No meu video As mulheres no ateismo eu disse, e mostrei, que sou realmente uma atéia "de carteirinha". E aqui está a imagem que comprova isso.
A STR foi fundada no dia 4 de maio de 1999, pouco mais de 12 anos atrás, ainda no século passado. Eu descobri o site no início de 2000, e foi praticamente a minha primeira referência ateísta na época. Ainda morava no interior e não tinha quase acesso a esse tipo de informação; a internet se tornou uma "janela para o mundo", e tornou possível que pessoas de todo o mundo se encontrassem e compartilhassem as suas experiências e pensamentos.
Há exatos 11 anos, em 28 de maio de 2000, eu me tornei oficialmente Editora de Inglês da STR. Traduzi vários textos, tanto do inglês para português, como vice versa, e foi uma época de muitas descobertas para mim. Eu lia os textos do site com grande prazer e também trocava idéias com os outros editores, vários dos quais moravam em Porto Alegre.
Tivemos a oportunidade de nos conhecer pessoalmente em novembro daquele ano, quando fui a Porto Alegre passar alguns dias. Dos que estavem presentes naquele dia eu lembro do Luis Brudna, Sandro Remboldt, Daniel Cunha, Juan Cisneros, além de mim e a minha filha. Se eu esqueci de alguém, peço que me perdoe, sou péssima com nomes e já faz mais de dez anos.
Eu devo muito à STR e ao Leo Vines que fundou o grupo e o site. Aprendi muito ali, e ainda tenho contato com várias pessoas que participaram dela.
Como a STR nunca encerrou oficialmente, a minha carteirinha ainda está valendo. =D
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Saturday, May 28, 2011
Thursday, May 26, 2011
"Tornar-se ateu exige reflexão", afirma autor de "Ímpio"
Saiu um novo livro sobre ateismo que parece bem interessante. Não li ainda, mas pretendo ler assim que tiver oportunidade.
O autor, Fábio Marton, deu uma entrevista à Folha.com
O autor, Fábio Marton, deu uma entrevista à Folha.com
"Ímpio", do jornalista (e ateu) Fábio Marton é a história de uma vida religiosa, de sua peregrinação pelo evangelho e a libertação final (no caso, expulsou outros tipos de "incômodos").
Acostumado a grandes reportagens, o autor narra de forma envolvente e bem-humorada seus traumas e ousadias, das questões familiares até o pensamento cético que, de certa forma o tranquilizou, ao mesmo tempo que gerou maus olhados por parte de outros.
"A última notícia é que um tio meu por lado de mãe, a parte católica da família, estava lendo, não me disseram o que achou", revela.
Narrado em primeira pessoa, a obra ainda traz curiosos "recortes" em páginas negras, que remetem pensamentos antigos e constatações cientificas sobre a evolução do homem.
Para o autor, não existe ateu que não tenha buscado conhecimento no campo da ciência ou filosofia. "Existem muitos religiosos afastados ou não-praticantes, mas tornar-se ateu exige reflexão. Os ateus não são todos eloquentes para explicar o que pensam, mas todos tiveram de pensar para chegar lá", destaca.
Em entrevista à Livraria da Folha, Marton fala a razão de ter escrito o livro, de que se incomoda com o fanatismo religioso (o termo "ímpio" se refere justamente a isso, a não se dignar --e mesmo desprezar-- fanatismos religiosos), e ainda analisa o papel da religião na família e na formação de cada indivíduo.
Confira.
http://www1.folha.uol.com.br/livrariadafolha/921137-tornar-se-ateu-exige-reflexao-afirma-autor-de-impio.shtml
Tuesday, May 10, 2011
Enquanto isso, no Youtube...
