Wednesday, August 21, 2013

Guest post - As causas da violência contra a mulher

[por Marison Lacerda]







Oportunidade para fazer do meu primeiro post no Facebook algo relevante. Vai ficar extenso, mas acho que devo. Provavelmente não será o típico post de Facebook, mas não quero que a sociedade continue funcionando dessa forma típica que vemos.

Esse número, 7 em 10 mulheres sofrerão alguma violência em suas vidas, assusta demais. Já o conhecia, mas vendo essa imagem novamente voltei a pensar no quanto gostaria de ter uma garantia que minha esposa estivesse nesses 30%. E minha sobrinha que não tem nem um ano. Minhas mãe, sogra, tias, outra sobrinha, cunhadas, colegas de trabalho...

Infelizmente algumas das mulheres que citei já passaram por isso, já engrossaram a estatística. Nem sempre saberemos, mas seria muito bom que não venham a sofrer nada novamente. A luta continua para todas e por todas. É constante.

O que fazer para diminuir esse número?

Ajudar a reformar a sociedade. Mudar o pensamento. Mulheres não são objetos. Claro, ninguém acha isso, não é?

Quando a única característica de uma cientista que conseguiu um novo tratamento é salientar que ela é bonita (ou feia), você está desvalorizando todas as outras características. A única que se destaca para mim é o fato de ser muito inteligente. O mesmo ocorre para uma contratação baseada apenas na beleza. E existirão mulheres inteligentes e belas assim como existem homens. Não confundam. Só para exemplificar, um grupo de cientistas composto por mulheres curaram um recém-nascido com Aids recentemente.

Podemos perder um objeto. Quando deixamos de ter o convívio com uma mulher por qualquer motivo, não a perdemos da mesma forma. Infelizmente, vários homens sentem assim e matam e ferem ex-mulheres. Ou atuais. Ocorre muito. Devem ser parte bem significativa nessas estatísticas.

Mulheres serem tratadas como vacas ou putas fazendo referência a como se vestem ou se comportam sexualmente é outra faceta dessa forma de pensar que tenta limitar o que uma mulher pode fazer, mas normalmente não se tem uma preocupação similar com os homens. Você só limita (ou deveria), o que é seu. Se você acha que tem direito de fazê-lo com todas mulheres, você está contribuindo para a violência.

Fora que tratar mulheres como descrito acima ainda serve para justificar a violência sexual. É uma vaca mesmo, é feita para isso, está querendo e coisas do tipo, permeiam a mente do pré-estuprador que não precisa ser e quase nunca é uma pessoa doente. Só é muito mal alimentado mentalmente. Pode ser namorado, marido. A mulher pode estar bêbada, desmaiada, sem vontade, ser uma criança ou, mais raro e sempre atormentador, estar andando numa rua qualquer. Não temos o direito de deixar acuadas constantemente metade de nossa população por mantermos ideias preconceituosas.

Toda vez que uma filha é tratada diferente de um filho, que se entende que isso é coisa de mulher ou de homem, que se faz uma piadinha sobre mulher não saber dirigir, loiras serem burras, que ser sensível é coisa de mulher ou qualquer dessas besteiras, estamos caminhando para entender a mulher em nossa sociedade de uma forma diferente, irreal, que serve de justificativa para essa violência e outros tratamentos que sempre a prejudicam. Não apoiem isso. Pense em cada coisa que vão curtir ou compartilhar. Pode parecer engraçado, mas estamos só distribuindo conceitos antigos e sem nenhuma base na realidade, exceto a criada culturalmente, que devem parar por aqui.

E a culpada de um estupro ou violência qualquer nunca é a vítima. Nunca é por serem consideradas bonitas, por como se vestem, por como se comportam. Mulheres vestidas com burcas são estupradas, de vestidos até o pé, até o joelho, de microssaias, de calças jeans. Mulheres que olham para a frente o tempo todo, mulheres que olham para trás para verem se estão sendo seguidas, mulheres que olham para todas pessoas e dão sorrisos. Que não sorriem. Consideradas feias ou bonitas. Nenhuma escapa por nada que possa fazer ou ser. Muito injusto.

