Realisticamente falando, não é possível amar a humanidade toda. Não é possível nem mesmo amar a população de uma cidade. Os seres humanos são capazes de amar, num sentido mais amplo, um grupo de 150 a 200 pessoas com quem tem laços afetivos em algum grau, desde amizade e família, a um envolvimento romântico. Amor é um sentimento, portanto não temos muito controle sobre ele. O amor também é algo bem difícil de definir, as pessoas usam o termo para justificar às vezes comportamentos bem estranhos. Alguns são capazes até de matar em nome do "amor".
Por outro lado, eu nunca vi alguém matar ou se comportar de forma irracional em nome do respeito. Respeito é uma atitude que podemos decidir assumir de forma controlada de consciente.
Cheguei à conclusão há muito tempo de que para fins de convívio em sociedade, o respeito é infinitamente superior ao amor. O amor desgasta, o amor exige muito de nós, só conseguimos amar de verdade um número bem pequeno de pessoas.
Respeito podemos ter por qualquer pessoa, mesmo que seja apenas no sentido de respeitar a sua integridade física.
Um "Respeitai-vos uns aos outros" na hora certa e no lugar certo teria evitado muitas tragédias.
Sunday, December 13, 2009
Thursday, December 3, 2009
Entrevista ateista
Saiu no blog ATEU ATIVO de Walison Douglas, uma entrevista feita por ele ontem. Os entrevistados foram eu, o Vides Junior e Marcelo Ronconi.
Confira no link:
Entrevista ateista
Achei as perguntas bem escolhidas, e gostei de participar.
************************************
A propósito, lembrei de uma outra entrevista em uma comunidade do Orkut. Organizei tudo no meu Multiply, aqui está na íntegra:
Entrevista na comunidade A&A, em julho de 2008
Confira no link:
Entrevista ateista
Achei as perguntas bem escolhidas, e gostei de participar.
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A propósito, lembrei de uma outra entrevista em uma comunidade do Orkut. Organizei tudo no meu Multiply, aqui está na íntegra:
Entrevista na comunidade A&A, em julho de 2008
Wednesday, December 2, 2009
Eu não acredito em futebol!
Estou brincando, claro, mas não deixa de ter um fundo de verdade. Futebol só existe como atividade, mas muita gente leva a sério demais. No jornal Zero Hora de hoje tem uma crônica de Martha Medeiros que me chamou atenção. O título é "Os meio honestos", e vou transcrever algumas partes que achei interessantes:
Eu costumo dizer que nenhuma causa vale o sacrifício de uma vida sequer, porque as pessoas e suas vidas deviam estar acima de qualquer abstração. O futebol não deixa de ser uma abstração, porque não existe uma entidade física chamada "futebol". Mesmo assim tem gente que é capaz de matar os torcedores de outro time.
Vá entender...
"Rivalidade tem limite. Pode ser algo divertido e infantil, no que a infantilidade tem de melhor, que é o nosso resgate dos tempos do colégio, das gincanas, das turmas de rua. Natural que, mesmo crescidos, o espírito de disputa permaneça, que se diga “bem feito” quando o lado de lá perde, que se toquem flautas, que se soltem foguetes quando nosso adversário leva um gol. Coisa de piá.
O limite da rivalidade é extrapolado quando deixamos de ser gremistas ou colorados para virar um tipo de torcedor mais agressivo: aquele que é, antes de tudo, antigremista ou anticolorado, e que torce mesmo é pela humilhação do oponente em qualquer circunstância. É o lado perverso da infantilidade: são homens e mulheres que não conseguiram transpor os ritos de passagem, não suportam se sentir inferiores e confundem o futebol com uma espécie de religião. Aí deixam de pensar."
Eu costumo dizer que nenhuma causa vale o sacrifício de uma vida sequer, porque as pessoas e suas vidas deviam estar acima de qualquer abstração. O futebol não deixa de ser uma abstração, porque não existe uma entidade física chamada "futebol". Mesmo assim tem gente que é capaz de matar os torcedores de outro time.
Vá entender...