Gente, não fazem idéia do que aparece de argumento estranho nos meus vários canais. Nos últimos dias (começou em 5/5) tem uma pessoa em especial tentando me convencer de que ateu tem que ser niilista, que está provado cientificamente que o ateismo leva ao niilismo (sic!). Confesso que não tive paciência para debater realmente, depois de ver certos argumentos pela enésima vez. Vou reproduzir o diálogo que tivemos (minhas respostas estão em azul):
Deus é, mas a criação existe. E existe maior do que qualquer indivíduo existente. Portanto, aquele que olha para o Existente Criado (Cosmos) e nada vê e nada sente, é como aquele que fica diante de você e convoca uma conferência para decidir se você existe ou não.como deveria ser a vida de um ateu engajado e crente (vida curta, porém sincera!):
Um ateu não deve chorar jamais, amar jamais, beijar com sinceridade jamais; se preocupar com justiça, verdade, carinho, amizade, amor, e ódio, jamais; e jamais deveria ter ciúmes, e nem se enciumar de nada; menos ainda se importar com a vida e a morte; e, sob hipótese alguma deveria ter dor de consciência; e jamais sentir-se devendo nada aos céus, à terra e menos ainda aos homens; e sem
e sem esquecer-se de que tanto faz qualquer coisa, pois, se não há Deus, não há sentido, não há razão, não há por quê; pois, se não há Deus, o que quer que pela força ou pela inteligência ou mesmo pela maldade se fizer impor (caso assim alguém deseje e consiga) — em nada está sendo melhor ou pior do que qualquer coisa ou qualquer um.
Sem Deus, com tudo e com nada; e sem sentido para tudo ou nada; mas, havendo sinceridade, pelo menos levando até as ultimas conseqüências as implicações de uma existência sem Deus — dever-se-ia abraçar gelo na alma, sem alma, sem direito a emoção, sem permissão para dançar, sem licença para amar, sem nada a celebrar ou a chorar; sem chegadas e sem despedidas; sem berços e sem túmulos; sem nada além de nada; e, em caso de honestidade maior, abraçando o suicídio como devoção.
Apresente-me esse ateu (ainda que morto), e o saudarei com respeito. Até mesmo Friedrich Nietzsche não levou seu ateísmo até às últimas conseqüências, posto serviu-se todas as possibilidades que somente num mundo com Deus se poderia ter.
- Na verdade deu para perceber só uma coisa de tudo que você disse: que você não sabe NADA sobre o que é ser ateu.
ao se deparar com a realidade do que acredita a única saída do ateu é abraçar o existencialismo, não há nenhum outro berço onde ele possa deitar-se.
- Depois de perceber que você confunde niilismo com existencialismo, naõ vejo necessidade de comentar mais nada; você claramente não sabe do que está falando.
queria ficar no ambito das ideias mas vc é uma mente blilhante eu simplismente não sei como não descobriu que Deus é maior do que qualquer indivíduo existente. Portanto,vc é como aquele que olha para o Existente Criado (Cosmos) e nada vê e nada sente, é como aquele que mesmo diante de você e convoca uma conferência para decidir se você existe ou não.
- Se esse 'deus' é algo assim tão grandioso, porque ele não consegue se tornar autoevidente? E quem disse que eu olho para o Cosmo e nada sinto? Quanto mais você fala, mais ridículo fica. Já disse, você não sabe NADA sobre nós ateus. ESTUDE!
é bom dar uma olhada pode ser no wikipédia mesmo não precisa ser na sua biblioteca particular não que o Niilismo pós-Nietzsche ganhou novas significações e derivações, tal como o niilismo-existencialista de Sartre e o niilismo-gnóstico/niilismo-absurdista de Albert Camus.
A diferença entre você e eu. é que eu não sigo autoridades, vivo a minha vida exatamente como eu gosto, dando importância às pessoas ao meu redor, amando profundamente o meu marido e filhos. Nem você nem ninguém vai me dizer como EU devo viver a minha vida![*] 10/05Estude a origem biológica e genética da empatia e da colaboração com o grupo.Não me importa se vc é anarquista ateia e amante da vida o final disso tudo será enfim vaidade, nenhum significado, nenhum valor e sem propósito fundamentais apenas um propósito subjetivo criado por vc para dar significado a sua vida. Esse fim poderia ser diferente.volto a repetir a natureza não é cruel, apenas implacavelmente indiferente. Essa é uma das lições mais duras que os humanos (ateus) têm de aprender. — Richard Dawkins
Andre calcian escreveu um livro interessante sobre ateismo e niilismo na qual ele justifica a transição do ateísmo ao niilismo com base na ciência moderna. Assim, a ideia é que, uma vez nos tornemos ateus, o niilismo segue-se. Nesse livro ele tenta explicar o mais claramente possível como chegou a essa conclusão.
- E porque alguém escreveu, eu tenho que seguir? Na minha opinião o ateísmo leva ao Humanismo, este foi o meu caso. Visite o meu blog e leia o post "Ateismo é só uma negação?"