Na rua, não ache que é alguma vantagem para uma mulher receber cantadas de todos os desconhecidos. Uma ou outra pode até gostar, pode ajudar em sua autoestima, o que não é errado também, mas a maioria vai se sentir com receio de que numa situação em que um possível agressor pudesse sair impune ou sem um flagrante, ela correria grandes riscos. E corre mesmo, pois os números são altos. Mesmo uma olhada insistente pode ser ruim. E para quê mesmo é isso? Que sentido tem? Você tem o direito de aterrorizar alguém?

Escrevo muito por preocupar demais com minha esposa. Ela está próxima. Convivemos todos os dias um bocado. Ontem não assistimos nada por mais que uns minutos para ajudar a relaxar para dormir. Ficamos discutindo um pouco esse assunto e como sempre foi bom e me inspirou. Quero um mundo mais seguro para ela.

Desejo a todas as pessoas um bom dia para refletir no que desejam para essa mulherada tão legal que existe nesse nosso planeta. No mínimo, todas merecem respeito e não conviverem com o medo constante. — com Gi Lacerda.

Saturday, August 17, 2013

Minha participação no X Seminário LGBT em Brasilia









Em 14 de maio de 2013 aconteceu o X Seminário LGBT promovido pelo Deputado Jean Wyllys. Logo antes da minha fala o Deputado Jean Wyllys anunciou que o CNJ havia regulamentado o casamento igualitário para todo o Brasil. Logo em seguida falei sobre a importância do Estado Laico em relação às liberdades de crença e de direitos individuais.

Mais:
http://ateiadebomhumor.ligahumanista.org/2013/05/x-seminario-nacional-lgbt.html
http://ateiadebomhumor.ligahumanista.org/2013/05/x-seminario-nacional-lgbt-fotos.html
http://ateiadebomhumor.ligahumanista.org/2013/05/jornal-da-camara-de-brasilia.html

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Saturday, August 3, 2013

Desabafo de uma trans*

Acabei de ver isso no Facebook e pedi permissão à autora, Daniela Andrade, para divulgar aqui.

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Tantas pessoas trans* confessam para mim que querem se matar, que estão pensando em suicídio, que chego à conclusão de que talvez não haja uma pessoa trans* que não tenha cogitado essa hipótese ao longo da sua vida.

Os motivos sempre se encontram:

"Meus pais não me aceitam".
"A sociedade não me aceita".
"Eu queria fazer todas as cirurgias para que ninguém descobrisse que sou trans*".
"Eu estou enlouquecendo sem poder me hormonizar".
"Eu não vou conseguir viver essa vida sem essa cirurgia".
"Ninguém vai gostar mesmo de mim, por que eu sou trans*".
"Ninguém vai mesmo se importar se eu me matar, quem se importa para as pessoas trans*?"

Essa semana uma mulher trans* me confessou que não aguentava mais trabalhar onde trabalhava, ela é obrigada a usar o banheiro de deficientes físicos pois as mulheres cis reclamaram da presença dela no banheiro feminino. E outros funcionários perguntam para a chefe dela: "O que essa daí é? Não é mulher por que se parece com homem, mas também não pode ser homem por que homem não tem seios". Fazem piadas, ridicularizam, e ela disse que chegou a um ponto que não aguenta mais. Está entregando os pontos.

Uma outra mulher trans* adolescente me disse que está pensando em suicídio, pois foi proibida de se hormonizar pelos seus pais e sente que não aguentará a vida vendo seu corpo transformar-se em algo que ela não reconhece como seu.

Onde encontrar força com o peso do mundo desabando sobre você? Com toda uma sociedade dizendo que você não tem direito de ser um ser humano? Tratando você como ser abjeto?

Eu já pensei muito em suicídio, a vida toda, tentei também o suicídio o que fez meus pais me levarem (mais uma vez) no macumbeiro, no padre, no psicólogo, no psiquiatra. Uns diziam que era encosto, outros diziam que era frescura, outros diziam que era um trauma, outros diziam que era falta de certa substância no cérebro.

Não era nada disso, era apenas a vontade de continuar a ser eu mesma: negada e repreendida.

Penso em suicídio muitas vezes, da última vez pensei em me jogar da janela do sétimo andar onde eu moro; aí procurei o psiquiatra e zás, empanturrei-me com mais uma marca de mais um antidepressivo e mais outro ansiolítico. Parece que para eles tudo se resolve com medicação. A realidade é muito opressiva? Temos a droga certa para resolver isso.

