil, e tudo porque? 


Porque ela traiu!?

Uma coisa que é de foro íntimo, e que não serve mais como motivo nem para divórcio (já foi lei, acreditam?) e o cara se acha no direito de crucificá-la publicamente!

"Legítima Defesa da Honra" - versão 2012 ??

Gente, párem o mundo que eu quero descer!

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Atualização - 

http://samuellfarias.blogspot.com.br/2012/12/somos-karina-veiga.html

Os boatos na internet davam conta de que Karina Veiga era uma menina de 16 anos, que após trair seu namorado, teve fotos e videos íntimos publicados na rede social Facebook. A verdade, no entanto, é bem diferente.

Karina tem apenas 15 anos e era agredida pelo então namorado, maior de idade. Com o fim do relacionamento deles, o homem, indignado, expôs o conteúdo pessoal da menina na internet para se vingar do que, para ele, era uma traição.

Ou seja, não tinha traição nenhuma nessa história, só o mesmo velho machismo de sempre. Mulher não pode querer se separar, ela é "propriedade".

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Wednesday, November 14, 2012

Um homem feminista em 1869


Quem pensa que o feminsmo é coisa dos anos 60 se engana muito. É muito mais antigo que isso, e sempre houve também homens que empatizavam e compreendiam a necessidade de tratar as mulheres como gente.

Abaixo reproduzo a resenha do livro A sujeição das mulheres, de John Stuart Millm feita por Fernanda Belo Gontijo.

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Feminismo genuíno

Fernanda Belo Gontijo
 
A sujeição das mulheres, de John Stuart Mill


John Stuart Mill (1806-1873) foi um defensor dos direitos liberais e um homem preocupado com o bem-estar individual e social da humanidade. Suas idéias utilitaristas a favor da maximização do bem-estar deram-lhe destaque no meio filosófico e político. Em consonância com os seus ideais liberais e utilitaristas estão as suas idéias em favor da igualdade de gênero, sendo um dos poucos filósofos de seu tempo a defender ativamente os direitos das mulheres.

Em meados da década de 1860, como membro do Parlamento inglês, apresentou uma petição assinada por 1500 mulheres solicitando o direito nacional de voto das mulheres, cujo resultado foi um massacrante fracasso: 194 votos contra e 73 a favor. No entanto, Mill não desistiu e publicou pouco tempo depois, em 1869, A Sujeição das Mulheres, uma das mais elegantes e claras defesas da igualdade de gênero e dos direitos das mulheres feitas até hoje. Escrita por um homem, o seu objetivo é demonstrar em quatro capítulos o quanto é indefensável a subordinação do sexo feminino ao masculino.

Nos anos seguintes à publicação do livro muitos frutos já eram colhidos como consequência da luta feminista, das quais, com certeza, as idéias de Mill defendidas nessa obra muito contribuíram. O sufrágio universal foi legalizado em muitos países, a empregabilidade feminina, mesmo em condições menos favoráveis que a dos homens, foi notadamente aumentada e a inserção da mulher no ensino básico e superior era uma realidade crescente.

No prefácio do livro, Bernardo de Vasconcelos (Universidade da Madeira) nos informa mais detalhadamente sobre esses avanços e fornece um breve panorama da história das lutas e conquistas femininas, sobretudo na Inglaterra, país em que as idéias de Mill e de mulheres como Mary Wollstonecraft (1759-1797) foram importantes para a emancipação feminina.

O primeiro capítulo do livro é dedicado à defesa da ideia de que a sujeição das mulheres aos homens é arbitrária. Antes de esta sujeição ser estabelecida, não foi dado às mulheres o benefício da dúvida. Foi-lhes negado o direito de exercer as mesmas funções que os homens, de modo a testar a eficácia dos papéis sociais, o que permitiria talvez concluir que a submissão feminina traria maior benefício a ambos. As razões para o estabelecimento de tal costume nem mesmo foram discutidas e ponderadas. Prevaleceu a lei do mais forte e o sexo mais forte fisicamente, o masculino, subjugou o mais fraco, o feminino, exigindo a sua devoção e afeição.