Saturday, November 28, 2009
Eu comemoro o Natal!
Muitos ateus acham que não devem comemorar o Natal por "princípio", como se fosse errado de alguma forma. Eu considero isso um equívoco.
Meus pais eram ateus, mas comemoravam o Natal. O Natal na Escandinávia deriva da antiga festa pagã Yule (Jul, em sueco), que era a festa do Solstício de Inverno. Comemora-se o retorno do Sol, é uma festa de Luz, por isso as velas e o brilho. No início não tinha conotação cristã, e pode-se dizer que a maioria das pessoas hoje não comemora o Natal com esse sentido. É uma tradição que faz parte da nossa cultura, é uma época em que as familias se reúnem e se divertem.
Eu gosto desde a decoração da casa, montar o pinheiro, criar o clima com luz suave, velas acesas e música apropriada. Tudo isso me traz uma sensação de bem estar, de tranquilidade e eu não desistiria disso de forma nenhuma.
Descobri inclusive que o próprio Richard Dawkins comemora o Natal e defende o costume. Não que eu fosse agir diferente se ele não pensasse assim, mas gostei de saber.
É claro que existem muitos que não trazem essa tradição de casa, e não gostam do Natal. Tudo bem, ninguém é obrigado. Apenas acho que atualmente podemos atribuir o sentido que quisermos a essas festividades, cada um que faça o que lhe dá prazer.
GOD JUL a todos!!
Meus pais eram ateus, mas comemoravam o Natal. O Natal na Escandinávia deriva da antiga festa pagã Yule (Jul, em sueco), que era a festa do Solstício de Inverno. Comemora-se o retorno do Sol, é uma festa de Luz, por isso as velas e o brilho. No início não tinha conotação cristã, e pode-se dizer que a maioria das pessoas hoje não comemora o Natal com esse sentido. É uma tradição que faz parte da nossa cultura, é uma época em que as familias se reúnem e se divertem.
Eu gosto desde a decoração da casa, montar o pinheiro, criar o clima com luz suave, velas acesas e música apropriada. Tudo isso me traz uma sensação de bem estar, de tranquilidade e eu não desistiria disso de forma nenhuma.
Descobri inclusive que o próprio Richard Dawkins comemora o Natal e defende o costume. Não que eu fosse agir diferente se ele não pensasse assim, mas gostei de saber.
É claro que existem muitos que não trazem essa tradição de casa, e não gostam do Natal. Tudo bem, ninguém é obrigado. Apenas acho que atualmente podemos atribuir o sentido que quisermos a essas festividades, cada um que faça o que lhe dá prazer.
GOD JUL a todos!!
Sunday, November 22, 2009
Zeitgeist: A Verdade sobre o "Espirito dos Tempos" [ou "Não basta ser ateu, tem que ser cético"]
Na minha postagem anterior eu prometi retornar ao assunto, mas em um contexto mais específico.
Eu disse que não é preciso ser ateu para ser cético e mostrei situações corriqueiras que demonstram isso. O comentário do Érick complementou bem a questão, falando em como a maioria dos católicos questiona as regras impostas pela ICAR.
Por outro lado, nem sempre um ateu é automaticamente cético. A popularidade do Zeitgeist é um ótimo exemplo. Não vou me estender na explicação ou crítica aqui, porque José Geraldo já fez isso com muita maestria em uma comunidade no Orkut. Vou colocar o link aqui , [OBS: a postagem sumiu desde então, porque o autor deletou o seu perfil] e vou tirar do texto dele algumas citações.
Recomendo que leiam todo o texto para entender melhor todo o contexto. Pessoalmente tenho a comentar que todos nós, ateus ou não, temos que tomar muito cuidado com o que aceitamos como verdade, principalmente se o desejo de acreditar é muito forte.
Só porque alguém diz o que queremos ouvir, não é garantia nenhuma de que tudo que a pessoa diz seja verdade. Temos que verificar as informações, os fatos, as fontes e a intenção da pessoa. Se não fizermos isso corremos o risco de ser enganados.