De vez em sempre não sinto vontade de sair de casa, nem para ir para mais uma entrevista de emprego onde sei que o fato de eu ser trans* vai pesar consideravelmente - e na maioria dos casos, fator impeditivo. Não dá para negar isso quando vejo homens cis na mesma área e cargo desempregarem-se hoje e encontrarem uma vaga amanhã nessa área em que estou, mesmo com menos currículo. A falta de vontade é por saber que não haverá surpresas, a transfobia está em toda parte e é sempre preciso fingir ou encontrar outros artifícios para tentar fugir ou enfentrar.

Com o tempo passei a fazer adaptações: andar com fone de ouvido para não precisar ouvir as piadinhas e os traquejos transfóbicos da claque: "olha o traveco", "isso aí é mulher ou homem?" e óculos escuro para lidar melhor com os olhares inquisidores e acusatórios. Muitos não conseguem disfarçar do incômodo que é para eles estarem respirando o mesmo ar de uma pessoa trans* em um mesmo espaço. Algumas vezes cheguei a usar óculos escuro até à noite - deveriam pensar que eu estava muito louca de droga. Mas aí o óculos quebrou e não quis comprar outro, passei a fingir que as pessoas não me olhavam, mas se o olhar se fixava, encarava. E não são poucas! É preciso uma coragem hercúlea de quem sai pronta para enfrentar o exército transfóbico.

Às vezes, pensar em suicídio é como uma brisa, uma terapia para os dias mais difíceis. E não recrimino o suicídio em si, pois acho que o suicídio é também uma coerção social, como analisou Durkheim em sua obra sobre esse fenômeno. Como não pensar em suicídio quando a sociedade está o tempo todo colocando em xeque o seu gênero, a sua humanidade? Como não pensar em suicídio sabendo que as mais simples tarefas para as demais pessoas, como por exemplo, esperar ser tratado pelo nome que você diz que é seu, se torna um fardo quando você é trans*? Como não pensar em suicídio vivendo em uma sociedade que genitaliza as pessoas e transforma homens em pênis e mulheres em vaginas?

Não dá para não pensar e proibir as pessoas trans* de fazê-lo - e, sequer, é uma surpresa pra mim quando mais uma pessoa trans* me diz que está pensando em se matar. Como não se matar quando tantas vezes você de fato já está morta, vivendo uma vida em que todos olham através de você, fazendo o máximo possível para fingir que você não existe, repudiando a sua identidade, negligenciando seus direitos e simplesmente não falando sobre as opressões cissexistas tão enormes contra as pessoas trans*? Como não pensar em suicídio quando parece que não há para onde você virar ou onde buscar ajuda para que consiga se entender, e onde possa obter empatia - a mesma que todo ser humano precisa. Onde não seja recriminada, onde seja acolhida, onde parem de questionar por que você se diz ser isso ou aquilo.

Pensar em suicídio faz parte da vida de muitas pessoas trans*, muitas realmente o levam a cabo, nos EUA 42% das pessoas trans* já tentaram o suicídio. No Brasil não sabemos, não há quaisquer dados sobre a população trans*, o IBGE perguntou em sua pesquisa sobre pessoas homossexuais na casa, mas nenhuma pergunta sobre pessoas trans*, somos invisíveis para o governo, para a sociedade: nossos suicídios também são invisíveis, sobretudo os diários, que nos matam à conta-gotas, diariamente.
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Até quando essa insensibilidade para com quem é trans*? 
Cadê a compaixão?


Wednesday, July 24, 2013

Guest post - Desafio lançado: Como seu preconceito digere essa?

[por Marison Lacerda]






Katie é uma mulher que possui os cromossomos sexuais X e Y, como um homem típico teria. A aparência é feminina pois parte do seu desenvolvimento durante a gestação não ocorreu. Todo feto de homem é indistinguível de uma mulher no início da gravidez. Lá pela 7ª semana que começa a se diferenciar, mas externamente não se notará nada até depois da 10ª semana. Homens adultos que se desenvolveram normalmente possuem vestígios de útero e vagina.

"Para mim ela é homem então, não adianta parecer mulher, por que você está falando que ela é mulher?"

Porque é assim que ela se sente. É como ela se identifica. O mais importante é sempre respeitar a vontade da pessoa. A aparência é secundária. Se ela parecesse homem e se sentisse mulher, deveria ser tratada como mulher. Faça assim que não erra, a menos que a pessoa peça para ser tratada de forma diferente.