Mas a força dos costumes é tamanha que apesar das diversas conquistas sociais que forçaram o abandono da lei do mais forte e, consequentemente, da escravatura, a sujeição das mulheres se manteve como uma servidão disfarçada de gratidão e justa obrigação. A quem argumente que essa sujeição não é imposta pela força e é voluntariamente aceite, sendo as mulheres co-responsáveis pela sua condição; mas o contra-exemplo de que muitas não o aceitam e lutam contra esse costume prova que esse argumento não funciona.
Mill desmente que a sujeição das mulheres aos homens seja natural. Esta é uma mentira determinista e alimentada por uma opressão tão infundada quanto qualquer outra. Uma das maiores conquistas das sociedades modernas foi perceber que os seres humanos são livres para usar as suas faculdades e oportunidades para viverem conforme desejarem, o que deveria aplicar-se também às mulheres.

O dever imposto às mulheres de se tornarem mães e esposas, fechando-lhe as portas para qualquer outro estilo de vida é comparado a um recrutamento forçado. Visionário que era, Mill previu que se as mulheres tivessem liberdade de escolha e igualdade de condições de exercício de suas faculdades, não aceitariam — como muitas não aceitam hoje — casarem-se, dividir suas posses e ter filhos, se para isto fosse preciso pagar o preço de ceder ao despotismo masculino.

O segundo capítulo é uma reflexão sobre o casamento. Mill trata da sujeição legal da mulher ao marido que, muitas vezes, é pior do que a de um escravo. Tamanha sujeição fez do casamento uma relação na qual muitas vezes impera o despotismo extremo, sendo a mulher objeto e vítima de todo o tipo de violência. O casamento, no entanto, deveria ser como uma sociedade na qual ambos os sócios têm igual poder de decisão, sendo acordados informalmente entre eles os direitos, deveres e funções de cada um.
Mill defende o direito de divórcio e sustenta que dadas as deploráveis condições matrimoniais a que pode ser submetida, a mulher deveria ter o direito de escolher o seu marido, o que incluiria permissão para a tentativa de uma segunda ou posteriores uniões.

Mill encerra o segundo capítulo defendendo duas coisas. A primeira é o direito da mulher de poder manter as suas propriedades mesmo após o casamento, sem, todavia, repelir a comunhão de bens, desde que seja o reflexo da união sincera de sentimentos entre os cônjuges. A segunda é o direito da mulher de poder exercer as suas faculdades fora do lar. No entanto, há a ressalva de que caso a mulher trabalhe, o trabalho pode ser uma faca de dois gumes: tanto a mulher pode perpetuar a sua sujeição sendo explorada pelo marido, quanto pode receber o seu respeito.

Porém, embora argumente a favor de que as mulheres tenham o direito de trabalhar e exercer quaisquer funções para as quais estejam habilitadas, Mill deixa escapar um vestígio de machismo. Considera que o trabalho pode ser prejudicial à mulher porque além do exercício das suas funções fora do lar, terá de se organizar para realizar as tarefas domésticas (limpeza da casa, educação dos filhos, organização das finanças, etc). Numa defesa igualitária de gênero, o certo seria ir um pouco além e sustentar a divisão não só das despesas, mas também de todas as tarefas domésticas.

No terceiro capítulo, Mill avança a defesa da capacidade das mulheres para desempenharem as mais diversas atividades e ocuparem todos os tipos de cargos, além de defender o sufrágio universal.
Neste capítulo encontra-se o melhor argumento de Mill a favor do sufrágio universal e de outras idéias a favor da igualdade de gênero: o argumento de que apesar das diferenças existentes entre homens e mulheres, não há qualquer diferença suficientemente significativa para impedir o direito legal de voto, o desenvolvimento de quaisquer atividades intelectuais, o exercício das profissões livres e a ocupação de cargos públicos. Mill observa que até o seu tempo, nas raras oportunidades que as mulheres tiveram para exercerem essas atividades, como no caso do governo de estados por rainhas, demonstraram ser capazes de fazê-lo eficientemente.

Ainda no terceiro capítulo Mill defende a importância da educação, principalmente para o aprimoramento intelectual das mulheres. A falta de originalidade de que elas são acusadas deve-se ao fato de por muito tempo a maioria não ter sido tão instruída nas diversas áreas do conhecimento quanto os homens. Por conseguinte, demorariam mais tempo a produzir grandes obras, e a princípio tenderiam a copiar o que lhe foi apresentado, isto é, fariam arte, ciência, filosofia, entre outras atividades, imitando os homens.