Tem um outro tópico no Orkut, mais extenso, que traz alguns argumentos mais detalhados. Está na comunidade da STR. [OBS: essa postagem também está truncada pelo fato do autor original ter deletado o seu perfil]
Vou reproduzir aqui apenas a parte que se refere às incorreções com relação a Horus:
Só por aqui já dá para ver que o filme não merece credibilidade.
Como eu disso no começo: "Não basta ser ateu, tem que ser cético"
Eu disse que não é preciso ser ateu para ser cético e mostrei situações corriqueiras que demonstram isso. O comentário do Érick complementou bem a questão, falando em como a maioria dos católicos questiona as regras impostas pela ICAR.
Por outro lado, nem sempre um ateu é automaticamente cético. A popularidade do Zeitgeist é um ótimo exemplo. Não vou me estender na explicação ou crítica aqui, porque José Geraldo já fez isso com muita maestria em uma comunidade no Orkut. Vou colocar o link aqui , [OBS: a postagem sumiu desde então, porque o autor deletou o seu perfil] e vou tirar do texto dele algumas citações.
"Os primeiros $45$ minutos de Zeitgeist tentam explicar de forma detalhada que Jesus é um mito e o Cristianismo é uma farsa. Esta tese não é difícil de argumentar, havendo uma volumosa e inquestionável biblioteca de escritos e pesquisas das mais diversas disciplinas humanas que pode ser usada para sustentá-la. Causa-me profunda estranheza, então, que o filme pretenda defendê-la com base justamente em informações falsas, comparações anacrônicas, associações forçadas, explicações que não fazem sentido algum ou que, quando fazem, estão contaminadas na fonte pelo vício dos dados incorretos."
"Em seguida o filme se dedica a "desconstruir" as explicações oficiais sobre os atentados de 11 de setembro, recorrendo a teorias conspiratórias. De que maneira este assunto está interligado ao primeiro é algo que, inicialmente, o público de Zeitgeist demora a digerir. Mas, de alguma forma, apesar da estranheza das teorias de conspiração nesse ponto, os neo-ateus engolem esta parte, mesmo meio a contragosto, porque de bom grado consumiram a primeira. O fato de que algumas pessoas que se identificam como "engenheiros" darem depoimentos sobre como o WTC deveria ter caído é suficiente para emprestar credibilidade à tese de que os aviões foram apenas uma desculpa, de que o acontecido foi uma demolição controlada, que tudo foi um ``trabalho interno'' em nome de algum interesse escuso."
"Quando chegamos à terceira parte o filme já se tornou cansativo e os argumentos estão cada vez mais confusos e menos afirmativos. Fica-se com a impressão de que ``tudo'' faz parte de um Grande Plano executado por Certas Pessoas que têm o poder dos Estados em suas mãos e que trabalham para construir uma Nova Ordem Mundial, sabe-se lá com que interesses."
"Só porque Zeitgeist parte de uma idéia que agrada ao grosso dos ateus/agnósticos/céticos/libertários (negação da divindade de Jesus), ele atrai simpatizantes para outras idéias, estranhas à proposta inicial, mas que, estranhamente, parecem as idéias dos que mais ferrenhamente defendem a divindade de Jesus: A serpente morde o próprio rabo."
"Zeitgeist reaparece a cada semana na internet, há quase três anos. Nenhum filme realmente bom sobre a História jamais teve esta atenção. Para mim está muito claro o que ele é. Mas não é fácil convencer disso facilmente o público cativo que ele angariou porque quem é submetido pela lavagem cerebral se torna um fanático por ela. É por isso que não adianta ser ateu se você não é cético de verdade e se não tem bons conhecimentos para defendê-lo de manipulações como essa."
Recomendo que leiam todo o texto para entender melhor todo o contexto. Pessoalmente tenho a comentar que todos nós, ateus ou não, temos que tomar muito cuidado com o que aceitamos como verdade, principalmente se o desejo de acreditar é muito forte.
Só porque alguém diz o que queremos ouvir, não é garantia nenhuma de que tudo que a pessoa diz seja verdade. Temos que verificar as informações, os fatos, as fontes e a intenção da pessoa. Se não fizermos isso corremos o risco de ser enganados.