A sociedade funciona muito baseada em classificar pessoas, situações, comportamentos, objetos. Fica mais fácil para vender ideias, para controlar, para manter a ordem que beneficia uns poucos e prejudica muita gente. Você não precisa ser assim. Não precisa ter só duas caixinhas com uma etiqueta marcada com o texto "homem" numa e noutra "mulher" e tentar encaixar cada pessoa que conhece em uma caixinha dessas.

Besteira isso. As pessoas são muito mais únicas e precisam ser tratadas de forma única também. É melhor para todo mundo, inclusive para você que pode não se sentir diferente da Katie, e se a indústria, o marketing, os governantes e outros grupos que usam disso se ajustarem, será bom para toda a espécie humana.

"E se a pessoa resolveu se diferenciar depois de nascida, maquiando, vestindo saia, falando fino forçado? Acho feio, não gosto."

Não gosta por que? Provavelmente não te afeta em nada, exceto talvez por não ser fácil colocá-la numa das duas caixinhas que descrevi acima. Liberte-se dessa necessidade e pare de associar quem faz isso com coisas negativas. A pessoa pode ser motivada por se sentir mais mulher, ou mais homem, que sua aparência indica. Pode ter outro motivo. Respeite-a assim mesmo e trate-a bem que você não erra.

"E se for pior ainda, ela fizer uma cirurgia para mudar de sexo e até tomar hormônio?"

Mesma ideia. Ela está fazendo o que está a seu alcance para ficar mais parecida com a forma como se identifica. Em essência ela pode estar fazendo isso apenas para se sentir melhor consigo mesma. Não é possível uma diferença no desenvolvimento uterino mudar uma aparência que estaria "escrita nos genes". E se a pessoa tem essa aparência "escrita", mas não se identifica com ela. Não seria uma opção para ela mudar?

"Estou até concordando com tudo isso. Sou besta mesmo de ter pensado de outra forma. Existem outras diferenças que dificultam ainda mais usar só duas caixinhas para tratar gênero?"

Claro que tem. Uma coisa é o par de cromossomos sexuais que uma pessoa tem, outra como ela se identifica e ainda temos a questão de como é a aparência que possui atualmente que pode querer ou não mudar.

Por outro lado, tem uma outra bem importante, provavelmente mais comum, mas que merece respeito da mesma forma. O interesse sexual também pode variar muito. Ela pode se interessar por pessoas do mesmo sexo, de sexos diferentes, ser do tipo "tanto faz" e pode até não se interessar nada ou muito pouco por sexo. Essas situações são normais, acontecem desde sempre, acontecem com outros animais. Tem animal que até muda de sexo de acordo com a necessidade, não precisa ser tão complicado com o Homo Sapiens só por causa da necessidade de encaixar em poucas caixinhas.

E ainda pode haver combinações dessas várias situações. Uma mulher como a Katie, com cromossomos XY e aparência "feminina", pode gostar de outras mulheres sexualmente. Uma pessoa geneticamente homem, mas transgênero pode se sentir atraído por mulheres, mesmo tendo feito cirurgia e ser reconhecido como uma mulher se olharmos para uma foto.

"Puxa, vou precisar de caixinhas demais para encaixar essas variações todas, não?"

Pare de encaixar então. Simples assim. Se você considerar que nem gêmeos idênticos geneticamente são iguais, que há etapas do desenvolvimento uterino e principalmente coisas que acontecem depois que podem mudar muito como a pessoa enxerga o mundo, precisamos mesmo é de uma caixinha para cada pessoa. Ou então coloque todo as pessoas independente do sexo numa caixinha só marcada de "humano". E o mais importante, trate-os todos de forma igual. Ainda melhor, não precisamos de caixinhas.

Desejo que essa história do link e o restante do texto dê um nó no cérebro dos preconceituosos. Depois, aos poucos, esse nó pode ir sendo desfeito e com ele parte ou todo o preconceito acumulado até aqui.

Não precisa mudar hoje totalmente, ser uma pessoa sem preconceito nenhum já, mas pelo menos não transpareça mais seu preconceito, não aja em função dele, não prejudique ou ofenda ninguém mais. Ele ficar aí dentro de você vai ser danoso só para você, mas é melhor que assim seja pois ninguém mais deve sofrer por isso.