O quarto e último capítulo é dedicado a demonstrar quais seriam os benefícios da vivência efetiva da igualdade de gênero, dos quais três podem ser destacados como os mais importantes. O primeiro seria viver mais de perto a justiça, uma vez que haveria igualdade de oportunidades e de condições de tratamento entre ambos os sexos. O segundo seria o aumento do número de pessoas atuando em prol do progresso da humanidade, já que ao excluir as mulheres das mais diversas atividades, metade da humanidade estaria excluída de pensar e trabalhar em prol desse progresso. O terceiro seria melhorar a qualidade da influência feminina sobre os homens. Mill pensa que a mulher, apesar de subjugada, sempre influenciou o homem, seja como mãe que orienta o filho a pensar e a comportar-se de determinado modo, seja como esposa que incita ou arrefece os ânimos dos maridos para agirem desta ou daquela maneira. Na medida em que puderem ser mais esclarecidas e livres, esta influência será qualitativamente melhor.

Mill combate a idéia tão disseminada nos dias de hoje de que “os opostos se atraem”. O casamento é uma união, e como tal dificilmente comporta grandes discrepâncias de interesses. Mesmo que a diferença atraia, a semelhança é o que retém (p. 207). Logo, para que os interesses sejam semelhantes e um cônjuge possa “reter” e não subjugar o outro, não pode haver desigualdade entre homens e mulheres.

Nas páginas finais o autor faz um breve elogio da liberdade como ingrediente imprescindível da vida feliz e sustenta que, à parte os benefícios citados, o benefício mais direto da igualdade de gênero seria o aumento da felicidade individual das mulheres, consequência da sua libertação.

Algumas ou talvez muitas das idéias igualitárias de Mill defendidas nesse livro precisam de pormenorização e de aperfeiçoamento. Apesar disso e mesmo sendo um homem do século XIX, Mill sustenta um feminismo genuíno, revelado por alguns dos seus argumentos.

A defesa de Mill é muito diferente do feminismo caricato e tolo que coloca homens e mulheres em posições antagônicas, apregoa a superioridade feminina à masculina como resposta ao machismo, masculiniza as mulheres, extrapola os direitos femininos, chegando ao ponto de afirmar que há diferenças cognitivas intrínsecas entre os sexos. Nesse sentido, Mill encontra-se à frente de muitas feministas contemporâneas, pois não defende que a diferença entre os sexos seja intrínseca ou suficientemente profunda para determinar o que homens e mulheres podem ser e que valores podem ou não escolher.

Muitas das críticas de Mill parecem fazer pouco sentido hoje em dia, já que atualmente é comum que a mulher vote, trabalhe, estude, escolha livremente seu estado civil, etc. Tudo isto mostra as inúmeras conquistas das mulheres desde a época de Mill — conquistas que em parte se devem a defesas como a de Mill. Todavia, em vários países, como o Afeganistão, as condições de vida das mulheres são ainda piores do que a das mulheres inglesas do século XIX. Na Somália e noutros países africanos a mutilação dos genitais femininos ainda é prática comum. E mesmo em países como o Brasil, ações como a implantação da lei brasileira 11340/06 (Lei Maria da Penha) ainda são necessárias e nem sempre eficazes para coibir a violência doméstica. Por isso, defesas do feminismo como a de Mill ainda são indispensáveis.


Fernanda Belo Gontijo
Universidade Federal de Ouro Preto

[Postagem original - http://criticanarede.com/mulheres.html]

9 de Março de 2010 ⋅ Filosofia política

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Sunday, November 11, 2012

REPÚDIO À FEMEN

 Não gosto da FEMEN, ela não me representa e não acho que seja uma organização feminista legítima.

Mas agora foram além e decidiram 'protestar' vandalizando uma Loja Marisa por causa de um comercial de mau gosto. De fato, eu mesma não gostei do comercial, mas protestar de forma educada é o mínimo que se exige de pessoas civilizadas. 


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Garotas do Femen quebram Loja Marisa em BH contra comercial

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Então aqui está o meu repúdio a esse tipo de ato. Definitivamente
  NÃO SOU FEMEN!


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