Tem um outro tópico no Orkut, mais extenso, que traz alguns argumentos mais detalhados. Está na comunidade da STR. [OBS: essa postagem também está truncada pelo fato do autor original ter deletado o seu perfil]
Vou reproduzir aqui apenas a parte que se refere às incorreções com relação a Horus:
"Em relação à parte sobre Jesus, vou citar apenas doze boçalidades retiradas de meros dois minutos do filme:
1. Hórus era o deus egípcio do Sol (16:00) ― na verdade Hórus é o deus celestial, filho de Osíris e Ísis (deuses relacionados a cultos de fertilidade). Os egípcios acreditavam que o Sol era UM DE SEUS OLHOS e a Lua o outro.
2. Seth personificava a escuridão e a noite (16:20) ― na verdade Seth representava a ausência de vida, o deserto; mas também das tempestades, das desgraças e do caos. A luta de Set contra Hórus representa a luta da humanidade e suas forças criadoras contra a hostilidade e a esterilidade de uma natureza cruel.
3. Hórus nasceu em 25 de dezembro (17:00) ― não existem referências sobre a data de nascimento de Hórus.
4. Hórus nasceu de uma virgem (17:00) ― embora haja uma versão de sua lenda que mencione ter sido concebido quando seus pais ainda estavam no útero materno, a versão mais comum é a de que Ísis o concebeu ao praticar necrofilia com o cadáver de Osíris, por ela restaurado através de artes mágicas. Na época da concepção Osíris e Ísia haviam sido marido e mulher por muito tempo.
5. O nascimento de Hórus foi acompanhado pelo aparecimento de uma estrela no leste (17:00) ― o nascimento de Hórus foi anterior à criação do mundo. Portanto, não havia “leste” onde pudesse aparecer uma estrela.
6. Hórus foi adorado por três reis (17:10) ― tendo nascido antes da criação do mundo, não havia reis para adorá-lo. De qualquer forma, teria sido muito difíceis reis irem ao mundo celestial adorá-lo, visto que Hórus é um ser espiritual ― e não material.
7. Hórus ensinou os mestres aos 12 anos (17:10) ― Hórus permaneceu escondido durante toda sua infância, somente quando se tornou adulto ele se revelou e lutou contra Seth para vingar seu pai, Osíris.
8. Batismo de Hórus aos 30 anos (17:10) ― não há nenhuma referência disso e Hórus não teve um “ministério”, ele se tornou rei após a Assembléia dos Deuses decidir apoiá-lo contra Seth.
9. Hórus tinha 12 discípulos, em cuja companhia perambulava fazendo milagres (17:10) ― Horus não era um curandeiro, mas um deus-rei do mundo celestial.
10. Títulos atribuídos a Hórus (17:25) ― apenas “Luz Celestial” e “Divino Rei” são atestados.
11. Hórus traído por Tifão e crucificado (17:30) ― Tifão era um personagem da mitologia grega e, ainda que mais tarde tivesse sido incorporado ao panteão egípcio, na época mencionada por Zeitgeist (3.000 a.C.) ele era desconhecido no Egito, principalmente porque nessa época os gregos ainda nem haviam chegado à orla do Mediterrâneo. Hórus não foi traído por ninguém, e muito menos crucificado. Ele foi, isto sim, cegado por seu inimigo Seth, e sua derrota causaria o desaparecimento de toda a vida, razão pela qual os deuses o apoiaram contra Seth.
12. Hórus esteve morto por três dias e depois ressuscitou ― Foi Osíris ressuscitou por três dias e depois voltou a estar morto."
Só por aqui já dá para ver que o filme não merece credibilidade.
Como eu disso no começo: "Não basta ser ateu, tem que ser cético"
Saturday, November 21, 2009
Ceticismo para principiantes
Acredito que muito já se falou sobre esse assunto, mas eu ainda tenho a impressão de que a maioria das pessoas não tem uma idéia muito clara do que seja isso.
Dependendo do enfoque, pode parecer muito complicado, ainda mais se vamos para o lado das definições filosóficas, que nunca foi o meu forte.
