Hoje apareceu uma outra postagem, "Há vida sem vida?", por Flavio Mansur, Médico, apresentando a opinião contrária à dela. O que vi ali foi nada mais nada menos que a mesma coisa que já tinha observado antes, ou seja, para certas pessoas o feto é mais importante que a mulher e a mulher tem obrigação de sofrer.
Destaco algumas passagens:
"Parece que a confusão da professora é entre a gestante que preza o que carrega no ventre, lhe dá a dignidade humana, e a mulher que prefere resolver vicissitudes na forma de apagá-las da sua existência."
"Temos duas possibilidades. Há uma gestante, que pretendia ser mãe de um filho saudável, e recebeu a pior notícia possível – que seu filho não sobreviverá – e se prepara para seu funeral durante a gestação, funeral este a ser realizado após o nascimento.
E há uma mulher que eventualmente estava grávida, recebeu a mesma notícia, e a entendeu como sendo não um filho, mas um “tumor” que crescia no seu útero, e a solução prática é extirpá-lo sem delongas."
A primeira é uma mãe, a segunda uma mulher que estava grávida, categorias completamente diversas.
Fica muito evidente a tentativa de demonizar as mulheres que não estão dispostas a continuar sofrendo, sendo que esse sofrimento é inútil e não terá nenhum resultado positivo ou prático.
E fica evidente que vivemos em uma sociedade de mentalidade misógina, que exige da mulher esse sofrimento inútil; não só nestes casos mas em muitos outros. E não estou dizendo que são só os homens que tem essa mentalidade, muitas mulheres a incorporam também.
**********************************************
Abaixo o artigo na íntegra:
Professora da UFRGS e pesquisadora de células-tronco emitiu suas opiniões sobre o caso do abortamento de anencéfalos – usando o eufemismo de interrupção da gestação – na ZH de 18/04/12.
Inicia preocupada com ter a gestante que se preparar para o velório do filho, ao invés de uma nova vida. Que meses de gestação significam um funeral prolongado.
Segue dizendo que o debate filosófico e legal é questão de opiniões, mas cientificamente 20 profissionais não podem estar enganados ao enxergar um tumor, e que se pode fazer a analogia com anencéfalos.
Não seria de esperar opinião diversa, haja vista que pesquisa com células-tronco significa em grande parte destruição de embriões humanos. É um pequeno passo a mais destruir um embrião “mais crescidinho” e localizado no útero.
Todavia, o que me chamou a atenção foi o fato de dizer que a gestante se prepara para o funeral do filho caso prossiga com a gestação. Enterra-se, vela-se, o que nunca teve vida? Ou se descarta no balde da sala cirúrgica o “tumor”? Há vida sem vida?
Parece que a confusão da professora é entre a gestante que preza o que carrega no ventre, lhe dá a dignidade humana, e a mulher que prefere resolver vicissitudes na forma de apagá-las da sua existência.
Temos duas possibilidades. Há uma gestante, que pretendia ser mãe de um filho saudável, e recebeu a pior notícia possível – que seu filho não sobreviverá – e se prepara para seu funeral durante a gestação, funeral este a ser realizado após o nascimento.
E há uma mulher que eventual- mente estava grávida, recebeu a mesma notícia, e a entendeu como sendo não um filho, mas um “tumor” que crescia no seu útero, e a solução prática é extirpá-lo sem delongas.
Ambas estão certas, não é possível criticar a segunda por querer ver-se livre do “tumor”. Contudo, há uma diferença, fundamental, entre uma e outra. A primeira é uma mãe, a segunda uma mulher que estava grávida, categorias completamente diversas. Quem tem ou teve mãe – e infelizmente nem todos a têm – sabe do que falo.
**********************************************