Ainda que ser preconceituoso esteja ligado a baixo QI como já postei antes, não tenho preconceito contra você e acredito mesmo que possa mudar. O motivo do seu preconceito pode ser outro. Podemos ser preconceituosos por assim o serem nossos pais, os grupos que participamos, o que recebemos de informação da mídia. Mudei muito ao longo da vida nesse aspecto e continuo mudando. Todos podem.

Tentar classificar as pessoas pelo sexo, cor, condição econômica e social, aparência física, o que acredita ou não acredita só serve para fazer vários grupos sofrerem. Podemos achar que estamos num grupo favorecido e achar isso uma vantagem, mas para um determinado grupo sempre podemos ser considerados inferiores, errados, que fazemos coisas feias. Vamos parar com isso. Não ajude a construir o que pode te prejudicar no futuro.

Usar termos como "aparência feminina" pode inclusive ser considerado desrespeitoso, pois muito do aparência feminina (ou masculina) vem da forma como a sociedade entende a mulher. E isso muda a cada cultura. Homens vestem saias, maquiam, usam vestidos em culturas diferentes da nossa. Ser musculoso não é característica masculina, é apenas característica de quem faz muitos exercícios físicos, podendo ser geneticamente homem ou mulher. É possivelmente mais comum termos homens musculosos pois homens são colocados na caixinha dos agressivos e fortes e mulheres na das sensíveis e fracas. Isso os molda para procurar profissões e forma de vida que os levem a ficarem musculosos, mas isso não vale para todo mundo. Eu sou um banana, sensível, fraco e sem músculos! E estou feliz assim como minha esposa está. Percebam o quanto é melhor não tentar encaixar ninguém em uma classificação?

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Link para a notícia -
http://saude.ig.com.br/minhasaude/americana-descobre-que-geneticamente-e-um-homem/n1597272252864.html

 
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no Facebook - https://www.facebook.com/photo.php?fbid=497489773660846&set=a.439811626095328.1073741826.100001994823142&type=1

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Thursday, July 18, 2013

Pelo direito de NÃO ter filhos

Há tempos que vejo isso sendo discutido, e sempre vejo as reclamações dos que não querem ter filhos por causa da pressão familiar e social por causa disso. Hoje me deparei com um desabafo muito contundente, e achei uma boa ideia divulgar. Foi postado no Facebook por Marison Lacerda.





Não querer filhos, espermograma solidário, câncer de próstata e respeitar as diferenças







Giselle e eu nunca quisemos ter filhos. Gostamos de crianças, crianças gostam de nós, tratamos bem, mas nunca de fato tivemos vontade.

Entendemos bem o que significa ser pai ou mãe, sabemos que há coisas boas e ruins no meio, não temos medo de desafio. Só não temos é interesse mesmo.

Só que isso é constantemente cobrado por familiares, amigos, colegas de trabalho e ultimamente, médicos. Mesmo que não venhamos a mudar pela vontade alheia, ainda é um pouco chato escutar algumas coisas de tempos em tempos e ainda pior quando o modo de pensar dos outros impede que façamos algo que julgamos importante para nós.

Uma das cobranças mais pesadas das recentes foi a Giselle escutar que está doente pois não cumpriu com o papel de mulher que é ser mãe. Além de desagradável, desnecessário, não solicitado, e preconceituoso, é machista.

Há um ano e meio Giselle descobriu que tem esse problema de saúde. Passamos por diversos médicos, uns 5. Ninguém a quis operar e as únicas propostas de tratamento foram coisas como "vá levando a dor e os efeitos colaterais" ou "vamos trocar seu anticoncepcional que deve melhorar um pouquinho". E foi só um pouquinho mesmo. Uma das ginecologistas ainda a tratou como um nada pela possibilidade de não ter filhos. Como se a invalidasse como um ser humano. Felizmente, meio que por instinto, a primeira coisa que falei depois dela comentar do diagnóstico foi que é muito mais que a possibilidade de ser mãe. E é mesmo: é uma profissional competente, se formou com bastante mérito e esforço, é uma excelente filha além de ser uma pessoa maravilhosa que me faz querer ser melhor para merecê-la pelo máximo de tempo. Foram algumas das coisas que apontei. Felizmente ajudou um pouco a ela se recompor.