Então, resolvi tentar simplificar um pouco a questão, para clarear a idéia até para mim mesma. De um ponto de vista prático, ceticismo é o velho e saudável pé atrás, pulga atrás da orelha, o "bom demais para ser verdade", e tantos outros conceitos populares semelhantes. Eu poderia até citar o "quando a esmola é muito grande, o santo desconfia", porque mostra que não é necessário ser ateu para ser cético.
A vasta maioria das pessoas são céticas, dependendo do assunto. Quando vemos uma propagando enaltecendo as qualidades de um produto, ou um político fazendo promessas de campanha, a gente normalmente fica desconfiado. Isso é ceticismo.
Cético não é aquele que desconfia de tudo, não é sinônimo de cinismo ou niilismo. O ceticismo saudável, a que estou me referindo, é a nossa capacidade de detectar o exagero, e o impulso para descobrir mais sobre o assunto, nos informando melhor para ter certeza do que estamos fazendo. Essa é uma atitude sensata, "pé-no-chão", nesse nosso mundo tão cheio de espertalhões tentando nos enrolar para tirar vantagem.
Vou voltar a esse assunto logo mais, em um contexto mais específico.
Dependendo do enfoque, pode parecer muito complicado, ainda mais se vamos para o lado das definições filosóficas, que nunca foi o meu forte.
Então, resolvi tentar simplificar um pouco a questão, para clarear a idéia até para mim mesma. De um ponto de vista prático, ceticismo é o velho e saudável pé atrás, pulga atrás da orelha, o "bom demais para ser verdade", e tantos outros conceitos populares semelhantes. Eu poderia até citar o "quando a esmola é muito grande, o santo desconfia", porque mostra que não é necessário ser ateu para ser cético.
A vasta maioria das pessoas são céticas, dependendo do assunto. Quando vemos uma propagando enaltecendo as qualidades de um produto, ou um político fazendo promessas de campanha, a gente normalmente fica desconfiado. Isso é ceticismo.
Cético não é aquele que desconfia de tudo, não é sinônimo de cinismo ou niilismo. O ceticismo saudável, a que estou me referindo, é a nossa capacidade de detectar o exagero, e o impulso para descobrir mais sobre o assunto, nos informando melhor para ter certeza do que estamos fazendo. Essa é uma atitude sensata, "pé-no-chão", nesse nosso mundo tão cheio de espertalhões tentando nos enrolar para tirar vantagem.
Vou voltar a esse assunto logo mais, em um contexto mais específico.
Saturday, November 14, 2009
Dra. Rita Levi Montalcini
Rita Levi Montalcini
"Ela atravessou um século de conquistas e transformações, de horrores e grandes guerras e amanhã completa cem anos. Rita Levi Montalcini nasceu em 22 de abril de 1909. Médica, professora, prêmio Nobel em 1986 pela descoberta do Nerve Grown Factor.
Sobre ele ela diz: “ Cheguei ao resultado com a sorte e a intuição. Encontrei o NGF porque o procurava com grande convicção. Tinha certeza de que existisse. Aquela descoberta derrubou a ideia que o sistema nervoso fosse estático e programado geneticamente.”
Confessa nunca ter-se apaixonado. “Tive grandes amizades, profundas, mas amores verdadeiros, nunca. Meu pai, um homem vitoriano, achava que eu e minhas irmãs deveríamos ser educadas para sermos mães e esposas. No fim permitiu que freqüentasse a Universidade. Foi uma grande vitória!”
Sobre o mal afirma: “O mal é o desejo excessivo do próprio bem-estar e desinteresse pelo bem comum”.