"Ateismo é só uma negação?" E porque alguém escreveu, eu tenho que concordar????? vc que é ateia deve dar algum valor a ciencia e deve perceber que ele chega a conclusãotransição do ateísmo ao niilismo com base na ciência moderna não baseado em opnião tal como é o seu caso.
- Como é que é??? Você apela para a CIÊNCIA? E diz que a "transição do ateismo para o niilismo" é baseado na "ciência"?Sem mais comentários.vc diz Você apela para a CIÊNCIA? "transição do ateismo para o niilismo" é baseado na "ciência"?
Andre calcian com base na ciência moderna chegou a essa conclusão, não é minha opinião nem opinião de Andre calcian mas uma conclusão com base científica. ou vc acha que uma frase do tipo "baseado na minha opinião e intuição o ateismo transita para o niilismo" tem uma credibilidade maior .
- Apenas me explique então porque EU não sou niilista. [*]
FRAZES TAL COMO
“Quanto mais você fala, mais ridículo fica. Já disse, você não sabe NADA sobre nós ateus. ESTUDE! “
“naõ vejo necessidade de comentar mais nada; você claramente não sabe do que está falando.”
“A diferença entre vc e eu”
“Como é que é???? VC apela para a CIENCIA?”
“Nem vc nem ninguem vai me dizer o que devo fazer da minha vida!”
Só mostra o desespero de uma pessoa sem argumentos convincentes
- Existe uma coisa chamada " abaixo de toda crítica " - é tão ruim que não tem nem como criticar.
@asaheuser - eu lhe digo o contrário : uma vez nos tornemos ateus, o niilismo segue-se, mas o que eu tenho visto é que os religiosos incomoda o ateísmo e os agnósticos pelo mesmo motivo que o niilismo incomoda os ateus.O religioso diz que, sem Deus, a vida é intolerável; o ateu pensa que, sem sentido, a vida seria uma miséria. Nessa situação, o que incomoda os ateus não é tanto o fato de deus não existir, mas o fato de que, sem uma figura subjetiva autônoma, .
não há como legitimar qualquer postura de valorização subjetiva com base em elementos externos. Não tem em quê apoiar, pois está sozinho no mundo, e paradoxalmente apoiar-se em si mesmo não os conforta. Então o mundo não tem significado, e essa é uma verdade emocionalmente corrosiva; por isso os ateus tem a tendência de fugir dela.
- Então, volto a perguntar, porque EU não sou niilista?
vc não é niilista pq não leva seu ateismo até as ultimas consequencias, mas não se preocupe vc não é a unica.
- E porque eu não faço isso?
[esperei, ele não respondeu; voltei a insistir:]
- Sério, eu queria que explicasse porque eu, atéia há muito tempo, não sou niilista. Bem pelo contrário, eu me importo muito com as pessoas e tenho grande prazer na vida nos meus relacionamentos interpessoais, e não sinto que a vida não tenha um sentido, embora esse sentido não tenha relação com entidades sobrenaturais.
bem eu já te expliquei só vc ler novamente meu comentário ok. Parabéns por ter criado um sentido subjetivo para sua vida nesse tempo todo, vc realmente é incrivel e criativa.
- Se explicou, eu não entendi. Explica de novo
o ateu diz que, sem sentido, a vida é uma miséria. Os ateus não tem em quê apoiar, pois está sozinho no universo, não há como legitimar qualquer postura de significação ou valorização objetiva com base em elementos externos e apoiar-se em si mesmo não os conforta portanto os ateus tem a tendência de fugir do pensamento niilista mesmo ele sendo uma consequencia do ateismo.
- "o ateu diz que, sem sentido, a vida é uma miséria"
- Não, não dizem. Nem eu nem niguém que eu conheça. Volto a dizer o que eu disse desde o começo, você não sabe realmente o que é ser ateu.
**************************************************Como os comentários no Youtube às vezes ficam meio confusos e fora de ordem, pode ser que eu não tenha conseguido copiar tudo direitinho e na ordem. Mas acho que dá para ter uma idéia do pensamento da pessoa que me escreveu.
Ele invoca a ciência para sustentar o seu "argumento", sendo que para sustentar a idéia da existencia de um deus ele dispensa essa mesma ciência. Eu não sou cientificista, não aceito sem questionar qualquer coisa que alguém publique, muito menos o que alguém me diz num canal de Youtube.