Fui recentemente ao urologista para fazer o preventivo de câncer de próstata. Não tinha certeza de quando era indicado, já havia ouvido falar que é a partir dos 35 e de muitos que dos 40 anos, mas como um tio teve recentemente e passou pelas dificuldades típicas do tratamento, preferi não arriscar e fui fazer com 38. O médico mesmo falou que operou um paciente com 34 anos, mas todos os homens da família, incluindo filhos mais velhos, tiveram câncer. De qualquer forma, façam o exame quando fizerem 40, parem de achar que afeta a sexualidade e temer algo tão besta, tão rápido.

O urologista perguntou se tinha e se queria ter filhos. Respondi não para ambas, ele não concordou, mas não insistiu muito. Ao propor os exames, disse que normalmente indica um espermograma numa primeira consulta. Falei que não era necessário, mas poucos segundos depois voltei atrás e falei que faria. Pensei que se por acaso fosse infértil, facilitaria todas as decisões em relação ao tratamento da Giselle um bocado. Teríamos mais argumentos para combater o grande receio dos médicos em fazer uma cirurgia que possa afetar a fertilidade. Fora que a cobrança não cairia apenas sobre a minha esposa. Mulheres sofrem ainda mais com isso, como se não fossem necessário ambos sexos para uma gravidez e como se os homens fossem sempre férteis. Descobri que sou estéril. Mais que isso, sou surround 5.1!

Felizmente, o meu PSA está bem baixo e não tenho câncer de próstata. A questão da minha infertilidade não tem importância alguma, exceto por agora minha esposa não ser automaticamente culpada sozinha por não termos filhos.

Na sexta, Giselle vai passar por cirurgia incapacitando-a de ter filhos também. Para mim, a única coisa importante é ela sair melhor do que está agora. Parar de sentir dor a todo momento, ter mais ânimo para viver, dormir melhor, se livrar de vários dos efeitos colaterais que possui pelo tratamento que vem fazendo.

Portanto, decidimos expor nossa vida aqui para que as pessoas entendam que não teremos filhos, cessem as cobranças e entendam que estamos bem com essa situação.

Entendemos até as cobranças, somos cobrados normalmente por pessoas que se importam conosco. Sei que podem ser com boa intenção e sabemos que muitas pessoas adoram ter filhos e por isso acreditam que é o melhor para todos. Nunca assumam isso. Não funciona assim e sempre poderá gerar problemas e incomodar os outros.

Respeitar as diferenças é fundamental e inclusive indispensável para a humanidade continuar a se desenvolver. Avançamos muito mais graças a todos que pensaram diferente que por seguirmos regras, leis, dogmas e ideias alheias. A humanidade não será condenada por isso. Sempre teremos novos seres humanos sendo gerados, pois pessoas também pensarão diferente de nós.

E respeito não pode ter pré-requisito. Não deve estar ligado ao fato de você concordar ou não com a pessoa. Respeite pessoas que preferem ficar sozinhos, com parceiros, com vários parceiros, com parceiros de outros sexos. Não importa e provavelmente não afetará sua vida em nada, então aproveite e respeite todos mesmo. Sempre temos algo diferente em nós. Gostaria de ser desrespeitado por ter aquela manchinha que só você tem debaixo do seu queixo?

Podem compartilhar. De repente mais pessoas com decisões parecidas serão respeitadas. Conhecemos pelo menos três casais que decidiram o mesmo e também escutam demais. — com Gi Lacerda.



Saturday, July 13, 2013

Alerta de golpe por celular


Hoje recebi CINCO torpedos informando que eu havia ganhado em uma tal de 'Mega Bolada', na qual nunca me inscrevi. O SMS diz:

” Inf Vivo: Parabens!Voce ganhou R$ 100.mil reais na promocao MEGA BOLADA! Envie.gratis p/6060 ou ligue ja e garanta seu premio p/ 0158581391454 senha:99982″

O número de onde veio o SMS é +5511973924095, parece ser de São Paulo.

Encaminhei para 133028 como recomendado aqui: 
http://www.vivoblog.com.br/alerta-saiba-como-se-proteger-de-sms-falso-enviado-em-nome-da-vivo.html 

Vale o alerta: sempre que algo para 'bom demais para ser verdade', provavelmente é mesmo.

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Thursday, June 6, 2013

Sexo frágil? / Cultura Machista

Hoje saiu na Zero Hora [Opinião ZH, página 16] um excelente artigo de Maria Berenice Dias* , Sexo frágil?


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É chegada a hora
de as mulheres
deixarem de ser
tratadas como
pessoas frágeis que
estão protegidas no
recinto do lar!