Sobre o século XX: “ Durante este século tivemos grandes sucessos científicos, sociais e também grandes horrores. “
Sobre racismo e antisemitismo: “ Não é a consequência de um destino genético, mas de desenvolvimentos epigeneticos, culturais. Tudo começa no período formativo, nos primeiros 5 anos de vida da criança, que recebe uma série de ensinamentos e informações do tipo: você é de raça superior (ou inferior), etc… Não existem raças, só racistas. E são estas superstições que podem (como já fizeram) levar a destruição de seis milhões de pessoas. Os seres humanos são influenciados culturalmente. É por isto que o verdadeiro remédio contra o racismo é a educação.” E continua com um paradoxo: “Não podemos nos dar nunca por vencidos. Eu mesma deveria agradecer as leis raciais por terem me rotulado de “raça inferior” e assim ter me obrigado a trabalhar segregada no meu quarto, onde tinha montado um pequeno laboratório e começado as pesquisas que me levaram ao Nobel.”
Sobre sua idade: «Cem anos? É a idade ideal para fazer descobertas. Nunca aposente seu cérebro. Eu trabalho dia e noite com uma equipe extraordinária. No European Brain Research Institute (EBRI), eu e meus jovens colaboradores estamos aprofundando os estudos sobre o NGF que acompanha o desenvolvimento do ser humano do período pré-natal até a velhice. Estes trabalhos poderão ser úteis para combater as doenças neurodegenerativas e desenvolver um fármaco contra o mal de Alzheimer».
Rita Levi Montalcini sorri e comenta: «O segreto da minha vitalidade é que eu vivo continuamente ocupada na pesquisa científica e nos problemas sociais. Não tenho tempo de pensar em mim mesma.”
"Ela atravessou um século de conquistas e transformações, de horrores e grandes guerras e amanhã completa cem anos. Rita Levi Montalcini nasceu em 22 de abril de 1909. Médica, professora, prêmio Nobel em 1986 pela descoberta do Nerve Grown Factor.
Sobre ele ela diz: “ Cheguei ao resultado com a sorte e a intuição. Encontrei o NGF porque o procurava com grande convicção. Tinha certeza de que existisse. Aquela descoberta derrubou a ideia que o sistema nervoso fosse estático e programado geneticamente.”
Confessa nunca ter-se apaixonado. “Tive grandes amizades, profundas, mas amores verdadeiros, nunca. Meu pai, um homem vitoriano, achava que eu e minhas irmãs deveríamos ser educadas para sermos mães e esposas. No fim permitiu que freqüentasse a Universidade. Foi uma grande vitória!”
Sobre o mal afirma: “O mal é o desejo excessivo do próprio bem-estar e desinteresse pelo bem comum”.
Sobre o século XX: “ Durante este século tivemos grandes sucessos científicos, sociais e também grandes horrores. “
Sobre racismo e antisemitismo: “ Não é a consequência de um destino genético, mas de desenvolvimentos epigeneticos, culturais. Tudo começa no período formativo, nos primeiros 5 anos de vida da criança, que recebe uma série de ensinamentos e informações do tipo: você é de raça superior (ou inferior), etc… Não existem raças, só racistas. E são estas superstições que podem (como já fizeram) levar a destruição de seis milhões de pessoas. Os seres humanos são influenciados culturalmente. É por isto que o verdadeiro remédio contra o racismo é a educação.” E continua com um paradoxo: “Não podemos nos dar nunca por vencidos. Eu mesma deveria agradecer as leis raciais por terem me rotulado de “raça inferior” e assim ter me obrigado a trabalhar segregada no meu quarto, onde tinha montado um pequeno laboratório e começado as pesquisas que me levaram ao Nobel.”
Sobre sua idade: «Cem anos? É a idade ideal para fazer descobertas. Nunca aposente seu cérebro. Eu trabalho dia e noite com uma equipe extraordinária. No European Brain Research Institute (EBRI), eu e meus jovens colaboradores estamos aprofundando os estudos sobre o NGF que acompanha o desenvolvimento do ser humano do período pré-natal até a velhice. Estes trabalhos poderão ser úteis para combater as doenças neurodegenerativas e desenvolver um fármaco contra o mal de Alzheimer».
Rita Levi Montalcini sorri e comenta: «O segreto da minha vitalidade é que eu vivo continuamente ocupada na pesquisa científica e nos problemas sociais. Não tenho tempo de pensar em mim mesma.”
Dra. Rita Levi Montalcini
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