Por fim, ele alega que respondeu, mas eu não vi realmente nenhuma resposta ali, ele só conclui que eu "não levei o ateísmo às últimas consequências", mas não explica porque, no meu caso particular, o ateísmo não levou ao niilismo. Mas ao menos ele parece que tentou ser gentil no final (ou irônico, difícil saber).
E da minha parte não vou mais continuar essa discussão.
Enfim, não vou comentar mais do que isso, vou esperar pelos comentários dos leitores.
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Saturday, May 7, 2011
Wednesday, April 20, 2011
O anseio pela pureza
No livro O Nome da Rosa tem um diálogo interessante entre o mestre e o discípulo.
O contexto deste diálogo é bastante óbvio para quem leu o livro ou viu o filme (onde o diálogo não aparece), mas para quem não sabe, se passa em um mosteiro e tem a ver com a idéia de pureza religiosa. E quase sempre que se tentou alcançar e impor uma idéia de pureza "perfeita", pessoas são sacrificadas, metafórica ou literalmente. A "pureza" é excludente, não admite a presença do "impuro", e assim vai se restringindo cada vez mais até sobrar muito pouco. Enfim, não funciona.
Imagine pegar uma terra esterilizada, plantar uma semente e regar com água destilada. A semente não vai nascer. A vida necessita da "impureza", a "pureza" é estéril e não produz nada. Por exemplo, qual o sentido de um ermitão encerrado em uma gruta ou em cima de um pilar, dependendo dos outros para se alimentar? Qual o sentido de mulheres encerradas em um mosteiro, rezando dia e noite, sem fazer nada de prático?
Houve um caso real, em que vários membros de uma família decidiram não trabalhar mais para preservar a sua "pureza" em vista do fim do mundo que estaria muito próximo (isso já faz mais de dez anos). O resultado foi que todos dependiam de um único membro que trabalhava, e que ficou evidentemente sobrecarregado com tudo isso. E o absurdo da coisa é que este não seria "salvo" de acordo com a crença dos outros familiares, no entanto era este que garantia a sua sobrevivência.
Contraditório, não?
Me arrisco a dizer que toda tentativa de alcançar uma "pureza" absoluta tem como base uma sensação de inadequação da pessoa e uma tentativa dela se "depurar" de alguma forma.
A verdade é que somos uma espécie animal, com necessidades fisiológicas que muitas vezes incomodam, e algumas pessoas não se conformam com isso. E não estou falando só de religião, eu falo de qualquer anseio por "pureza", seja em que aspecto for. O amor é considerado "puro" quando não envolve sexo. Uma alimentação "pura" significa se abster de carne e, em casos extremos, de qualquer produto de origem animal.
Uma ação é considerada "pura" quando não envolve interesse pessoal, só o bem estar de outra pessoa.
Mas é o sexo que produz filhos e desencadeia a produção de várias substâncias em nosso organismo que causam uma sensação de bem estar muito grande (endorfinas, serotonina, oxitocina). Os produtos animais, os nutricionistas são praticamente unânimes em dizer, são necessários em algum grau para o nosso organismo se manter. E as nossas ações tem sempre alguma vantagem para nós mesmos, mesmo que seja apenas a satisfação de sentir que fizemos algo de bom.
A pureza absoluta é estéril, não produz nada. Prefiro ser "impura" e produzir algo de útil.
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Mestre: "A pureza me assusta."Discipulo: "O que o assusta na pureza?"Mestre: "A pressa."
O contexto deste diálogo é bastante óbvio para quem leu o livro ou viu o filme (onde o diálogo não aparece), mas para quem não sabe, se passa em um mosteiro e tem a ver com a idéia de pureza religiosa. E quase sempre que se tentou alcançar e impor uma idéia de pureza "perfeita", pessoas são sacrificadas, metafórica ou literalmente. A "pureza" é excludente, não admite a presença do "impuro", e assim vai se restringindo cada vez mais até sobrar muito pouco. Enfim, não funciona.
Imagine pegar uma terra esterilizada, plantar uma semente e regar com água destilada. A semente não vai nascer. A vida necessita da "impureza", a "pureza" é estéril e não produz nada. Por exemplo, qual o sentido de um ermitão encerrado em uma gruta ou em cima de um pilar, dependendo dos outros para se alimentar? Qual o sentido de mulheres encerradas em um mosteiro, rezando dia e noite, sem fazer nada de prático?
