[Também conhecido como "Aposta de Pascal"]
Hoje eu tive uma experiência nada inédita. A pedido de um rapaz ateu, eu entrei em uma discussão por MSN com outra pessoa que é do tipo religiosa fundamentalista. Eu já não entro mais nesse tipo de discussão faz tempo, porque sei que não vai dar em nada, mas como foi um pedido, eu atendi. Como eu já tenho alguma experiência para detectar o que a pessoa realmente pensa, fui logo perguntando: "Você acha que eu mereço ir para o inferno simplesmente por não acreditar no deus cristão?" Ela respondeu que sim. Perguntei, " E se dependesse de você, se a decisão fosse sua, você me mandaria para o inferno?" Novamente ela respondeu que sim. (Devo dizer que foi nessa parte que ela me surpreendeu, normalmente as pessoas amenizam, saem pela tangente, dizendo que essa decisão não é delas, etc, etc.)
Quero deixar claro que eu nada tenho contra a crença de ninguém. E também sei muito bem que existem muitas maneiras de acreditar, conheço muitas pessoas que acreditam em "alguma coisa", mas são pessoas que não condenam ninguém por não pensar como eles, e levam suas vidas sem se ater a regras absurdas por medo de não merecer a "salvação". Por pessoas assim eu tenho o maior respeito e nunca me passou pela cabeça tentar convencer uma pessoa assim a mudar de idéia. Apenas explico o que penso se a pessoa perguntar, e normalmente essas pessoas não se sentem ameaçadas com isso. Assim, o convívio é tranquilo.
Mas o tipo de pessoa capaz de apontar o dedo para mim e dizer que eu sou uma péssima pessoa só por não compartilhar a sua crença me deixa perplexa. O argumento é tão infantil que me surpreende que a pessoa não tenha vergonha de usá-lo. Cheguei à conclusão de que essas pessoas carecem de empatia e compaixão, dão mais importância a um livro do que à pessoa ao seu lado. O tipo de deus em que essa pessoa acredita eu só consigo descrever como 'vaidoso, rancoroso e vingativo'. Tipo um juiz que vai me jogar na cadeia porque eu não puxei o saco dele. Na verdade isso me lembra muito os deuses gregos, eles castigavam duramente quem não lhes prestasse as devidas homenagens. Soa familiar?
Uma pessoa só poderia ser julgada pelos seus atos, e os atos só poderiam ser avaliados pelas suas consequências concretas. Não deveria importar o que a pessoa pensa ou acredita, só o que ela faz. Eu não faço coisas ruins simplesmente porque eu me importo com as pessoas e os seus sentimentos. Empatia é chave de tudo.