" É o que todo mundo diz, que a mulher é o sexo frágil! Talvez porque sua compleição física seja menor. Quem sabe, porque sangra todos os meses e precisa de algum resguardo enquanto grávida. Mas o certo é que foram os homens que criaram este mito. E o pior, as mulheres acreditaram. Afinal, é uma situação de conforto. Dá uma certa tranquilidade ter alguém responsável pela gente. E, se eles são o sexo forte, assumem o dever de cuidar, de proteger. Não é por outro motivo que o homem tem que sempre ser mais: mais velho, mais alto, ganhar mais, tudo sempre mais...

Dessa condição de provedor, de superior, ao sentimento de propriedade, é um passo. Então, ele passa a mandar e ela a obedecer. Tem que se submeter. Ora, é dela a responsabilidade de cuidar da família, dos filhos, da casa. Ela é a rainha do lar!

Será que não está nesta assimetria a origem da violência doméstica? Uma realidade invisível, até o advento da Lei Maria da Penha. Ela chegou desacreditada, mas acabou empoderando as mulheres, que passaram a não mais se submeter ao jugo masculino. Começaram a ter coragem de denunciar, da buscar a proteção legal.

Pela vez primeira, passou a ser quantificada a violência contra as mulheres, e os números se revelaram assustadores. Com certeza não existe lei que tenha uma efetividade mais imediata. Concede medidas protetivas e autoriza a prisão de quem as desobedece.

Só que nem a Justiça, nem os poderes públicos estão conseguindo dar conta desta realidade. Basta atentar que, em oito dias, seis mulheres foram mortas.
Mas o mais surpreendente ainda é a cultura que parece conceder ao homem o direito sobre a mulher que _ pelo que todos ainda reconhecem _ é a mulher dele. Basta atentar que só depois de 20 horas a polícia de Sapucaia agiu. A determinação da autoridade policial foi ter paciência (ZH 5/6, p. 40). Mas até quando teremos paciência? Quantas mortes, quantas mulheres violadas e violentadas será preciso contabilizar até que as autoridades assumam a sua responsabilidade de assegurar proteção a quem se encontra em situação de vulnerabilidade?

É chegada a hora de as mulheres deixarem de ser tratadas como pessoas frágeis que estão protegidas no recinto do seu lar doce lar!"

*Advogada
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"É chegada a hora de as mulheres deixarem de ser tratadas como pessoas frágeis que estão protegidas no recinto do seu lar doce lar!"
Essa frase é especialmente ilustrativa porque já ficou muito claro que a mulher muito frequentemente  não está segura e protegida em casa.

Na mesma edição, na mesma página, tem um ótimo editorial - Cultura Machista - que tem muito a acrescentar à discussão. 


"O mais recente e mais rumoroso caso de violência doméstica, em que uma mulher foi encontrada desacordada em Sapucaia do Sul depois de ter sido mantida em cárcere privado pelo ex-companheiro, acende um sinal de alerta no Estado em relação a uma cultura machista que resiste a mudanças. O elevado número de casos indica a necessidade de uma abordagem mais ampla do problema, que expõe falhas na rede pública de proteção, exige a adoção de providências há muito tempo adiadas e recomenda a intensificação de campanhas educativas voltadas para o respeito mútuo dentro de casa.

O recrudescimento das agressões _ são pelo menos seis mortes violentas de mulheres no Estado só nos últimos dias _ volta a chamar a atenção para o quanto a sociedade ainda precisa evoluir em relação a aspectos como esse. Já avançamos, é verdade. Há quase sete anos, por exemplo, a Lei Maria da Penha tornou muito mais rigorosa a punição contra quem pratica qualquer ato de violência contra o sexo feminino. A questão, mais uma vez, é que continuam faltando providências adicionais do poder público para garantir a aplicação do texto legal.

Normalmente, o assassinato de uma mulher pelo companheiro ou ex-companheiro é precedido de uma série de fatos que indicam a iminência de uma tragédia. A questão é que, sem a adoção de providências elementares como os Centros de Atendimento, poucas mulheres se animam a denunciar os responsáveis, temerosas das consequências.

Se o poder público falha, por razões culturais como as que movem os agressores, é preciso que a sociedade faça a sua parte, tanto na área educativa quanto na fiscalização. Cobrar providências e não fechar os olhos ao problema já podem ser consideradas duas contribuições importantes."

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