Houve um caso real, em que vários membros de uma família decidiram não trabalhar mais para preservar a sua "pureza" em vista do fim do mundo que estaria muito próximo (isso já faz mais de dez anos). O resultado foi que todos dependiam de um único membro que trabalhava, e que ficou evidentemente sobrecarregado com tudo isso. E o absurdo da coisa é que este não seria "salvo" de acordo com a crença dos outros familiares, no entanto era este que garantia a sua sobrevivência.
Contraditório, não?
Me arrisco a dizer que toda tentativa de alcançar uma "pureza" absoluta tem como base uma sensação de inadequação da pessoa e uma tentativa dela se "depurar" de alguma forma.
A verdade é que somos uma espécie animal, com necessidades fisiológicas que muitas vezes incomodam, e algumas pessoas não se conformam com isso. E não estou falando só de religião, eu falo de qualquer anseio por "pureza", seja em que aspecto for. O amor é considerado "puro" quando não envolve sexo. Uma alimentação "pura" significa se abster de carne e, em casos extremos, de qualquer produto de origem animal.
Uma ação é considerada "pura" quando não envolve interesse pessoal, só o bem estar de outra pessoa.
Mas é o sexo que produz filhos e desencadeia a produção de várias substâncias em nosso organismo que causam uma sensação de bem estar muito grande (endorfinas, serotonina, oxitocina). Os produtos animais, os nutricionistas são praticamente unânimes em dizer, são necessários em algum grau para o nosso organismo se manter. E as nossas ações tem sempre alguma vantagem para nós mesmos, mesmo que seja apenas a satisfação de sentir que fizemos algo de bom.
A pureza absoluta é estéril, não produz nada. Prefiro ser "impura" e produzir algo de útil.
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Sunday, April 17, 2011
Saturday, April 16, 2011
Somos dois espíritos livres que se uniram
Essa foi a minha resposta quando o dono da Padaria, muito meu amigo, me chamou de "Dona Åsa", sendo que ele não quer que chame ele de "senhor". Primeiro eu disse que não era "dona" de nada, ao que ele respondeu "bem, dona do seu marido" . Foi aí que saiu a frase que é o título desta postagem, e saiu tão rápido e espontaneamente que fiquei pensando nela depois.
E a grande verdade é que nós nunca nos sentimos "donos" um do outro. Para nós é simplesmente natural sermos fiéis, resultado do grande respeito e admiração que eu tenho por ele e que ele tem por mim. Temos áreas de atuação diferentes, nunca sentimos necessidade de controlar o que o outro faz quando não estamos juntos (mas gostamos muito de estar juntos), e temos inclusive autonomia para tomar decisões, porque confiamos que nenhum de nós vai tomar alguma decisão importante que reflita de forma negativa sobre o relacionamento. Coisas muito importantes discutimos, claro, para chegar a um consenso.
Amor é sempre uma coisa muito subjetiva, mas para mim é basicamente um sentimento de querer o bem estar do outro ao mesmo tempo que queremos o nosso próprio bem estar junto a ele. Admiração, respeito, lealdade, fidelidade e consideração fazem parte do conjunto; também é importante ter valores semelhantes. E tem também o fato de aceitarmos a individualidade do outro, e dar a ele espaço quando necessário, até para ficar sozinho.
Lembro quando o conheci, a sensação de segurança que senti desde o começo na presença dele. Podemos estar no mesmo ambiente, cada um fazendo as suas coisas (cada um no seu computador, como agora), e não sinto em nenhum momento que preferia estar sozinha. Sinto que o mundo é um lugar um pouco melhor porque ele existe. Temos uma intimidade que sempre me pareceu tão natural, mas que descobri não ser tão comum quanto eu imaginava. Correndo o risco de parecer piegas, eu seria capaz de morrer por ele.
Olhando para trás eu vejo que éramos (e ainda somos) dois "outsiders" (termo inglês para pessoas que não sentem que fazem parte do grande grupo, não encontro um termo adequado em português), sempre destoamos do padrão. Tivemos a sorte de nos encontrar e sorte maior ainda de termos conseguido manter esse relacionamento por tanto tempo. Gostamos muito de ler, ver filmes, caminhar juntos pela manhã na praia que tem aqui perto, e temos sempre muito sobre o que conversar. Sempre andamos de mãos dadas, o que até já chamou a atenção do pessoal da vizinhança.
Ele nunca foi arrogante comigo, jamais foi capaz de me tratar como se eu tivesse que obedecê-lo. Foi assim que ele me conquistou, por me respeitar e me tratar com dignidade. Devido a várias circunstâncias eu acabei exercendo a função de dona de casa por vários anos, e ele sempre valorizou o que eu fazia na "administração doméstica" (que foi o termo que passei a usar para descrever o que fazia). Ele nunca assumiu a atitude de que o dinheiro que ele ganhava fosse "dele", sempre tivemos conta conjunta. Quando comecei a trabalhar com aulas particulares, eu também assumi a mesma atitude, o que eu recebia era nosso, não meu. Atualmente o que faço se tornou muito importante, porque aposentado no Brasil, todos sabem, sofrem de 'AIDS' - Alto Indice de Defasagem Salarial - e ele teve o retorno da atitude que teve para comigo no início do casamento.
Parece que estou rasgando seda?
É, acho que estou. :)
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E a grande verdade é que nós nunca nos sentimos "donos" um do outro. Para nós é simplesmente natural sermos fiéis, resultado do grande respeito e admiração que eu tenho por ele e que ele tem por mim. Temos áreas de atuação diferentes, nunca sentimos necessidade de controlar o que o outro faz quando não estamos juntos (mas gostamos muito de estar juntos), e temos inclusive autonomia para tomar decisões, porque confiamos que nenhum de nós vai tomar alguma decisão importante que reflita de forma negativa sobre o relacionamento. Coisas muito importantes discutimos, claro, para chegar a um consenso.
Amor é sempre uma coisa muito subjetiva, mas para mim é basicamente um sentimento de querer o bem estar do outro ao mesmo tempo que queremos o nosso próprio bem estar junto a ele. Admiração, respeito, lealdade, fidelidade e consideração fazem parte do conjunto; também é importante ter valores semelhantes. E tem também o fato de aceitarmos a individualidade do outro, e dar a ele espaço quando necessário, até para ficar sozinho.
Lembro quando o conheci, a sensação de segurança que senti desde o começo na presença dele. Podemos estar no mesmo ambiente, cada um fazendo as suas coisas (cada um no seu computador, como agora), e não sinto em nenhum momento que preferia estar sozinha. Sinto que o mundo é um lugar um pouco melhor porque ele existe. Temos uma intimidade que sempre me pareceu tão natural, mas que descobri não ser tão comum quanto eu imaginava. Correndo o risco de parecer piegas, eu seria capaz de morrer por ele.
Olhando para trás eu vejo que éramos (e ainda somos) dois "outsiders" (termo inglês para pessoas que não sentem que fazem parte do grande grupo, não encontro um termo adequado em português), sempre destoamos do padrão. Tivemos a sorte de nos encontrar e sorte maior ainda de termos conseguido manter esse relacionamento por tanto tempo. Gostamos muito de ler, ver filmes, caminhar juntos pela manhã na praia que tem aqui perto, e temos sempre muito sobre o que conversar. Sempre andamos de mãos dadas, o que até já chamou a atenção do pessoal da vizinhança.
Ele nunca foi arrogante comigo, jamais foi capaz de me tratar como se eu tivesse que obedecê-lo. Foi assim que ele me conquistou, por me respeitar e me tratar com dignidade. Devido a várias circunstâncias eu acabei exercendo a função de dona de casa por vários anos, e ele sempre valorizou o que eu fazia na "administração doméstica" (que foi o termo que passei a usar para descrever o que fazia). Ele nunca assumiu a atitude de que o dinheiro que ele ganhava fosse "dele", sempre tivemos conta conjunta. Quando comecei a trabalhar com aulas particulares, eu também assumi a mesma atitude, o que eu recebia era nosso, não meu. Atualmente o que faço se tornou muito importante, porque aposentado no Brasil, todos sabem, sofrem de 'AIDS' - Alto Indice de Defasagem Salarial - e ele teve o retorno da atitude que teve para comigo no início do casamento.
Parece que estou rasgando seda?
É, acho que estou. :)
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